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A bem da Nação

IRREVERSÍVEL, PORQUÊ?

 (*)

Quase por acaso, a eventual alteração da lei que entre nós liberalizou o aborto foi abordada na recente campanha eleitoral. A uma hipotética e remota possibilidade de alteração dessa lei foi dada uma veemente resposta por muitos políticos: «podem tirar o cavalinho da chuva»; «a sociedade não volta para traz»; seria «um retrocesso civilizacional». Se os partidários da liberalização não pararam enquanto não convocaram um segundo referendo depois da derrota no primeiro, igual direito não é reconhecido aos adversários dessa liberalização quanto à eventual convocação de um terceiro referendo. Parece, assim, que estamos no domínio do intocável e do
irreversível.

Esta ideia de uma inexorável lei histórica choca, porém, com os princípios que regem as democracias e as sociedades abertas, onde, como também foi a propósito salientado, temas como este não podem ser “tabu”. «O futuro está aberto» - salientava Karl Popper quando contrapunha esses princípios à visão marxista de uma história fechada e pré-determinada.

E essa suposta irreversibilidade também não é confirmada pela história recente. A Polónia tem hoje, e na sequência da queda do regime comunista, uma legislação que restringe acentuadamente o aborto, com reflexos efectivos na sua prática, depois de ter conhecido uma experiência de verdadeira banalização. A opinião pública dos Estados Unidos – confirmam-no os mais recentes estudos – aceita cada vez menos o status quo da liberalização do aborto - de que esse país foi pioneiro desde o longínquo ano de 1973 - e a tendência pró-vida é aí hoje quase maioritária. Por estes dias, discute-se na Rússia uma alteração legislativa, com motivações de ordem ética e demográfica, tendente à restrição do aborto (designadamente o fim do seu financiamento público), cuja prática chega actualmente aos 74 por cada 100 nascimentos.

Quanto ao “retrocesso civilizacional”, uma ideia não deixa de me vir à mente.

No Império Romano, os primeiros cristãos distinguiam-se do comum das pessoas por não aderirem a uma prática então generalizada: a morte ou abandono de crianças recém-nascidas e não desejadas. Assim o afirma a célebre Carta a Dioneto, que traça um retrato desse
grupo. Ilustres filósofos gregos e latinos aceitaram essa prática sem remorsos. Se hoje ela nos choca, devemo-lo às raízes judaico-cristãs da nossa cultura. Na tutela da vida, em especial das crianças, dos deficientes, dos mais débeis e indefesos, identificamos um sinal de autêntico progresso civilizacional. Progressos civilizacionais, encontramo-los no cada vez menos frequente recurso à pena de morte, ou à guerra como forma de resolução dos conflitos. É a cada vez mais acentuada tutela da vida humana que pode representar um progresso
civilizacional. Não certamente o contrário.

Assistimos hoje, porém, ao requestionar da ilicitude moral do infanticídio. Influentes filósofos como Peter Singer e Michael Tooley defendem a licitude dessa prática. A razão fundamental tem a ver com a “desumanização” da criança recém-nascida a partir de argumentos que também serviram para “desumanizar” o feto e assim legitimar o aborto; se o feto não é pessoa, também não o é a criança recém-nascida; se o feto deficiente não tem direito à vida, também não o terá a criança recém-nascida com uma deficiência que só então possa ser detectada. Afinal, o que distingue substancialmente um ser humano pouco antes ou pouco depois de nascer?

Não será certamente este um “progresso civilizacional”. Regressamos a visões pré-cristãs que se pensariam superadas, além do mais porque também contrárias a qualquer visão humanista.

Para muitos, e por isto mesmo, a liberalização do aborto nunca poderá ser vista como “progresso civilizacional”. Têm, pelo menos, o direito de ser ouvidos e considerados, e não marginalizados como “ultra-conservadores “ ou “ultra minoritários”.

 Pedro Vaz Patto

In “Voz da Verdade”, 3 de Julho de 2011

(*) http://www.google.pt/imgres?q=maternidade&um=1&hl=pt-PT&sa=N&biw=1024&bih=735&tbm=isch&tbnid=tfsUA4zDMbgdgM:&imgrefurl=http://retalhosdamemoria.blogspot.com/2010/12/maternidade.html&docid=0aMSGi6ax-gryM&imgurl=https://1.bp.blogspot.com/_-CwKi7ApkYc/TQlOyhcqp5I/AAAAAAAAJHY/PYsLBU4X3Og/s400/Maternidade%25252B-%25252BLu%25252BLacerda%25252B2007.jpg&w=400&h=300&ei=sft_T-uOONPB8QPFw7SwBg&zoom=1&iact=hc&vpx=594&vpy=151&dur=581&hovh=194&hovw=259&tx=140&ty=105&sig=109573699884915906692&page=1&tbnh=164&tbnw=220&start=0&ndsp=14&ved=1t:429,r:8,s:0,i:109

DESABAFO



Alguns anos depois de ter nascido, o meu pai conheceu um estranho, recém-chegado à nossa pequena cidade.

Desde o princípio, o meu pai ficou fascinado com este encantador personagem e em seguida convidou-o a viver connosco.

O estranho aceitou e desde então tem estado sempre lá em casa.

Enquanto eu crescia, nunca perguntei sobre o seu lugar na minha família; na minha mente jovem já tinha um lugar muito especial.

Os meus pais passaram a ser instrutores complementares: a minha mãe ensinou-me o que era bom e o que era mau e o meu pai ensinou-me a obedecer.

Mas o estranho era o nosso narrador.

Mantinha-nos enfeitiçados por horas com aventuras, mistérios e comédias.

Ele tinha sempre respostas para qualquer coisa que quiséssemos saber de política, história ou ciência.

Conhecia tudo do passado, do presente e até podia predizer o futuro!

Levou a minha família ao primeiro jogo de futebol.

Fazia-me rir e chorar.

O estranho nunca parava de falar, mas o meu pai não se importava.

Às vezes, a minha mãe levantava-se cedo e calada, enquanto nós ficávamos a escutar o que ele tinha para nos dizer, mas só ela ia à cozinha para ter paz e tranquilidade. (Agora, passados todos estes anos, pergunto-me se ela teria alguma vez rezado para que o estranho se fosse embora).

O meu pai dirigia o nosso lar com certas convicções morais, mas o estranho nunca se sentia obrigado a honrá-las.

As blasfémias e os palavrões, por exemplo, não eram permitidos em nossa casa. Nem por nós, nem pelos nossos amigos ou de qualquer um que nos visitasse. Entretanto, o nosso visitante de longo prazo usava sem problemas uma linguagem imprópria que às vezes queimava os meus ouvidos e que fazia o meu pai retorcer-se e a minha mãe ruborizar.

O meu pai nunca nos permitiu beber álcool mas o estranho animou-nos a tentá-lo e mesmo a fazê-lo com regularidade.

Fez com que o cigarro parecesse fresco e inofensivo e que os charutos e os cachimbos fossem distinguidos. Falava livremente (talvez demasiado) sobre sexo. Os seus comentários eram às vezes evidentes, outras vezes sugestivos e geralmente vergonhosos.

Agora sei que os meus conceitos sobre relações foram influenciados fortemente durante a minha adolescência por esse estranho.

Repetidas vezes o criticaram, mas ele nunca fez caso aos valores dos meus pais, mesmo assim, permaneceu la em casa.

Passaram-se mais de cinquenta anos desde que o estranho chegou. Desde então mudou muito; já não é tão fascinante como era de princípio. Não obstante, se hoje você pudesse entrar na casa dos meus pais, ainda o encontraria sentado no seu canto, esperando que alguém escutasse as suas conversas ou dedicar o seu tempo livre a fazer-lhe companhia...

Seu nome? Nós chamamos-lhe Televisor.

 

Nota final:

Agora, adulto, tenho uma esposa que se chama Computador e um filho que se chama Telemóvel

  

Recebido por e-mail; Autor não identificado

VALEU A PENA?

 (*)

 

Viver em um país democrático, em franco processo de desenvolvimento industrial e tecnológico, é poder fazer escolhas. É aceitar ou não mudanças que a modernidade cobra. Se o progresso material traz benefícios, traz também poluição e perda na maneira simples e saudável de viver o quotidiano. Ter um pouco de cada talvez fosse a medida certa para se obter uma boa qualidade de vida.

 

A esperança utópica da felicidade e da imortalidade acompanha o homem desde a sua milenar existência. Ele ousa, revoluciona, descobre, experimenta, emprega toda a sua potencialidade intelectual, física e imaginativa, na busca da realização de seus objectivos e sonhos.

 

Nos tempos recentes, as conquistas da revolução industrial e tecnológica trouxeram para os países industrializados, mais desenvolvidos, conforto, facilidade de obter alimento e perspectiva de vida longa. O preço foi a destruição da maior parte dos seus recursos naturais e a poluição do meio-ambiente. A população cresceu e envelheceu. Hoje a juventude produtiva, paga caro para manter os benefícios dessas conquistas.

 

No planeta somos 7 biliões de seres disputando, desigualmente, espaço e alimento. Pagamos todos, igualmente, o custo ambiental do desenvolvimento de alguns. A medicina moderna aumentou a expectativa de vida e diminuiu o sofrimento físico. Se raramente morremos de infecções ou de ataques cardíacos, em contrapartida morremos mais tardiamente de doenças consuntivas e degenerativas da velhice, com todas as suas consequências. Será que valeu a pena?

 

Para aqueles que ainda têm na memória a experiência de uma época vivida, mais pura e saudável em termos afectivos e sociais, onde nem tudo era difícil, em termos de conquistas materiais, talvez a resposta seja um dilema. Para o jovem que não tem parâmetros de comparação ou para aqueles que tiveram um passado de vicissitudes será mais fácil dizer que hoje a vida é melhor, sem dúvida.

 

A natureza, no entanto, para subsistir está sempre à procura do equilíbrio. Morte e vida fazem parte um ciclo que mantém a sua existência. As mudanças evolutivas que os milénios anteriores trouxeram vieram de forma gradual e selectiva, dando tempo para que as adaptações necessárias ocorressem. Hoje, as enxurradas de novidades e acontecimentos que chegam todos os dias, tudo muda rapidamente. Será bom para o nosso corpo, será bom para a nossa mente?

 

Todo o conhecimento científico é provisório, até que surja outro, à luz de novas descobertas. Testar possibilidades, aprender com as experiências é vocação humana. Agir com inteligência e sabedoria é viver melhor o seu tempo. Para celebrar a vida e ser feliz cada um e cada povo têm a receita específica, baseada nos seus valores e cultura. E o futuro vai depender da maneira como a humanidade utilizará os conhecimentos aprendidos.

 

 Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 17 de Julho de 2011

 

(*)http://www.google.pt/imgres?imgurl=https://1.bp.blogspot.com/_pSiCXKtmoS8/RsSSbk_1vTI/AAAAAAAAAAc/-b6vDIE2wFE/s320/faage001.jpg&imgrefurl=http://arcadismo3c.blogspot.com/&usg=___tTroNopzKUUNHtG_4MNwVJEXpM=&h=207&w=300&sz=15&hl=pt-PT&start=0&sig2=NKXZQq7Nmlv-9pd8SDXUyg&zoom=1&tbnid=7v7JBk4S4JSIfM:&tbnh=120&tbnw=156&ei=gTYlTpnWFsuo8QOo9InmCg&prev=/search%3Fq%3Dbucolismo%26um%3D1%26hl%3Dpt-PT%26sa%3DN%26biw%3D1093%26bih%3D538%26tbm%3Disch&um=1&itbs=1&iact=hc&vpx=640&vpy=97&dur=5900&hovh=165&hovw=240&tx=160&ty=113&page=1&ndsp=15&ved=1t:429,r:3,s:0&biw=1093&bih=538

O FUTURO, O QUE SERÁ?

 

Foto: Arquivo particular de Maria Eduarda Fagundes

 

"Le monde bouge, ma très chère amie," dizia minha saudosa amiga e professora Soeur Marie Rose, ao ver os abusos que o homem faz com a sua terrena morada. Além dos incontroláveis desastres que assolam periodicamente a Terra, como o terramoto e o devastador tsunami que atingiram nesta sexta-feira ultima (11/03/2011) os japoneses, o homem na sua infindável e desproporcional ambição de domínio, destrói sem dó e escrutínio, o que de maior riqueza o planeta lhe dá: a maravilhosa e inigualável natureza, lar de todos nós.

 

Na busca pelo poder e grandeza, constrói-se armas e usinas nucleares, represas gigantescas, maravilhas arquitectónicas pelos antigos inimagináveis. Na desculpa esfarrapada dos políticos que dizem que é preciso combater a pobreza, florestas são devastadas, rios são desviados, cidades inteiras de repente são levantadas sem respeito ao meio ambiente. No consumismo desenfreado que o ilusório progresso traz, espalham lixo por todos os lados, na atmosfera, no solo, nos rios e mares. É o omnipresente plástico, as matérias e materiais radioactivos, os venenos químicos, os resíduos, uma infindável lista de substancias e gases que poluem e sujam o mundo em que vivemos.

 

Caso ainda estivesse viva, a freirinha de Albi veria com tristeza o vaticínio das suas eloquentes palavras se confirmar a todo o momento. Estamos morrendo aos poucos, num processo de auto-suicídio colectivo e insidioso que provocamos e, violentamente, quando a natureza cobra o seu soldo. Talvez, quem sabe, se não mudarmos a tempo de caminho, se não ensinarmos as crianças a amarem as plantas, os animais, a valorizar o que é verdadeiramente importante, o homem e a sua milenar herança, a terra, felizes sejam os que já se foram, porque não precisam mais temer o que trará o futuro.

 

Maria Eduarda Fagundes

 

Uberaba, 13 de Março de 2011

ILUSÕES DA VIDA

 

 

Quem passou pela vida em branca nuvem

E em plácido repouso adormeceu;

Quem não sentiu o frio da desgraça,

Quem passou pela vida e não sofreu;

Foi espectro de homem, não foi homem,

Só passou pela vida, não viveu.

 

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Francisco Otaviano

 

Da Wikipédia: Francisco Otaviano de Almeida Rosa (Rio de Janeiro, 26 de Junho de 1825 — Rio de Janeiro, 28 de Junho de 1889) foi um advogado, jornalista, diplomata, político e poeta brasileiro

AS FASES DA VIDA

 

Foto: Arquivo particular

 

Dizem os psicólogos e filósofos que viver o seu tempo implica em adequar comportamentos às diferentes necessidades de cada etapa da vida. Viver a vida é aprender a lidar com perdas e ganhos, é fazer escolhas, seguir caminhos, é entender e aceitar as mudanças que marcam o nosso destino, quando não há mais volta.

 

Para a criança o passado é quase inexistente, foi ontem, ainda não deixou marcas suficientes para construir uma história. O presente se faz de uma maneira intensa, marcante, onde a cognição dá à criança aquele ar puro, abstracto, inocente, de quem olha o mundo pela primeira vez. O futuro é um largo e dilatado horizonte, onde não se vê o fim, só inúmeras possibilidades fantasiosas.

 

É na infância que percebemos e aprendemos a ver o que nos cerca, a conhecer pessoas e objectos de maneira clara, sem preconceito de qualquer espécie, de uma forma natural e intuitiva, livres de pensamentos volitivos. É nessa fase da vida que o cérebro procura incessantes novidades para se alimentar e desenvolver, para armazenar imagens e sensações na memória. No futuro isso lhe dará a consciência, a básica cosmo-visão, a compreensão que, junto à educação e à genética, a fará um adulto lúcido ou toleirão, um bom ou mau cidadão. Nos lares normais e estruturados é na meninice que se é mais feliz. O mundo infantil se resume a quadros familiares, teatrais restritos, repetitivos, exclusivos, onde a criança vive harmoniosamente protegida e suprida nas suas elementares necessidades.

 

Os anos passam, a criança cresce e se transforma num jovem em busca de identidade própria. Tem anseios e desejos, sonha, tem ilusões. É a idade das inquietações, quando se espera tudo do mundo, principalmente a felicidade. É o tempo das revoltas ao ver as injustiças, é quando se quer mudar o mundo, acusando-o da pobreza material e da vacuidade da sociedade. É nesse tempo que se entende que para se conseguir o que se quer é preciso abdicar de algo, fazer sacrifícios, lutar. É na juventude que se aprende que realizar sonhos tem um preço. É nessa época de vigor, de escolhas ainda não sedimentadas, de tentativas, de erros e acertos, que o futuro é possível.

 

À medida que se aproxima a maturidade pouco a pouco se fecham portas, diminuem as opções de vida, as alternativas profissionais. Não se decidindo, o homem acaba sendo levado pelas oportunidades ou pelas necessidades. Aos 40 anos está completo. É um profissional, tem uma posição social e responsabilidades familiares. É a fase das realizações, das conquistas, das vaidades. Mas também é a época das perdas, dos lutos, dos arrependimentos, das frustrações, quando a vida não lhe traz o que gostaria. Mudar de comportamento, de vivências, é cada vez mais difícil. A vida fica menos flexível, as oportunidades são menores, o campo de actividades mais restrito. Porém, se as energias vitais ainda são suficientes e se ainda tem “ fichas para gastar”, com ajuda do psicólogo, pode recomeçar.

 

O homem ao chegar a velhice está mais ilustrado, tem mais a oferecer que para receber da sociedade. Sabe quem é. Liberto das paixões, das tolas vaidades, não precisa disputar mais nada. Sabe que tudo um dia acaba. A vitalidade física cai, perde as ilusões, a memória apaga as más recordações, retém os bons momentos, como flashes. Fica o conhecimento abstracto subentendido na infância, conceitos e valores pessoais, visão do passado. A vida urge, encurta porque a memória do tempo rotineiro vivido aos poucos se esfumaça. O velho vivencia o que acumulou de conhecimento em si mesmo. Faz o que pode e depois esquece.... É a memória falhando. O que lhe importa ao final de seus dias é a segurança material, o carinho da família, o bem estar. À consumação das energias vitais, quando expira o seu tempo existencial, a morte natural passa a ser leve, até desejada como o descanso final.

 

Uberaba, 01/04/10

 

 Maria Eduarda Fagundes

O CENTRO DO MUNDO – 2

 

 

Apesar do Humanismo e do Iluminismo, e até da Loucura, terem procurado colocar o Homem como o Centro do Mundo, alguma coisa saiu errada.

 

Buda disse que “a vitória gera ódio, pois o vencido é infeliz” e “nunca no mundo ódio acaba através de ódio. Ódio acaba através do amor”.

 

sto faz lembrar as loucuras de Hitler, as vinganças de Stalin, a estupidez de Bush, e outros “simpáticos” odientos.

 

Mais tarde Kung-Fu-tsé indicou algumas normas de vida, como “o que não queres que te façam, não faças a nenhum outro”. Jesus de Nazaré transformou esta norma em ação: “Faz aos outros o que gostarias que te fizessem”.

 

Chegamos ao “Bill of Rights” da Virgínia, base da tão aplaudida Constituição Americana: “Todos os homens são, por natureza, igualmente livres e independentes” e termina com esta sentença maravilhosa: “Cada um tem a obrigação de praticar o perdão, o amor e a caridade, um para com o outro”. Mas mantiveram a escravatura, a segregação, o ódio racial, a agressão gratuita, até hoje. E onde ficou a “Liberté, Fraternité, Egalité?”

 

Insistindo no valor do Homem vem a seguir a Declaração dos Direitos do Homem e repete que “os homens nascem livres e de direitos iguais e assim se conservarão”, que a Declaração Geral, da ONU volta a repetir. Mas onde está essa igualdade tão proclamada e teoricamente (só teoricamente) defendida desde a Magna Carta?

 

Que evolução teve o homem, para primeiro, ter necessidade de afirmar e reafirmar que todos são iguais, que nascem iguais, etc., e depois assistir todos os dias, desde sempre à grande maioria olhar para o outro simplesmente como um degrau para subir? Pisar na cabeça do outro, esmagar o outro, espoliar o outro, tirar-lhe tudo quanto for possível, para “meu” enriquecimento individual!

 

Promover guerras para vender armas, estrangular o mais fraco para lhe extorquir os últimos centavos, será este o Homem que todos os pensadores e legisladores tinham em mente?

 

De 24 a 26 do corrente haverá em Genève o 4° Congresso Mundial sobre a Abolição da Pena de Morte! Que hipocrisia leva estes pseudo congressistas a discutir um tema quando os mais fortes fazem o que querem, matam, dizimam sem qualquer julgamento, sem possivelmente consciência de culpa, além de criminosos, os opositores e milhares de civis e jovens militares que são obrigados a cumprir o seu dever “pela pátria”!

 

Vai adiantar alguma coisa condenar a China ou o Irão porque ainda têm pena de morte? E os Estados dos EUA que continuam com ela, de forma absolutamente aviltante que é condenar um indivíduo e depois fazê-lo esperar, por vezes mais de dez anos para ser executado?

 

Estes e outros congressos nada mais são do que um altíssimo negócio, e é aqui, também, que o Centro do Mundo aparece em toda a sua plenitude e verdade: o dinheiro. Congresso é negócio.

 

O dinheiro, a ganância, a ferocidade nas operações de bolsa e comerciais, a violência da China em querer dominar o mundo – e pouco falta – têm em mente o valor do Homem? Não. Tem unicamente como objectivo o brutal enriquecimento de alguns, a manutenção do poder de outros, a palavra de vida e de morte sobre mais outros, como essa Pena de Morte ou a declaração de guerras.

 

Não. O Centro do Mundo, por muito que façam declarações universais ou parciais, que se façam congressos, se insista com a ONU, o Centro do Mundo não é o Homem. É a ganância, o dinheiro, o poder.

 

A única igreja que, finalmente, parece dirigir-se para os pobres é a de Roma, mas está a custar-lhe adaptar-se aos tempos actuais, e vai perdendo vocações, fiéis e seguidores.

 

Em certa altura da minha resolvi arranjar uma propriedade agrícola, na montanha, onde pus umas dezenas de ovelhas. Tinha uma cadela, guarda, maravilhosa, que me seguia por todo o lado e se atirava a tudo que percebesse que eu não gostava.

 

Um dia o rebanho de cabras invadiu uma pequena plantação de feijão, que despontava cheio de esperança, e comeu aquilo quase tudo. Quando eu as vi a devorar o “meu” feijão zanguei-me, gritei para correr com as ovelhas e a cadela, “Uanga”, foi-lhes em cima e mordeu a perna de uma delas. Chamei-a logo, porque afinal ela era a guarda do rebanho, e fui ver a perna da ovelha mordida. Não tinha nada, nem sequer arranhou. Mas a ovelha começou a definhar e ao fim de uma semana, aparentemente sem nada, morria.

 

Aquilo fez-me muita confusão, e ouvi de velhos agricultores que as ovelhas eram, psicologicamente, muito sensíveis; quando agredidas ou mal tratadas morriam “de tristeza”! Sempre fiquei com isso na cabeça, até que um dia se fez luz; e está nos Evangelhos!

 

As ovelhas são os animais mais dóceis que existem. Os mais humildes.

 

Jesus expulsou os vendilhões, os comerciantes, e os fariseus, os pseudo-sábios. Disse-nos para olharmos os lírios dos campos e os passarinhos, que o Pai os vestia. Mandou que apascentássemos as “suas ovelhas”, o povo simples. Ele mesmo se intitulou o “Cordeiro de Deus”, o último, o mais humilde, e por isso mesmo o Primeiro.

 

Meditando nisto chega-se ao Génesis quando Deus ao criar o mundo proibiu o Adão de comer o fruto da árvore da sabedoria, porque sabia que esta poderia envenenar a felicidade, e por desobediência, ganancioso, foi expulso do Paraíso.

 

Afinal o que tudo isto nos quer dizer: “Sede simples”. Bem aventurados os simples... os que não almejam a impor-se aos outros, os que vivem em comunhão com a natureza, os que respeitam e amam o Outro, qualquer que ele seja, que defendem os fracos e para quem o dinheiro, infelizmente um bem hoje indispensável, não ultrapasse o suficiente para se viver.

 

Se isto assim pudesse ser, voltaríamos com o Homem para o Centro do Mundo.

 

Assim como está, não.

 

Rio de Janeiro, 23 de Fevereiro de 2010

 

 Francisco Gomes de Amorim

O CENTRO DO MUNDO - 1

 

 

Tempos houve quando para os "ocidentais" outras terras e povos eram desconhecidos, o seu mundo, pequenino, centrava-se à volta dum pequeno mar, que por essa razão era conhecido como "Medium Terram", o Mediterrâneo.

 

Foi à volta deste mar que se desenvolveu o conhecimento ocidental, vindo do Egito e da Mesopotâmia, depois da Grécia, tendo a seguir se alastrado pelas orlas deste mar.

 

Os homens viviam com a crença que todos os males e eventuais bens que lhes chegavam eram dádivas de Deus, dum Deus qualquer, e todos os governantes não só lhe rendiam homenagens e templos, como não permitiam que alguém duvidasse das suas características divinas.

 

Esse "governo da divindade" um dia estabeleceu-se em Roma, e mesmo com a destruição do Império Romano os religiosos cristãos conseguiram segurar um pouco do conhecimento antigo, infelizmente não permitindo a sua divulgação e, pior ainda, da discussão dos princípios de que tudo seria ou não obra de Deus. Um dia surgiu um gênio que decidiu pôr em causa a sacralidade de muitos "fenômenos", estudou e pintou o homem nos seus mais ínfimos detalhes, dissecou cadáveres de crianças e adultos, gordos e magros, para procurar entender como funcionava o corpo humano que ele tanto admirava.

 

Os detalhes a que desceu foram de tal forma minuciosos que ainda hoje a anatomia lhe deve desenhos e descobertas maravilhosas, e há até quem lhe chame gay pela beleza e detalhes das suas pinturas. Leonardo da Vinci.

 

Até Freud e sua psicose de que tudo estava subjugado ao sexo, interpretou um sonho de Leonardo com um abutre, afirmando que Leonardo da Vinci havia sido um homossexual latente!

 

Tu quoque, Freud?

 

Contemporâneo deste gênio, outra figura ímpar que se apercebe que os homens não recebem o mando das mãos de Deus, e que só alguns conseguem impor-se e governar. "O Príncipe" que serviu e serve de bíblia para todos os governantes do mundo, até hoje. Ensina-lhes como governar pela força, a tirania, desprezando a justiça e humanidade. Afirma que um homem bom se por acaso chega ao poder, e se aí se quer manter, vira um homem mau, enquanto um mau, mesmo que alcance o mando, jamais será um homem bom. Ensina ainda que a grande arte de governar é fazer o menos possível e representar o máximo perante o público, com ostentação, porque o povo não quer no topo um homem modesto, humilde e fraco.

 

Ainda hoje, por todo o mundo vimos que é o Império de Maquiavel que manda e sobretudo desmanda, raros, se algum há, a lutar pelo bem estar da sociedade. As forças do mal são muito mais fortes que as do bem...

 

Parecem de Maquiavel as seguintes palavras mas foram proferidas meio século antes por Aeneas Silvio Poccolomini, mais tarde Pio II (1458-64), "um 'príncipe' que não sabe ler as lições da história, é uma presa irremediável da lisonja e da integridade"!

 

Em contraponto ao despotismo, ao "príncipe do mal" aparece um sonhador, um "babaca" como eu, com a errada idéia de que "o amor ao próximo" é que resolve os problemas do mundo, e que essa maravilha se viveria "em lugar nenhum do mundo": em Utopia! Quinze séculos antes já Alguém nos havia prometido o Reino dos Céus, desde que amássemos o próximo como a nós mesmos. Este foi logo cruxificado e o utópico Thomas More, do mesmo modo, e por benevolente "consideração do rei" foi simplesmente decapitado!

 

Aparece "A Loucura"; ela nos diz tudo aquilo que normalmente já deveríamos saber e na maioria das vezes "disfarçamos"! Que os príncipes parecem infelizes mesmo com toda a exibição de esplendor, por nunca ouvirem a verdade, como os que subornam a lisonja de um orador para ouvir louvores, puras mentiras. Como diz o provérbio "Se ninguém te louva, louva-te a ti próprio"!

 

As pessoas ouvem com prazer maior o que não entendem, pois a sua vaidade está nisso interessada. E continua a Loucura a mostrar-nos que a ignorância e a irreflexão fazem esquecer as misérias e dão a esperança de alcançar a felicidade. A estes a vida deixa de lhes ser aborrecida, como aos velhos que atingiram idades avançadas e perderam todos os traços humanos,  balbuciando, dizendo disparates, calvos, desdentados, sujos, curvados, tudo fazendo para rejuvenescer, pintando o cabelo, usando peruca ou dentaduras postiças, por vezes de dentes de porcos. Outras vezes apaixonando-se por menininhas e por elas fazendo maiores loucuras que um jovem, sabendo que essas garotas serão as mulheres de outros.

 

Ou ver as velhas que repetem que "A vida é bela". Mulheres quentes que farejam o bode, que se pintam incessantemente, estão sempre em frente do espelho, depilam as partes secretas, estendem as mamas flácidas, e solicitam com gritinhos o desejo dos seus amantes e por algumas moedas seduzem jovens.

 

Que aqueles que as acham ridículas pensem se não valerá mais deixar correr a vida nessa loucura do que procurar lenha para a forca!

 

É verdade que não lhes importa a desonra que a sua conduta lhes traz aos olhos dos outros; não a sentem ou não lhes dão atenção. A vergonha, o opróbio, a infâmia, o insulto, só são males quando se sentem.

 

E assim a Loucura, a deusa, coloca o homem acima da ciência e do jugo do mundo. O homem, e a mulher, são o Centro do Mundo.

 

Com esta idéia um homem, nascido humilde, mas gênio indomável, fogoso, insurge-se contra a vergonha da vida do papado, vida de ostentação e despesa nessa altura com Leão X que decide mandar vender pela Europa indulgências para angariar dinheiro para a Basílica de São Pedro! Lutero nega-se a cumprir as instruções de Roma e faz nascer o grande movimento da Reforma da Igreja, de que tão necessitada estava.

 

E se já em causa estava a tal sacralidade dos reis e chefes, e do próprio papado pela vida dissoluta em que vivia e se exibia, os pensadores viraram-se para o intrínseco valor do homem e para as ciências.

 

Calvino teólogo e revoltado, trocou a ordem que parecia natural. Impôs a sua opinião em estilo maquiavélico e medieval, e valorizou o dinheiro face ao homem. Nascia o capitalismo.

 

Adam Smith vem novamente dar valor ao homem e sobretudo ao seu trabalho, através do qual se deviam quantificar os valores das mercadorias. A mão de obra era abundante, e o capital mandava. Foi preciso aparecer um escocês também de humilde origem para dar valor ao ser humano, procurando resolver os seus problemas através de associações, de cooperativas, quase um tipo do "amai-vos uns aos outros", ou quando muito respeitai-vos e amparai-vos, e ninguém quis seguir o exemplo de Robert Owen!

 

Mas falava cada vez mais alto o capital, a exploração, as manobras financeiras, a mentira, e ninguém parece amar-se mais.

 

A Loucura do Amor não tem lugar num mundo atômico em que se gasta mais em equipamentos de matar do que em alimentos.

 

De repente olha para o Haiti porque parece mal ficar de fora, mas logo será abandonará à sua incapacidade e miséria.

 

Foi no "Medium Terram" que tudo para nós, ocidentais, começou. Só em Utopia poderia ter sido melhor. Com homens, não. Os homens não têm solução. É com se este mundo fosse o inferno de outro planeta! Aldous Huxley disse-o claramente.

 

Acabei de ver um filme comovente: "Hachiko - a Dog's Story" estrelado por um cão Akita e Richard Gere. Que maravilha a amizade do cão, que me faz terminar este apontamento com um dito de Shopenhauer:

 

"Quanto mais conheço os homens mais gosto dos cães"!

 

Rio de Janeiro, 5 de Fevereiro de 2010

 

 Francisco Gomes de Amorim

CONVERSA DE BISTURI

 

 
 
IPO, Lisboa, anestesia local para tirar uma excrescência com aspecto benigno que sem autorização se me implantara nas costas.
 
Conversa da enfermeira para ver se eu me sentia bem: - Então o Senhor Henrique onde trabalha?
Resposta do Senhor Henrique, eu: - Não trabalho em lado nenhum; estou reformado.
Continua ela: - Tão novo?
Continuo eu: - Obrigado pelo piropo. Bem se vê que não dorme comigo…, sim reformado. Trabalho só para mim. Só faço o que quero.
Diz ela: - Mas que rica vida!
Atalha o cirurgião, meu conhecido da banda de fora do hospital, antes que a conversa descambe: - Aqui o Senhor Doutor o que gosta é de estudar e escrever.
Continua ela: - Então o Senhor reformou-se para estudar em vez de passear?
Continuo eu: - Ah sim, passeio todos os dias mas a cavalo para não gastar as solas dos sapatos.
Diz ela: - Mas gasta as ferraduras do cavalo… E que estuda o Senhor Henrique?
Digo eu: - Várias coisas. Agora estou a estudar o conhecimento, a certeza e a verdade.
Aflita, acode ela: - O Senhor Henrique está a sentir-se bem?
Descontraído, respondo: - Oh Senhora enfermeira, esteja tranquila. Não estou a entrar em transe nem a tresloucar por efeito da anestesia. Na verdade é isso mesmo que estou a estudar – o conhecimento, a certeza e a verdade.
Atónita, pergunta ela: - Mas isso estuda-se?
Pergunto eu – O que é o conhecimento?
Duvidosa, responde ela: - Os conhecimentos são as pessoas nossas conhecidas…
Quase a rir, digo eu: - Não, o conhecimento, no singular, é o que nós sabemos.
Diz ela: - Ah sim! Eu sei que a vida está cara e que no Sábado fui ao cinema com o meu marido.
Digo eu: - E eu sei que as linhas da oferta e da procura se cruzam num ponto e que é aí que os preços se formam. Está a ver? A Senhora sabe coisas que eu não conseguiria imaginar e eu sei outras que à Senhora não interessam. E, no entanto, estamos aqui na mesma sala, a meio metro de distância um do outro e cada um de nós é o centro dum Universo que cada um de nós julga infinito e que até há momentos se ignoravam por completo…
Desconfiada da minha sanidade mental, diz ela: - E é isso que o Senhor Henrique estuda?
A gostar do rumo da conversa, digo eu: - Isso é o universo do conhecimento mas estudo-lhe também a origem; não a dimensão nem o conteúdo.
Diz ela a gozar dirigindo-se ao cirurgião: - Oh Senhor Doutor. Da próxima vez temos que ter mais cuidado com o tipo de anestesia que damos a este Senhor…
Informa o cirurgião: - Não vai haver mais anestesia porque isto já está a chegar ao fim.
Ainda a tempo, pergunta ela: - E que mais é que o Senhor disse que está a estudar?
Já a sentir que me estavam a pôr o penso, respondo: - A certeza e a verdade.
Receosa, diz ela: - Até estou com medo de perguntar o que isso é…
Já de pé e a sorrir, informo: - A certeza é um valor relativo e a verdade é um ponto no infinito.
A caminho da porta, recomenda-me ela quase em surdina: - Olhe! O Senhor trate-se!
 
Abraços a quem me fez bem!
 
Lisboa, Janeiro de 2010
 
Henrique Salles da Fonseca

A vida e a morte

 

                                            
                A vida e a morte -1916 (Gustav Klimt)
 
 
Hoje, dia 2 de novembro, a Igreja católica celebra o dia de finados, quando os cemitérios se enchem de pessoas que visitam os túmulos dos seus parentes e amigos já falecidos, num hábito secular de orar, falar-lhes, levar-lhes flores e velas, recordando que um dia estarão novamente juntos.
 
Embora o animal seja capaz de pressentir a morte, como é possível constatar nos corredores dos abatedouros, o homem é o único ser que sabe que um dia vai morrer. Essa preocupação humana é verificada desde os primórdios das civilizações, nos rituais e tratamentos que davam aos mortos. 
 
Apesar de toda evolução da nossa cultura ocidental, a morte ainda é encarada com o mesmo temor dos tempos antigos. Ela é vista como um mal a ser combatido, pois representa o fim de tudo, quando temos que deixar os nossos bens e queridos.  Desde pequenos somos afastados da sua presença, quando evitam que as crianças vejam os defuntos e cortejos fúnebres. Às perguntas sobre os ausentes a explicação é quase sempre a mesma, que foram para junto do Papai do Céu, dando a percepção que Ele tira definitivamente aqueles que amamos, associando assim Deus e a religião a algo a ser temido. Sob esse aspecto os espíritas têm uma interpretação mais reconfortante. Menos apegados aos bens materiais, vêem a vida como uma possibilidade renovada de retornos terrenos na busca do melhoramento espiritual humano.
 
Como uma constante ameaça, morrer é a ideia fatídica que persegue o homem, principalmente em idade mais avançada, quando diminui a perspectiva de vida para aqueles que não realizaram seus sonhos ou para aqueles que deixam tarefas e projectos inacabados.  
 
A morte deveria ser entendida como a meta final da existência no caminho do aperfeiçoamento humano, pois a evolução é uma sucessão de metas bem cumpridas. Não importa se vivemos muito ou pouco tempo, deveria importar o que fizemos da vida. Felizes são aqueles que souberam fazer valer cada dia, que se alegraram com os bons momentos e choraram com os tristes. Esses se prepararam para aceitar a morte como o descanso final de uma jornada bem vivida. Até a Igreja ensina que apesar de sermos de Deus, para Ele só voltaremos se não negligenciarmos nossos deveres terrenos.
 
Diferentemente dos tempos atrás quando as pessoas morriam em casa, nos seus leitos, cercadas dos seus familiares e entes queridos, hoje a morte nos encontra nos hospitais, quando somos atendidos nos quadros agudos de alguma patologia, isolados dos parentes, cercados de aparelhos e gente desconhecida que nos trata de uma forma profissional e fria.  A morte nesses lugares é uma constatação da humana incompetência em evitá-la, coisa que faz com que tentem de uma forma antinatural desqualificá-la, mantendo o paciente artificialmente vivo com medicações e procedimentos, prolongando muitas vezes o sofrimento do moribundo e da família.
 
Toda a mudança é dolorosa, o momento do nascimento, o da morte, mas como tudo, passa. Quando a morte é anunciada, através de um facto definitivo, e não estamos preparados, o que ocorre é que na grande maioria das vezes, passamos pelas fases que os psicólogos dizem ser de negação, revolta, barganha, interiorização e finalmente a fase de aceitação e paz, isenta de sentimentos.  Nessa ocasião a presença acalentadora é mais importante para o moribundo que a comunicação verbal. O silêncio é a demonstração mais sentida e respeitosa àquele ser  que se entrega ao Pai.    
 
 
Maria Eduarda Fagundes
Uberaba, 02/11/ 08

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