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A bem da Nação

A PIRA DAS «MIL E UMA NOITES»

  

Mulheres sauditas.jpg

 

País perfeitamente pró-ocidental nas suas alianças e americanizado nas suas paisagens urbanas, a Arábia Saudita prega, contudo, um Islão que nada tem a ver com a tradição culta mas sim uma lei que passou por um regime de primarismo que o deixou rude e boçal.

 

Um Islão que refaz a sua crença na negação da civilização que ele próprio criou, que conduz uma guerra contra tudo aquilo que se realizou de importante na sua brilhante história, contra tudo aquilo que foi concebido sem prejudicar a palavra mas não fazendo dela uma leitura hermética, literal, é levado a proibir o estudo dos teólogos mais ou menos antigos que ousaram pensar audaciosamente, destrói toda a literatura, persegue todos os pensadores islâmicos livres desde o século VIII até à actualidade.

 

Este Islão, rude e magro, historicamente saudita, age sobretudo contra o Islão que foi rico e erudito, fundamento duma civilização que foi brilhante. Mas, paradoxalmente, a Arábia Saudita faz coabitar a regressão ao arcaísmo com a técnica mais moderna numa rota inexpugnável e claramente sem saída, portadora de duas essências incompatíveis. E essa via absurda faz com que uma mulher saudita seja punida severamente por conduzir um automóvel ou sair de casa sem autorização do marido mas a Força Aérea do país tem mulheres no seu quadro de pilotos de combate.

mulher-piloto saudita.jpg

  

Todo o actual arcaísmo saudita nasceu pela mão de Ibn ‘Abd al-Wahhab (1703-1792) e é a Arábia Saudita que vem financiando o proselitismo deste Islão wahhabita que impele à prática do terrorismo.

 

E a questão que se coloca agora com o novo rei saudita é a de saber se vai haver alguma mudança a favor do esclarecimento desta aliança absurda entre arcaísmo e modernidade. Vai prevalecer a pira das «Mil e uma noites» ou vão as mulheres piloto passar também a poder guiar automóveis? E se elas vingarem entre as nuvens, que alvos vão atacar às ordens de algum emir arcaico?

 

Na dúvida, não nos fiemos naqueles petrodólares.

 

Fevereiro de 2015

 

Henrique em Angkor Wat.JPG

 Henrique Salles da Fonseca

 

 

BIBLIOGRAFIA:

A DOENÇA DO ISLÃO”, Abdelwahab Meddeb, Relógio d’Água Editores, Março de 2005, pág. 47 e seg.

Wikipédiahttp://pt.wikipedia.org/wiki/Muhammad_ibn_Abd_al-Wahhab

YouTubehttps://www.youtube.com/watch?aUm=&feature=youtu.be&v=6qikawjSiAE&app=desktop

 

 

 

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