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A bem da Nação

A CAMINHO DO CÉU… (6)

 

THE POWER “OR” THE GLORY[1]

MAGNATA.png

 

Hoje, escolho “O crepúsculo do dever”[2] como o livro de Gilles Lipovetsky que me parece mais apropriado para o tema que me move neste escrito, o da morte prematura da moral e da ética.

 

(...) A sociedade post-moderna ou post-moralista designa a época em que o dever se adocicou e tornou anémico, em que a ideia do sacrifício pessoal se ilegitimou socialmente, em que a moral já não exige que as pessoas se devotem a uma causa superior, em que os direitos subjectivos dominam os mandamentos. Na sociedade post-dever, o mal transformou-se em espectáculo, o ideal pouco engrandecido. Se perdura a crítica do vício, o heroísmo do bem enfraquece. Os valores que reconhecemos são mais tidos como negativos do que como positivos. Por trás de uma falsa revitalização ética, triunfa uma moral indolor, último estádio da cultura individualista democrática. (...) [pág. 57 op. cit.]

 

Na sequência do que chegámos à filosofia do poder, aquela em que o grande objectivo é o poder e que resulta claramente de um espírito de permanente competição. Como cada vitória tenderá a elevar o nível dessa mesma competição, o final lógico de tal filosofia é o poder ilimitado e absoluto. Aqueles que buscam o poder podem não aceitar as regras éticas definidas pelos costumes, a tradição e, pelo contrário, adoptam outras normas e regem-se por outros critérios que os ajudam a obter o triunfo. Tentam mesmo convencer as outras pessoas de que são éticos no sentido do objectivo supremo por eles definido tentando conciliar o poder e o reconhecimento da moralidade.

 

Assim foi que se sentaram na cadeira do poder muitos daqueles para quem a ética dos costumes virtuosos, das leis naturais, da fé, do voluntarismo e da disciplina são palavra vã. Daí ao poder absoluto, à ausência de regras consensualmente construídas, ao Direito «pret à porter» e à dissolução do Estado de Direito, vulgo o fascismo, não dista muito ou não dista mesmo nada. Ignorados os princípios que definem o bem-comum, instala-se o “salve-se quem puder”, instala-se a razão da força em oposição à força da razão.

 

Globalizado e sacralizado o império da competição desenfreada, não mais resta qualquer esperança de sobrevivência aos que não sejam campeões. E a alternativa para os não campeões – em que o 2º classificado mais não é do que o 1º vencido – é unicamente a de serem servos. Servos mais ou menos mitigados, mais ou menos engravatados, numa gaiola mais ou menos doirada mas servos e apenas servos.

 

O poder mal alcançado é o oposto da glória e por isso me apetece voltar a Popper para, com ele, lastimar que, perante tanta desgraça, «só nos reste ir para o Inferno».

 

Mas não, pelo contrário, opto pelo título verdadeiro do romance de Graham Greene, «THE POWER AND THE GLORY».

Yoguakarta-templo hindu.JPG

 Henrique Salles da Fonseca

(templo hindu, Yogyakarta)

 

[1] - Corruptela do título do livro de Graham Greene, “THE POWER AND THE GLORY”

[2] D. QUIXOTE, 4ª edição, Maio de 2010

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