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A bem da Nação

GALIZA E PORTUGAL

LÍNGUA E CULTURA COMUNS

UMA VISÃO DE AMBAS AS PARTES

 

José Paz Rodrigues

Professor Titular de Didáctica e Organização Escolar – Universidade de Vigo;

 Presidente da Associação Sócio-Pedagógica Galaico-Portuguesa

 

 

Nota prévia: Este artigo, dirigido aos portugueses, está no galego original, escrito pelo autor com a grafia do galego reintegrado, a mesma do português oficial que os reintegracionistas procuram tornar oficial na Galiza contra vontade dos governantes galegos, agentes de Madrid, que teimam em utilizar o chamado castrapo – termo depreciativo para designar o galego espanholizado.

 

 

 

I – O primeiro problema com que nos encontramos no tratamento do presente tema é a do AUTOCONCEITO que de si mesmo têm os portugueses e, por extensão, a valoração que fazem da sua própria língua e cultura.

 

II – O segundo problema, ao nosso ver, radica na força com que nos diferentes foros os portugueses apoiam a defesa e utilização da sua língua própria.

 

III – Um terceiro problema – não menos importante – radica na visão que têm os portugueses do mundo lusófono e da utilidade da sua língua dentro do concerto da política linguística mundial.

 

IV – O quarto problema, sem dúvida, relaciona-se com o desconhecimento sobre a realidade da Galiza, mãe e berço da língua portuguesa, que tem em geral o povo português. É preciso conhecer a apoiar a Galiza melhor desde Portugal e incluir esta comunidade dentro do mundo lusófono, ao que por língua, cultura, tradição e história pertence.

 

V – Por último, ao nosso modesto entender, o problema número cinco relaciona-se com a política linguística e cultural que se desenvolve desde as administrações públicas – e também privadas – de Portugal.

 

Explicitados tais problemas, faz-se necessário entrar a analisá-los um por um.

 

1º - Pensamos, pela experiência adquirida por nós nos últimos quinze anos, que os portugueses são “galegos aperfeiçoados”. O que é o mesmo que dizer que infravaloram exageradamente o seu, pensando – muito equivocadamente – que as coisas melhores são de fora.

 

É, portanto, urgente e necessário modificar o auto-conceito que de si mesmos têm os portugueses. Portugal pode ensinar em muitos campos aos demais países do mundo: no ensino, na cultura, na defesa do património, no artesanato, na sensibilidade com as artes, no respeito pelas ideias dos demais, na defesa da natureza e da vida, etc.

 

Portugal é, para nós, um dos povos mais cultos do mundo. Infelizmente, são os portugueses os que não acreditam neles mesmos. Mais, Portugal é desde logo, junto com a Itália, um dos países com maior imaginação e criatividade do planeta. O dia em que o povo português se faça um bocadinho “chauvinista”, à moda francesa, dará um passo à frente muito importante.

 

O primeiro que necessita um povo é acreditar nele mesmo e superar todo o tipo de complexos de inferioridade. A língua portuguesa, além de formosa, é extensa e útil. A cultura portuguesa é, por enlaçar com a tradição mais autêntica e com o povo, de alto nível, muito superior à de qualquer outro país. Tão só falta que os portugueses e portuguesas tomem consciência do que estamos a dizer. Quem tem que sentir inveja são os outros de Portugal, não ao contrário. O cuidado com que em Portugal se trata a música, o folclore, as artes tradicionais, as festas populares, os monumentos com valor artístico, os museus, o livro, etc., é realmente exemplar e modélico para qualquer outra cultura. Vocês mesmos têm arquitectos paisagistas. Vocês mesmos têm parques naturais extraordinários. E não estamos a falar de um Portugal ideal senão real. Ainda conservam as feiras que já estamos a perder nós. Por não falar da cultura do vinho que tão esplendidamente conservam desde tempos históricos. Cuidar do vinho também é cultura. Conservar o artesanato autêntico também é cultura. Apoiar os ranchos folclóricos e outros grupos musicais também é cultura.

 

2º - Também a experiência nos diz que não se distinguem precisamente os portugueses pela defesa que, especialmente nos foros internacionais, fazem da própria língua. Outra vez o negativo complexo de inferioridade e de infravalorização da sua língua que têm os portugueses, leva-os a utilizar nos diferentes foros o francês ou o inglês (ou mesmo um horrível castelhano). E não o que seria natural: a língua portuguesa. Fazem assim por considerá-la de menor rango. Sem dar-se conta que na CEE, pata pôr um exemplo, depois do inglês e do castelhano, o português é a língua mais importante. Meus queridos amigos, diante do francês, do alemão, do italiano, etc. Esta atitude dos portugueses – incompreensível, olhe-se4 por onde se olhe – dos intelectuais e mesmo dos políticos, infelizmente bem poderia perdurar. Atitude que leva por exemplo a que nas reuniões da CEE ou do Conselho da Europa, por despreocupação dos afectados, faltem os tradutores e intérpretes portugueses, ou pelo menos se existem sejam brasileiros. Por se não o sabem diremos-lhe que o governo espanhol – ou os seus representantes – não dão início a reuniões se não estão nas cabinas os tradutores para a língua castelhana. São políticos bem diferentes mas que sempre as leva de perder a língua portuguesa, por culpa dos próprios portugueses. Ainda nos lembramos daquele ministro português que podendo – e devendo! – falar em português o fez em inglês. É urgentíssima a mudança de atitudes neste tema. Porque a língua portuguesa, ademais de formosa e de ser a nossa (com o que já abondaria), é a segunda língua românica mais importante do mundo depois do castelhano, a terceira mais importante da CEE, a língua oficial de sete países soberanos e cooficial com o castelhano na Galiza, além de ser falada em comunidades doutros continentes, nomeadamente Ásia e Oceânia. A utilização da língua própria pelos portugueses em todos os foros nacionais e estrangeiros é irrenunciável. O que não é incompatível com a defesa do conhecimento de outras línguas e do plurilinguismo que desde sempre tem defendido o povo português. A diferença da Espanha, em Portugal é normal que os intelectuais dominem, além da sua, outras línguas. Achamos que isso é bom e positivo, revelando uma maior cultura.

 

3º - Portugal, que teve o valor e a audácia de levar a nossa língua comum (a língua galaico-portuguesa) pelo mundo, deveria nesta altura deixar por um tempo de mirar-se a si mesmo de maneira narcisista e abrir-se outra vez – como no século XV – ao mundo. Nomeadamente, ao seu mundo, que não é outro que o mundo lusófono. O que faz necessário adoptar uma atitude mais aberta e mais generosa que até agora. Sem deixar de ser o pai (a mãe foi a Galiza), Portugal tem de estabelecer desde já laços estreitíssimos – mesmo marchando de mãos dadas no concerto mundial – com Brasil, com Angola, com Moçambique, com Cabo Verde, com Guiné-Bissau, com São Tomé, com Príncipe e com aqueles enclaves da Ásia e Oceânia – nomeadamente com o povo de Timor que tanto está a sofrer – onde ainda se conserva a nossa língua. Sem esquecer tão pouco, meus amigos, a Galiza que deverá ser incluída como mãe e berço da língua, por direito próprio na comunidade lusófona.

 

4º - Tudo quanto se paga pela aproximação cultural e linguística entre Portugal (nomeadamente o Norte) e a Galiza será sempre pouco. O desconhecimento mútuo é quase proverbial, embora cada dia se organizem mais encontros entre ambos os povos. O desconhecimento mantém de pé os preconceitos e estereótipos que uma e outra parte tem sobre um e outro povo. Que são tão negativos como irreais. Portugal tem que ver a Galiza como prolongação de si próprio. Por língua e cultura a Galiza é um troço de Portugal. Inclusive haveria que dizer que a Galiza é uma grande Olivença, para que de uma vez por todas os portugueses vejam a Galiza como uma região mais próxima a Portugal que a Espanha., à qual por razões históricas de infeliz recordo pertence. A Galiza sofreu cinco séculos de castelhanização – muitas vezes brutal – e ainda assim o povo (camponês e marinheiro) manteve ouro em o pano, em palavras de Castelão, a sua própria língua. Contra vento e maré. Contra persecuções sem conta. Contra proibições indignas as mais das vezes. Por isso a Galiza necessita de Portugal compreensão pelos seus problemas e mesmo apoio se houvesse hipótese.

 

Galiza necessita dos livros, das revistas, dos jornais, dos programas de TV, do cinema, do vídeo, etc., portugueses ou brasileiros. Galiza necessita ser conhecida a fundo pelos portugueses. Galiza necessita que se conte com ela para qualquer planificação cultural, linguística e mesmo económica de carácter lusófono. Galiza necessita ter mais, maiores e melhores comunicações com Portugal. Por terra, por mar, por ar, por telefone e pelos meios de comunicação. Não podemos continuar de costas viradas. Portugal deve saber também quem são os galegos que de verdade amam Portugal, pois infelizmente não são todos. Há muitos que de boca para fora dizem que querem a Portugal mas infelizmente só de boca para fora. Há muitos que por não amar a Galiza não amam Portugal ou vice-versa. E é necessário desmascará-los. Os portugueses devem começar por ter a consciência de que a Espanha não é, embora o pareça, una. As únicas comunidades comuns no Estado espanhol com Portugal são a “Olivença pequena” e a “Olivença Grande”, a Galiza.

 

Por razões culturais, linguísticas, históricas e mesmo pela forma de ver a vida e de pensar ou pela idiossincrasia dos dois povos: o galego é o português. Todos os galegos bons e generosos que houve no nosso mundo cultural amaram Portugal: Murguia, Rosália de Castro, Pondal, Curros, Vilar Ponte, Viqueira, Castelão, Risco, Cuevilhas, Lousada Diegues, Carrá, Otero Pedraio, Cabanilhas, Carvalho Calero, Jenaro Marinhas (este felizmente ainda vivo), etc. Existe no pensamento galego mais autêntico e europeísta uma linha de continuidade que passa pela unidade cultural e linguística de Galiza e Portugal. Também Portugal tem muito que aprender da Galiza, pelo que esta sofreu ao longo dos séculos. Com os novos meios não seria utópico pensar que Portugal terminasse por ser no futuro uma “Olivença imensa”. Preocupa muito aos galegos ver a alegria com que em Portugal, desde as administrações públicas – apoiam o levantamento de postes repetidores para ver a TV espanhola. Infelizmente tal alternativa não se corresponde em paralelo com o levantamento de postes repetidores para ver na Galiza a TV portuguesa. O mesmo exemplo valeria para a rádio, o livro, o vídeo, as revistas ou os jornais.

 

Amigos portugueses, lembrem-se que não se deve esquecer desde Portugal a Galiza, esse belo troço atlântico português de coração, mas não de amo.

 

5º - Para terminar seria necessário ver se existe, se é correct5a e coerente e se é suficiente a política levada a cabo no momento actual pela administração portuguesa para divulgar a língua e a cultura portuguesa no mundo e, nomeadamente, nos âmbitos da lusofonia e nas colónias de emigrantes portugueses na Europa e na América, ou mesmo na Oceânia. Conhecemos as dificuldades económicas pelas que nos últimos anos está a passar o Estado português, que na maioria das vezes tem de suplantar com imaginação. Mais, dentro destas dificuldades, o Governo Português não deveria “escatimar” esforços para divulgar a língua e a cultura portuguesas, para apoiar a divulgação da literatura e do livro português – para nós de um grande valor tanto na forma como no conteúdo e na variedade – para a apoiar a realização de programas de vídeo, cinema, rádio e TV conjuntos entre todos os países lusófonos, incluída a Galiza. Para realizar publicações conjuntas de jornais e revistas dentro do mundo lusófono. Para abrir nas cidades mais importantes, nomeadamente nos países lusófonos, incluída a Galiza, Institutos de Língua e Cultura Portuguesa (com professores e dinamizadores). Para mandar aos PALOP’s livros, revistas, materiais de ensino. Para evitar o que está a acontecer em Guiné-Bissau que pode levar a que este país abandone a nossa língua, trocando-a pela francesa. Para divulgar as artes plásticas, o teatro, o cinema, o artesanato, etc., por todo o mundo e especialmente o lusófono, incluída a Galiza. Organizando ciclos e circuitos itinerantes em esquecer as comunidades portuguesas de emigrantes e os Centros Portugueses espalhados por todo o mundo: na Europa, no Brasil, nos EUA, no Canadá, na Austrália e na África.

 

Como exemplo convém citar a última decisão do Governo espanhol de dedicar um bom punhado de dinheiro para criar nas cidades do mundo os chamados “Institutos Cervantes” para divulgação da língua castelhana. Portugal deveria apoiar-se para oferecer serviços culturais nas diferentes Embaixadas de Portugal em todo o mundo, ao estilo do que faz por exemplo a França e a Alemanha. E não deveria esquecer da possibilidade que existe de realizar convénios entre Centros Galegos e Centros Portugueses de emigrantes, verdadeiros aliados naturais, no que se poderiam levar em frente programas culturais conjuntos de cooperação. Tenho dito.

 

 

 

In “GALIZA PORTUGAL – UMA SÓ NAÇÃO”, ed. Nova Arrancada, Lisboa, Outubro de 1997

ERNESTO DA CAL


(Ferrol, 1911 ou 1915 - Estoril, 1995)

As traseiras da casa que eu habito dão para a Rua Prof. Ernesto da Cal.

Poucas pessoas sabem de quem se trata mas acontece que eu fui seu amigo e com ele privei, sobretudo na década de 80, aqui no Estoril.   Seguem alguns dados e lembranças sobre Da Cal.

Ernesto Da Cal nasceu no Ferrol, Galiza, em 1915. Era filho de um engenheiro da base naval. Quando eclodiu a Guerra Civil de Espanha, Da Cal cursava Humanidades na Universidade de Madrid.   Como todos os estudantes madrilenos dessa geração,   alistou-se para combater pela República.    Em Abril  de 1939, foi enviado aos EUA, numa missão relacionada com a compra de armamentos. Encontrava-se em Nova York quando o Governo republicano abandonou Espanha. Decidiu então varrer a Espanha do mapa e dedicar-se ao ensino nos EUA. Doutorou-se na Columbia University, com uma tese sobre Eça de Queiroz e seguiu a carreira universitária, regendo as cátedras de
Literatura Portuguesa na NY University e no City College de Nova York.    Ao reformar-se em 1975, instalou-se em Portugal – a sua "Galiza realizada" – onde viria a falecer em 1995.   No Outono de 1984, a meu insistente pedido, Da  Cal acedeu mostrar-me a sua Espanha. Foi a primeira vez que pisou território espanhol, após a vitória do Franco. O que se segue são apontamentos de conversas recolhidos durante essa viagem.   Tratar-se-ia de uma viagem ao passado, não fosse o caso de, como diria Da Cal, o factor tempo em Espanha ser inconsequente.

Fala Da Cal:

- "A memória é sempre uma recriação pessoal da História. Como tal, pressupõe arte. A memória é pois uma versão artística da História."

- "Eu tenho um conceito metahistórico que me permite ver que em Espanha nada de novo acontece. O conflito centro-periferia  é tão velho como as populações da Península. A resistência ao poder central,   seja nacional ou estrangeiro, seja imposto em nome do César ou de Cícero,   do Império ou de Deus, é sempre uma relação de forças e não de vontades.   A vontade persiste; não pode ser aniquilada."

- "Madrid do meu tempo era uma pequena cidade no meio de um deserto. Conhecíamo-nos todos. Até Primo de Rivera conviveu connosco, os estudantes. Era um príncipe, mas matava sem piedade. Foi ele quem iniciou a onda de atentados que viriam a  desestabilizar a República. O pai deste rei foi meu companheiro na turma do colégio".

- "Odiávamos Alfonso XIII, mas hoje reconheço que foi um grande espanhol. O patético da saída da família real espanhola acabou por me comover. Nunca perdoei ao Embaixador inglês não ter comparecido à despedida da Rainha Eugénia, tia do rei de Inglaterra."

- "Nós, os estudantes, defendemos Madrid para evitar  que Madrid caísse nas mãos dos "centralizadores". Queríamos Madrid pueblo e não Madrid capital.”

À chegada a Madrid,  no Outono de 1984:

- "Olha! Este era o caminho que levávamos para a guerra. Íamos ali adiante, ás Portas de Hierro, impedir o avanço dos  mouros. Eu era sargento das milícias. Tinha 19 homens sob o meu comando. Nenhum sabia nada de guerra. Nem eu. Os milicianos achavam que não é próprio do homem esconder-se ou agachar-se. Combatiam de peito aberto. Não escapou nenhum. Por essa encosta abaixo correu muito sangue. Só nos defendíamos. Nunca contra-atacávamos pois os anarquistas, que eram em maior número, votavam sempre contra qualquer proposta de contra-ataque. Os franquistas podiam sempre reagrupar as suas forças e lançá-las de novo contra nós. Eu escapei por milagre. Pouco antes do ataque franquista que trucidou o resto da minha gente, um estafeta veio-me chamar para comparecer no Comando Geral. Queriam-me em Barcelona, como tradutor, para ajudar as Brigadas Internacionais.   Em Barcelona, nada
havia para comer. Íamos para as docas esperar pelos bombardeamentos aéreos. Quando as bombas caíam na água, os peixes mortos saltavam para terra. Era a nossa única fonte de proteínas."

Ernesto Da Cal recita:


- "Y el Cid - lucero de hierro -

    por el cielo azul cabalga".

 

Em Granada,   de visita à catedral, Ernesto da Cal estava um pouco engripado mas lá ia acompanhando a corrente dos que visitavam o monumento. À saída, falando com um padre jesuíta, lamentou:

- Granada produziu Llorca, mas mataram-no.

O jesuíta: - Deram-lhe a glória. Llorca só é admirado porque o mataram.

Da Cal explode: - Não pode dizer uma cousa dessas!   

Quer tomar um pouco de rapé? - atalha o padre.

- Agradeço.

Ernesto aspira um pouco do pó e espirra.

- Alivia muito a cabeça – comenta o padre e acrescenta: “Se não posso salvar-lhe a alma, pelo menos livro-o da gripe”, Diderot.

 

 

“RIO DE SONHO E TEMPO”

Non toques a lembrança
branca frol de penuxen
que do sopro mais leve
se dispersa no ar

O calix que contén
o vinho do recordo
é cristal de saudade
e quebra só de olhar

Nunca voltes do eisilio
en procura de aromas
do remoto xardín dos anos idos
—o teu retorno os tornará perdidos
e xa máis nunca os poderás lembrar

Deixa a memoria livre
inventar a verdade
das cousas que pasaron—
sen pasar.

 

Estoril, Maio de 2007

 

Luís Soares de Oliveira

 

 

Notas do “A bem da Nação” extraídas da Internet:

 

1.      Guerra da Cal (pseudónimo de Ernesto Pérez Guerra, nacido en El Ferrol en 1911) fue uno de los más íntimos amigos gallegos de Federico García Lorca, colaborando estrechamente con el poeta andaluz - como co-autor a juicio de Gibson y García Posada - en los 'Seis Poemas Galegos'.

 

 

2.     ARQUIVO DA EMIGRACIÓN GALEGA

 

GUERRA DA CAL, Ernesto (Ernesto Laureano Pérez Guerra)

 

Países: Estados Unidos / Portugal

Delegação "americana" ao Congresso dos Descobrimentos Portugueses, Lisboa 1960 - Ernesto da Cal é o terceiro a contar da esquerda

 

(Ferrol, A Coruña, 22/12/1911 - Lisboa, 27/07/1994)

De rapaz e trala morte do pai, viviu varios anos en Quiroga. Despois vive e estudia en Madrid onde fai amizade con García Lorca, Américo Castro, Neruda, Buñuel e Serafín Ferro, frecuentando a tertulia do café "Regina". Durante a Guerra Civil colabora na revista "Nova Galiza" publicada en Barcelona e na que firma co seu verdadero nome, Ernesto Pérez Guerra. Tamén formou parte do Batallón de Milicias Populares Gallegas e combate na fronte de Toledo. Mais tarde fai tarefas especiais para a Sección Exterior do Servicio de Información Militar do Ministerio de Guerra, trasladándose de Barcelona a Nova York en misión oficial. Ó fin da guerra sorpréndeo nesa cidade e decide permanecer alí para seguir ampliando os seus estudios. En 1939 vai formar parte do corpo docente na Universidade de Nova York onde organiza un programa de doutoramento en portugués e doutórase na Columbia University coa tese "Lengua y estilo en Eça de Queiroz". Foi un destacado especialista en estudios portugueses e na lírica galega. Fixo traballos para enciclopedias importantes como a "Colliers Encyclopedia" (1949-1950), na "Encyclopedia of World Literature"(1946) ou na "The American Encyclopedia"(1967) . Tamén fixo importantes contribucións ó "Diccionário de Literatura Portuguesa, Galega e Brasileira" (Lisboa, 1955-57). En outubro de 1959 foi nomeado doutor "honoris causa" pola Universidade de Bahía (Brasil). Unha vez xubilado, no ano 1977, retírase a vivir en Estoril, Portugal, continuando nos últimos anos da súa vida defendendo a causa de Galicia e da súa lingua e cultura. Morre en Lisboa á idade de 82 anos

en xullo de 1994. Casou con Margarita Ucelay, exiliada española, docente de literatura española en Nova York.

Obra no exilio: "Lua de alén mar" (1959); "Poemas" (1961); "Río de sonho e tempo" (1963); "Motivos de Eu" (1966); "O renacemento galego contemporáneo" (1965); "Linguagem e estilo na obra de Eça de Queiroz" (1968); "Futuro inmemorial" (1985); "Deus, Tempo, Morte, Amore e outras Bagatelas" (1987); "Seis poemas de Rosalía de Castro" (1988); "Espelho Cego" (1990); Carta a Valentín Paz-Andrade (Estoril, 18 de marzo do 86) en: PORTELA YÁÑEZ, Charo e DÍAZ PARDO, Isaac (ed.) (1997a); "Caracol ao Pôr-do-sol" (1991)

 

Organizacións ás que pertenceu:

Batallón de Milicias Populares Gallegas

 

 

 

CRÓNICAS DA GALIZA

Galiza: paradoxos e projetos

 

 

A expressão A bem da nação,  lugar-comum universal,  contém um paradoxo. Ao dizermos "nação" apelamos a uma solidariedade interna. Porém, o nome em singular não é possível sem a existência do plural, de outras nações, e isto reclama uma fórmula para a coexistência, na procura da fraternidade universal. Portanto, a procura do bem da nossa nação equivale a reclamar o bem para todas as nações. A origem deste paradoxo tem de ser procurado na história da Europa, mais concretamente na história social do latim europeu, na substituição do uso da expressão nationes por natio em cada sociedade relacionada e identificada por uma mesma língua vernácula. São questões que não costumam ser estudadas e mereceriam alguma reflexão.

 

A relação entre as noções de povo, etnia, nação e língua tem sido objeto de múltiplos estudos históricos, sociológicos e políticos, variando conforme aos paradigmas e ideologias dominantes. Neste terreno o livro de Lluís V. Aracil Do latim às línguas nacionais (2004) ajuda a compreender a história das línguas europeias e a íntima relação entre esses conceitos, permitindo obter umas ideias básicas das origens e evolução cultural da Europa como um conjunto. Entendermos a história cultural da Europa ajuda a obter uma visão do mundo muito diferente de uma agregação de elementos nacionais isolados, autárquicos e confrontados numa espécie de corrida desesperada pela obtenção dos limitados recursos materiais do planeta.

 

Língua, nação, etnia e povo são elementos comuns dos discursos identitários. Os discursos nacionalistas assentes na identidade têm uma peculiaridade escassamente comentada: todos se parecem por algum dos seus lados e podem cumprir, ao mesmo tempo, papéis contraditórios. Pode observar-se desde a Revolução Francesa como, frequentemente, o mesmo discurso nacionalizador que numas populações tem um valor positivo de articulação comunitária provoca noutras desassossego, exclusão e divisão social, sendo percebido como opressor e desagregador da identidade, v.g., o caso da Espanha contra a Galiza. Para ilustrar o nosso caso exporei uns aspectos da situação do ensino do português da Galiza, comumente conhecido por galego.

 

No ensino primário ou secundário da Galiza, explicar determinadas noções linguísticas que pertencem à cultura geral de qualquer país normal pode tornar-se num facto heróico. Explicar aos alunos a diferença entre fala e escrita, ou entre a língua histórica e diversas variedades regionais em que se realiza, e tirar a lógica conclusão de o galego ser uma das formas da língua portuguesa – que não uma variedade regional do castelhano –, é uma conduta de risco que frequentemente tem originado um expediente disciplinário contra o professor desafecto à verdade oficial. Esta verdade é a ditada pelas normas castelhanizadoras para o galego, impostas em 1983 por decreto do governo do Partido Popular (na altura, Alianza Popular) de costas viradas ao Parlamento. Estas regras para a escrita são basicamente as do castelhano, o que converte o galego, contra toda a lógica e a linguística românica, numa espécie de patois afastado das suas origens e do português moderno como língua nacional e internacional de cultura. Na Galiza, contra toda a evidência de as falas populares serem uma variedade do português, foi imposta essa verdade linguística manipulada, como instrumento de castelhanização, por meio de uma política de controle e inspecção da administração educativa, e outros meios de coerção, sem defender verdadeiramente os direitos dos utentes. Assim, em duas décadas, o enorme investimento nesse galego com farda castelhana teve por resultado uma vertiginosa castelhanização da população, especialmente da juventude.

 

Contra esta injustiça desenvolvem uma incessante atividade diversas associações culturais lusófonas, cujas iniciativas têm, por vezes, eco na comunicação social portuguesa. É o caso da reportagem da RTP editada em 1 de Janeiro de 2006, sobre a Petição da Associação de Amizade Galiza-Portugal e o Movimento Defesa da Língua ao Parlamento Europeu «para que se abstenha de promover a segregação linguística das minorias nacionais e seja reafirmada a unidade da língua portuguesa». Pode descarregar-se ou ver-se o vídeo na página web Versão Original.

 

Quando num país a liberdade de cátedra, em matéria de língua, está limitada e vigiada pelas instituições políticas; quando as pessoas, professores e alunos, a título pessoal ou por meio de organizações culturais, são perseguidos academicamente e até nalgum caso policialmente; quando por razão de língua alguns dos melhores professores, escritores e investigadores são desprezados e excluídos sistematicamente nos concursos públicos; quando lhes é denegada qualquer ajuda económica que legalmente lhes pertence para actividades culturais; quando por razão de língua algumas pessoas perdem ou não conseguem aceder ao seu posto de trabalho, e quando reiteradamente a justiça não defende esses cidadãos ante tanta arbitrariedade e discriminação, esses factos assinalam a existência de uma ideologia política e um regime político opressores.

 

De qualquer modo, o caso da Espanha contra a Galiza, do castelhano contra o português galego, não é único nem singular. A geografia europeia, e não só, está cheia de casos semelhantes. Os movimentos nacionalistas parecem surgir em sucessivas ondas, ao sabor das circunstâncias mais ou menos favoráveis. A história da Europa oferece diversos modelos e processos, em que o factor linguístico costuma ser determinante. A última vaga nacionalista surgiu com a queda da União Soviética, com episódios dramáticos na região dos Balcãs. Na altura, os países que estavam mais preparados, antes ignorados pela comunidade internacional, conseguiram um lugar no concerto das nações. Naturalmente, uma nação não nasce de um dia para o outro. O reconhecimento internacional é uma tarefa continuada por gerações, e o seu resultado depende de várias circunstâncias, nomeadamente políticas. Recentemente o Canadá reconheceu a nação quebequense. Isso deveria servir de exemplo para outros estados.

 

Regressando ao nosso galego, deve reconhecer-se que a difícil situação da língua portuguesa na Galiza não é atribuível exclusivamente ao nacionalismo espanhol. As carências e incapacidades dos nacionalistas galegos contribuíram extraordinariamente ao agravamento do problema. Um deles reside na sua proverbial inabilidade para conceber o galego como uma língua a sério, e para organizar um programa eficaz e racional de normalização linguística.

 

Por exemplo, muito longe da mitificação que um nacionalismo galego de inspiração terceiro-mundista concede ao povo como protagonista fundamental da história e agente principal da construção nacional, a existência das nações costuma desenvolver-se e contar-se do ponto de vista das suas instituições, a sua função e continuidade histórica. As entidades de alto valor cultural são símbolos e instrumentos de solidariedade entre os nacionais, e o seu desenvolvimento define em grande medida a própria nação. Sem instituições nacionais -económicas, políticas, culturais - só há um povo sem futuro. A este problema de concepção acrescenta-se a moda na cultura política mais estendida entre os militantes partidaristas, de inspiração anti-sistema, consistente em negar qualquer auctoritas, dando a entender que o facto de haver autoridades numa determinada matéria representa uma negação da democracia e da liberdade de opinião. Noutros casos, os próprios dirigentes nacionalistas, em lugar de promoverem os notáveis galegos, apoiam-se em notáveis declaradamente espanhóis, pretendendo que estes se constituam em fiéis defensores da língua da Galiza.

 

A criação de instituições competentes em matéria de língua nunca foi realizada por consulta popular ou escrutínio, pois é decisão pertencente ao âmbito da política linguística. Neste sentido, o critério de algumas autoridades de reconhecido prestígio académico, relevância cultural e demonstrado sentido cívico, reunidas entorno a uma entidade prestigiada, de filiação privada ou pública continua a ter, como sempre teve na história da Europa, toda a legitimidade para representar e defender os interesses nacionais de qualquer país, mesmo da Galiza. Por outro lado, toda a importância que a comunicação social tem vindo a adquirir no século XX, e o seu peso no desenvolvimento da língua não nega nem substitui o necessário labor das instituições. Estas não são necessariamente conservadoras ou revolucionárias, de esquerda ou de direita. Simplesmente cumprem uma função na sociedade, lá onde existem.

 

A Galiza, como outras nações frustradas pela história, careceu nos últimos séculos de armas e barões assinalados. Felizmente, no plano cultural, as últimas décadas serviram para desenvolver um amplo movimento de marcado caráter lusófono que, apesar ter sido sistematicamente excluído e combatido pelos governos de Madrid e Santiago, foi capaz de produzir alguns escritores de primeira linha e publicado algumas obras dignas de atenção. É o caso dos saudosos Ernesto Guerra da Cal, Jenaro Marinhas ou Ricardo Carvalho e, entre os continuadores, Carlos Quiroga, António Gil ou Concha Rousia, entre outros.

 

Nesta linha, em Outubro de 2006, durante a realização do V Colóquio Anual da Lusofonia, o Professor Doutor Martinho Montero, escritor e catedrático da Universidade de Vigo, lançou a proposta de criação da Academia Galega da Língua Portuguesa, que recebeu apoios públicos de personalidades e associações, e algumas críticas locais. Montero, que é um dos históricos defensores da unificação linguística do galego com o português, junta ao seu incontestável prestígio intelectual o seu valor como pessoa de consenso no âmbito da lusofonia galega, situando-o na melhor posição para ocupar um papel relevante na Academia.

 

A instituição, que deveria trabalhar pela normalização linguística do português da Galiza, não poderá substituir nem contradizer o labor das associações culturais previamente existentes, de incidência regional ou nacional, que continuarão a desenvolver o tão necessário trabalho de dinamização cultural. A Academia está chamada a exercer um papel de representação da lusofonia galega em organismos como o Instituto Internacional da Língua Portuguesa. Uma academia moderna e dinâmica, livre da sumptuosidade e dos ritos iniciáticos tradicionais, mas não desprovida do necessário simbolismo, que tenha por valores fundamentais a investigação rigorosa, o fomento da unidade da língua, a inserção da Galiza na Lusofonia e a defesa dos direitos dos utentes, responde aos interesses da Galiza e constitui, nesta altura, uma prioridade nacional.

 

Santiago de Compostela, Maio de 2007

 

Ângelo Cristóvão

 

Secretário da Associação de Amizade Galiza-Portugal

 

VIVA GALIZA !!!

 

 

Foi a Internet que me deu a conhecer o Ângelo Cristóvão, galego com presença habitual nos “Encontros da Lusofonia” que o Chrys Chrystello anualmente organiza em Bragança.

 

Ainda não o conheço pessoalmente mas como tenciono estar presente no próximo Encontro, em Outubro de 2007, espero então conhecê-lo. O mesmo se diga relativamente ao anfitrião.

 

O Ângelo Cristóvão tem feito intervenções sobre a língua na Galiza, nomeadamente sobre o português galego que há quem teime em torpedear castelhanizando-o ao máximo por mera conveniência da política espanhola. 

 

Não creio que uma língua possa ser tratada de tal modo e parece-me que os actuais políticos espanhóis afinal nada aprenderam com a era franquista em que se espezinharam o catalão, o basco, o português da Galiza, etc. Os galegos têm tido um comportamento mais sereno que os bascos …

 

Foi essa serenidade que me levou a pedir ao Ângelo Cristóvão que nos explicasse em que situação se encontra actualmente a língua portuguesa na Galiza. Fi-lo como segue:

 

  • “ (…) Estou certo de que a questão da língua na Galiza vai motivar enorme interesse dos nossos leitores. Dado que estamos muito fora do assunto, seria interessante que Você nos explicasse do que se trata na perspectiva linguística como reflexo dos problemas políticos. (…)

 

A resposta não se fez esperar:

 

  • “ (…) Num artigo sobre a questão da língua da Galiza haveria muitos motivos para queixar-se da desigualdade legal entre o castelhano e o português da Galiza, da discriminação institucionalizada, etc. A mim interessa-me mais salientar os logros do que insistir nas lamentações, na mágoa. Certamente temos muitos problemas, mas começamos a fazer coisinhas interessantes. Há alguns contributos galegos cujo valor ultrapassa fronteiras, por exemplo, no terreno da literatura. Ora, o projecto mais importante para os próximos meses (e anos) é a criação da Academia Galega da Língua Portuguesa, e dela tratarei no meu texto. Sabe qual é o maior repto para mim ao escrever este artigo? Manter um discurso igualmente válido e interessante para galegos e portugueses, sem necessidade de explicações complementares. É difícil, porque o intelectual português em geral desconhece quase tudo da Galiza, enquanto na Galiza se regista um crescente interesse por Portugal e a Lusofonia em geral. Muitos vemos os telejornais da RTPI (através do satélite), lemos as notícias do jornal Público e o JN  (na Internet), e compramos montes de livros e revistas editados em Portugal. Na Galiza sabemos o que significou o mapa cor-de-rosa de Angola a Moçambique, que provocou o ultimatum inglês,  originando o que viria a ser hino nacional de Portugal. É curioso observar como aquele arranque de dignidade nacional, aquela agitação contra Inglaterra, tradicional aliado,  desembocou na criação da república. "Contra os Bretões, marchar, marchar". Depois foi mudado: "Contra os canhões...".

 

A expressão "A bem da nação",  lugar-comum em todo o planeta,  exprime um paradoxo e uma contradição: ao dizermos "nação" apelamos a uma solidariedade interna. Contudo, o nome em singular implica necessariamente a existência de outras nações, o que exige uma espécie de solidariedade universal. A origem desta contradição tem de ser procurada na história da Europa, mais concretamente na história social do latim europeu, na substituição da expressão  «nationes», pelo uso de «natio» em cada sociedade relacionada e identificada por uma mesma língua vernácula. São questões que não costumam ser explicadas nas aulas, e mereceriam alguma reflexão.

 

Bom, farei o artigo nos próximos dias, ou mesmo na Páscoa. (… )”

 

 

Aproveito para dizer que, no início do “A bem da Nação”, o conceito de Nação era efectivamente o dessa solidariedade interna mas que actualmente alarguei ao de “Nação Lusófona”, essa que só existirá se nós assim o decidirmos. Também comecei por tratar quase exclusivamente de temas económicos e de finanças públicas e, contudo, hoje já abordamos temas bem mais amplos. A linha editorial, essa, mantém-se incólume: identificação de problemas apontando soluções compatíveis com a democracia ocidental; debater ideias, referir factos para ilustração dessas ideias e nunca discutir pessoas, sobretudo se vivas.

 

Cá ficamos à espera da primeira “Crónica da Galiza”.

 

Lisboa, Março de 2007

 

Henrique Salles da Fonseca

 

 

 Bandeira da Galiza (modelo oficial)

HINO NACIONAL DA GALIZA

 Bandeira nacionalista galega

OS PINHEIROS

(por Eduardo Pondal)

 Eduardo Pondal (1835-1917)

Para interpretar melhor:
«Os rumorosos» são os pinheiros
«Arume harpado» são as folhas dos pinheiros
Breogão foi um líder celta que, vindo de Irlanda, desembarcou na Crunha (hoje Corunha) em tempos recuados, e representa a antiguidade, nobreza e liderança que era negada aos galegos. Lembremos as primeiras linhas de «Os Lusíadas»: «As armas e os Barões assinalados. ..»


Quê dim os rumorosos,
Na costa verdecente,
Ao raio transparente
Do plácido lüar...?
Quê dim as altas copas
De escuro arume harpado
C'o seu bem compassado
Monótono fungar...?

Do teu verdor cingido
E de benignos astros,
Confim dos verdes castros
E valeroso clã,
Não dês a esquecimento
Da injúria o rude encono;
Desperta do teu sono,
Fogar de Breogão.

Os bons e generosos
A nossa voz entendem,
E com arroubo atendem,
O nosso rouco som;
Mas sós os ignorantes,
E férridos e duros,
Imbecis e obcuros,
Não nos entendem, não.

Os tempos são chegados
Dos bardos das idades,
Que as vossas vacuidades
Cumprido fim terão;
Pois onde quer, gigante,
A nossa voz pregoa
A redenção da boa
Nação de Breogão

Teus filhos vagorosos,
Em que honor só late,
A intrépido combate
Dispondo o peito vão;
Sê por ti mesma, livre
De indigna servidume
E de oprobioso alcume
Região de Breogão.                          AQUI CESSA O HINO

                                                           A PARTIR DE AQUI . . .
À nobre Lusitânia
Os braços tende amigos,
Que os eidos vêm antigos,
Com um pungente afã;
E cumpre as vacuidades
Dos teus soantes pinhos,
Duns mágicos destinos,
Oh, grei de Breogão!

Amor da terra verde,
Da verde terra nossa,
Acende a raça briosa
De Ousinde e de Frojão;
E lá nos seus garridos
Justilhos, mal constreitos,
Os doces e alvos peitos
Das filhas de Breogão.

Que à nobre prole ensinem
Fortíssimos acentos,
Não os moles concentos
Que a virgens só bem `stão;
Mas os robustos ecos
Que, oh, pátria, bem recordas
Das sonorosas cordas
Das harpas de Breogão!

Estima não se alcança
C'um vil gemido brando,
Qual quem requer rogando
Com voz se esquecerão:
Mas c'um rumor gigante,
Sublime e parecido
Ao intrépido sonido
Das armas de Breogão!

[Galegos, sede fortes,
prontos a grandes feitos,
aparelhai os peitos
a glorïoso afã;
filhos dos nobres celtas,
fortes e peregrinos,
lutai pelos destinos
dos eidos de Breogão].

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