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A bem da Nação

A AGRICULTURA FAMILIAR

 

 

A agricultura familiar foi, durante muitos anos, uma das formas de agricultura predominantes em certas zonas do país. Em tempos mais recentes, é mais reduzido o seu número e há quem declare que só tem razão de existir como actividade de complemento para quem tem outro emprego.

 

Nos textos duma organização chamada “”Think Tank”, recebidos regularmente por correio electrónico, vejo um interessante artigo sobre “Agricultura familiar”.

 

Aprendi que este ano é o Ano Internacional da Agricultura Familiar e que, segundo um relatório da FAO, 98% das explorações agrícolas do mundo são familiares e que são responsáveis por 56% (mais de metade) da produção total.

 

A exploração familiar não tem necessariamente de ter muito pequenas dimensões. Em locais apropriados, com parcelas de dimensões razoáveis e o uso da mecanização, é possível a uma família cultivar um bom número de hectares. Recordo-me de, há muitos anos, visitar uma exploração familiar de 200 ha. Pai, mãe, filha e genro criavam vacas e cultivavam milho.

 

No mesmo “Think Tank”, um outro artigo estuda a enorme importância, como fertilizante a aplicar em solo agrícola, dos excrementos humanos, fezes e urina. São muito ricos em azoto e fósforo, dois dos principais elementos necessários à vida das plantas. Em vez de esses esgotos serem lançados em rios e mares, com graves consequências de poluição, devem ser tratados com tecnologia adequada.

 

Um grupo de cientistas de vários sectores reuniram-se no Verão passado na Universidade Tecnológica de Hamburgo, precisamente para tratar do aproveitamento dos excrementos humanos para produção de energia – essencialmente biogás, que tem sido quase totalmente ignorado em Portugal – e de fertilizantes para a agricultura.

 

Com o contínuo crescimento da população, pode chegar-se a um ponto em que haja dificuldade em ter alimentos para todos. Mas estamos ainda bastante longe desse momento, pois a ciência agronómica tem sabido fazer crescer a produtividade da terra e dos homens de forma espectacular. Só há fome ou carências alimentares onde há maus políticos, que só produzem más políticas.

 

Publicado no "Linhas de Elvas" de 13 de Março de 2014

 

Miguel Mota

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