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A bem da Nação

A COMPOSTAGEM

 

É bem conhecida a importância da matéria orgânica na fertilidade do solo agrícola. No entanto, muita matéria orgânica, que podia ser utilizada para esse fim, é levada para aterros. Para reduzir esse desperdício devemos procurar forma de a usar.
Já repetidas vezes lembrei a produção de biogás, uma forma de energia renovável que Portugal tem negligenciado, mas que é utilizada noutros países. Tratarei hoje de um outro caso, especialmente aplicável aos muitos quintais que existem junto às habitações: a compostagem.

A Câmara Municipal de Oeiras, em tempos, distribuiu gratuitamente umas caixas de madeira, com cerca de um metro cúbico, onde se podiam acumular os detritos orgânicos da casa e do quintal, para se decomporem e formarem aquilo a que se chama “composto”. Também há à venda, para o mesmo efeito, caixas em plástico. Mas essas caixas são dispensáveis, especialmente se o quintal não for muito pequeno e houver abundância de detritos de material vegetal. Basta ir empilhando os detritos, quando possível encostados a um muro. Para dar ao monte de detritos a forma de um cubo ou de um paralelipípedo, para melhor aproveitamento da superfície ocupada, podem ser cravadas canas ou varas, como se fossem os lados da caixa, como se mostra na figura.
No verão convém regar a pilha do composto porque sem humidade não há decomposição da matéria orgânica.

Compostagem.png

O tempo que os materiais orgânicos levam a decompor-se varia muito. Folhas e caules verdes decompõem-se facilmente, mas materiais mais grosseiros, como caules muito lenhificados, levam mais tempo. 
O produto final é um excelente fertilizante, muito bom fornecedor de azoto, um dos elementos de que as plantas necessitam em grande quantidade.

A propósito, talvez valha a pena lembrar que as cinzas das lareiras também são um bom fertilizante. São fornecedoras de fósforo e potássio, outros dos elementos que as plantas consomem em grande quantidade. São, portanto, um bom complemento do composto e, como este, devem ser deitadas no solo a cultivar e enterradas com a cava ou sacha.

Pode parecer insignificante um tal aproveitamento. Mas, considerando os muitos milhares de quintais a que ele pode ser aplicado, são toneladas de lixo que deixam de ter de ser transportadas para os aterros e é o aumento de fertilidade do solo de milhares de hectares, para incrementar a produção de mais e melhores frutos, hortaliças e flores.

Publicado no “Linhas de Elvas" de 30 de Outubro de 2014

 

Prof. Miguel Mota

Miguel Mota

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