Dentro da visão cultural ocidental, a morte sempre foi vista como um mal a ser combatido. Morrer, perder um ente querido, um amor, um emprego, algo material ou uma posição social, são situações para as quais não somos treinados para encara-las como coisas naturais da vida. Desde que abrimos os olhos e passamos a perceber o que nos rodeia somos programados para tê-las, não para perdê-las.
Mas, como diz a música de Vinicius de Morais e Toquinho, Sei lá... A vida tem semprerazão, quando nascemos, começamos a morrer. Não há perdas sem ganhos, não há ganhos sem perdas. E é assim no viver. Morremos e renascemos todos os dias, através das nossas células, num se repetir, “ad eternum”, como um xérox biológico que se apaga pouco a pouco com o tempo, trazendo outros contornos, até desaparecer. São as mudanças e transformações que aparecem no nosso corpo, no entanto, na mente, permanece a ideia inalterada do EU, da individualidade do Ser. Perdemos as formas de criança, ganhamos as de adolescente, de adulto e de velho, num perde e ganha, alternadamente, até que, como todos os seres viventes, desaparecemos e voltamos à terra para fazer parte dela novamente.
Ter medo de morrer, de como a morte virá nos recolher é natural, é o medo do desconhecido. Porém, devemos procurar entender que a morte faz parte da vida e que ela deve ser aceita, mesmo com tristeza, quando não há mais jeito de evitá-la. Mesmo os profissionais da Medicina têm dificuldade em administrar esse facto. Com remédios e procedimentos cada vez mais sofisticados, muitas vezes postergam a morte do indivíduo, mantendo as funções vitais por aparelhos, quando o cérebro já morreu. É a tecnologia querendo ser Deus. Devemos reaprender com os antigos, a respeitar a natureza, quando não há mais condição digna de vida, a aceitar o direito humano à ortotanásia.
Prolongar a vida, não é adiar artificialmente a morte. É simplesmente criar a ilusão que podemos enganá-la, posterga-la, que somos “temporariamente” imortais. Bom mesmo é viver a vida, da melhor maneira possível, sendo felizes e fazendo os outros felizes, lembrando todo o dia, ao abrir os olhos, que a nossa companheira inseparável está ali, ao nosso lado, esperando, para nos tornar eternos.
-Para ter uma pele saudável e bonita tens que beber uns seis copos de água por dia. Ela tinha razão.
A água é o tratamento mais eficiente para o bom funcionamento do organismo humano. Além de nos manter hidratados, a hidroterapia previne e melhora as dores de cabeça, as tonturas, a tosse, as dores articulares e reumáticas, a obesidade, as doenças de pele e gastrointestinais, a diabetes, as doenças pulmonares, os cálculos renais, a disenteria, a asma, a sinusite, a acidez estomacal, a constipação intestinal, a laringite, as dores musculares, o stress,....
A água é a fonte da vida, nada subsiste sem ela. Dela dependem todos os seres vivos da face da terra, plantas e animais. Como veículo alimentar, na diluição e absorção dos nutrientes, nas reacções químicas vitais, convertendo alimento em energia, na manutenção e reparo das células, na regulação térmica do corpo, na excreção das impurezas orgânicas, a água é fundamental. Pode-se viver sem comer por um mês, mas sem água pouco mais de uma semana. Para trabalhar bem a máquina humana precisa de 2,4 litros de água por dia, seja na forma de líquidos ou /e de alimentos. 70% do nosso corpo é água. Ela está presente em 83% do sangue e em 80% do cérebro humano. Uma pessoa de 65 quilos tem cerca de 40 litros de água circulante, 25% dentro das células, 15% fora delas. Essa água deve ser renovada periodicamente para o bom funcionamento orgânico e bem-estar físico do individuo.
A absorção dela se faz no tubo digestivo, mas são os rins que a regulam e a excretam em maior quantidade. O coração bombeia, o pulmão e pele eliminam o vapor d’água da combustão, e a bexiga colecta, para a efectiva eliminação da água impura resultante de toda essa operação.
Beber água limpa as pregas intestinais das toxinas e resíduos alimentares, facilita a absorção dos nutrientes tornando o organismo mais saudável e a pele mais bonita. A vovó tinha razão! Mas cuidado, tudo que é demais não é bom. Água em demasia, ingerida rapidamente, pode levar a um quadro grave de intoxicação hídrica, com alterações electrolíticas orgânicas, inconsciência e até morte. O ideal é beber ao longo dia copos de água de acordo com a necessidade do físico e do ambiente (calor excessivo). Os melhores indicadores são a transpiração e a urina que deve ser clara, mas não muito, e frequente.
Era mais de meia-noite quando o telefone tocou. Sonolento, meu marido atendeu. O plantonista de um hospital da cidadezinha onde temos fazenda falou, preocupado. Um funcionário nosso, que estava em férias na cidade, passou mal e procurou o Pronto-socorro. Foi-lhe dado um diagnóstico de possível obstrução intestinal aguda. Talvez um volvo. Mas o jovem médico que o atendeu não tinha como fazer os exames adequados, pois o hospital onde ele estava não oferecia laboratório, aparelho de RX funcionando e nem vaga para internar o paciente. Depois de recorrer a outros hospitais da rede pública inutilmente e das súplicas do paciente, o plantonista informado que meu marido trabalhava em um Hospital Escola do governo, resolveu recorrer a ele.
Apesar de não estar de plantão e de saber que o hospital aonde ele trabalha também estava superlotado, mandou que trouxessem o rapaz de qualquer jeito. Ele precisava ser atendido, era uma urgência. Decisão arriscada que deixou meu marido extremamente preocupado, pois seriam duas horas de viagem cruciais para a vida do paciente. Finalmente, pelas quatro da madrugada, quando Aparecido chegou ao hospital da nossa cidade, conseguiu ser atendido, agora pelo meu marido, pois os plantonistas estavam ocupados com as vítimas de um acidente. Ali mesmo, no tumulto do corredor, sobre uma maca, foi examinado. Depois de mais espera na porta do RX, e da colecta de sangue, recebeu a medicação venosa de sustentação. Os exames foram feitos e para sorte do rapaz a suspeita diagnóstica não foi confirmada. Era uma oclusão intestinal parcial e passageira, que foi resolvida com medidas clinico-terapêuticas.
Esse é um quadro que se repete quotidianamente no serviço público de saúde: falta de hospitais, leitos, material, especialistas, vagas em UTIs, aparelhagem de RX e cardiografia funcionando adequadamente. Evasão de profissionais, salas de espera abarrotadas de gente, filas intermináveis para marcação de consultas (a longo prazo) nos ambulatórios das Unidades de Atendimento. E o governo, maquia a realidade, dizendo que o país tem falta de profissionais, colocando aonde pode, técnicos no lugar de médicos, liberando de vez enquanto verbas para algum programa de saúde populista, que não resolve nada, fazendo um atendimento de saúde barato, gerenciando mal o pouco dinheiro despendido.
No Brasil há 350 mil médicos actuantes (17/ 10 mil habitantes), segundo o Conselho Federal de Medicina, distribuídos irregularmente, de acordo com a região mais ou menos evoluída. Não há deficiência de profissionais como diz o governo. E sim salários aviltantes, condições de trabalho deficitárias, inseguras e estressantes, que afastam os novos profissionais do serviço público. Não é de estranhar que os jovens médicos, mais realistas e menos idealistas, procurem especialidades mais valorizadas, atreladas ao mercado de trabalho, que lhes dêem melhor qualidade de vida. O profissional antigo, dedicado, romântico, que ia à casa do paciente, que conhecia a família e recebia uma galinha como pagamento, quando o paciente não podia pagar, está praticamente em extinção, mesmo no interior do país.
Na área da saúde, o serviço público está falido, sucateado, sem profissionais especializados, sem hospitais suficientes e aparelhados, tudo porque os nossos governantes tratam a saúde do cidadão brasileiro de forma leviana, como moeda de troca em campanhas políticas. No final, quem fica penalizada é a população mais carente, que é a maior parte da sociedade brasileira, que morre à míngua, sem o devido atendimento, e vê o país no vergonhoso penúltimo lugar em investimento na saúde, no Continente.
Não é raro no nosso interior mineiro o uso de plantas e raízes para tratamento de moléstias. Hábito popular herdado dos antepassados, carentes de profissionais médicos e de remédios.
Rica em plantas medicinais, a natureza brasileira foi a fonte e o laboratório onde os índios e os colonizadores acharam, pela experiência “in vivo”, o alívio para seus males. Verídicos ou não, muitos são os casos de sucesso relatados pelos que usaram esses recursos terapêuticos.
A medicina convencional sempre teve ressalvas e desconfianças daqueles produtos de plantas e raízes que prometem a cura de tudo, de unha encravada ao câncer. Mas casos aparecem que nos deixam a pensar.
Recentemente lembrei-me de um caso familiar, quando li uma crônica de um médico de capital, infectologista famoso, sobre as supostas propriedades anti-virais de um líquido de folhas de uma árvore desconhecida que, céptico, ele mandou examinar, a pedido de outro colega do interior.
Depois de muito tempo esquecido na prateleira do consultório do infectologista, por desencargo de consciência, o liquido foi encaminhado para ser examinado. Espantosamente a amostra mostrara, nos primeiros testes, efeito letal sobre o vírus HIV. Entusiasmado o laboratório pediu mais material, as folhas, de preferência, para tentarem identificar a planta e fazerem mais testes que comprovassem de fato a eficiência do produto.
Admirado com os resultados, o infectologista torna a contactar com o colega para pedir mais material para novos exames. Mas qual foi a sua decepção quando o amigo lhe diz, pelo telefone, que não podia mais ajudá-lo. O preto velho que morava na fazenda, e que havia feito a infusão, havia morrido e com ele o segredo da árvore desconhecida.
Quando cheguei ao interior de Minas Gerais, constatei o quanto a flora do Cerrado era importante para esse povo mais antigo. Não me esqueço da história da minha sogra.
Jovem, com os filhos ainda pequenos, na luta pela sobrevivência, trabalhando na fazenda, ficou doente. Sua pele tornou-se sensível, eritematosa, com bolhas ardidas que rebentavam pelo corpo inteiro. A pele se desprendia ao menor contacto, deixando o corpo em chaga. O diagnostico foi feito, era Fogo Selvagem, ou cientificamente falando, Pênfigo foliáceo, doença auto-imune, bastante frequente, no centro–oeste brasileiro naquele tempo da década de 50.
As comadres logo acharam o remédio. Foram buscá-lo no Paraná, onde uma velha senhora fazia uma pasta com plantas, para passar na pele do doente. O resultado foi excelente, após doze meses de tratamento. Deitada em pêlo, sobre folhas de bananeira, periodicamente era banhada com água fervida com folhas de eucalipto e besuntada com essa estranha pasta. Bem alimentada e hidratada, decorrido um ano e meio estava saudável e a pele do corpo lisa e clara, sem nenhuma mancha. O segredo da pasta nunca foi revelado pela velha do Paraná, ficou perdido no passado, com o seu falecimento.
Apesar de se saber que há casos de Pênfigo F. que têm remissão espontânea, e que havia naquele tempo pomadas à base de enxofre e piche nos tratamentos de antigamente, é de se ficar com a pulga atrás da orelha quando sabemos de casos como esses.
A medicina tradicional, principalmente a europeia, tem dado espaço para novas substâncias naturais com comprovada eficácia, os medicamentos fitoterápicos. Para a humanidade é uma grande perda sabermos que a flora brasileira, do Cerrado à Amazónia, sabidamente rica em plantas medicinais, está sendo destruída sem estudos e pesquisas suficientes. É um material vital que se perde, como nos relatos dos casos populares da nossa terra.
As doenças antigas estão voltando e o tratamento delas já é conhecido e até barato. Em muitos casos, necessita-se só de educação sanitária e medicação genérica, atitudes de ordem social que dependem de vontade política do governo para resolvê-los.
Acusando as indústrias farmacêuticas de lucros exorbitantes, o que em alguns casos é verdadeiro, o governo estimulou a indústria dos genéricos e pensa até em diminuir o ICMS para oferecer medicamentos mais baratos, o que é muito bom para a população, cada vez mais envelhecida e consumidora desses produtos.
Mas sem fazer-me de advogada do diabo, não posso deixar de lembrar que mesmo havendo muita verdade nos fatos relatados, a realidade é que a humanidade paga caro pelas conquistas da civilização. Poluição e agressão ao meio ambiente, destruição das florestas, trazendo agentes patológicos para os meios urbanos, mutações e experiências genéticas são fatores que trazem novas doenças que precisam ser conhecidas para serem combatidas, e isso só se consegue com altos investimentos em pesquisas. E o que está havendo é que infelizmente os governos cada vez mais passam para os particulares esses atributos, por serem onerosos e demorados . O tempo e o dinheiro aplicados nessas pesquisas, testes, aceitação e regulamentação pela FDA, produção, aceitação popular, têem que ter volta e lucro . Só assim no mundo capitalista onde vivemos temos geração de empregos na área da ciência e recursos terapêuticos para as "novidades" nosológicas que surgem todos os dias.
Embora no mundo moderno não se dê o devido valor ao sono, dizendo-se até, como pilhéria, que dormir é perda de tempo, é bom lembrar que dormir faz bem para a saúde e beleza, eleva as defesas orgânicas, descansa a vista, revigora o cérebro e rejuvenesce a pele, e ainda contribui com a diminuição das estatísticas nas faltas ao trabalho e nos acidentes automobilísticos.
O descanso de uma noite bem dormida melhora o raciocínio e a capacidade mental do individuo. Mesmo na velhice, quando necessitamos menos horas de sono, devemos dormir o tempo suficiente para nos sentirmos bem, para vermos com mais clareza. Se a criança recém-nascida precisa de 17 h de sono/dia, para se desenvolver, o velho necessita só de 6 a 8 horas para se refazer, sendo que muitos se satisfazem apenas com 4 horas bem dormidas.
O estilo de vida corrido e estressado, os excessos de estímulos visuais, auditivos, televisivos, a internet, a necessidade de se ficar “antenado”, o medo de ficar alheio às ultimas noticias, para não se sentir excluído, tudo isso faz com que o indivíduo perca horas reparadoras de sono, diminuindo a sua qualidade de vida.
E então o que falar daqueles que por necessidade trocam o dia pela noite. Os que fazem trabalhos nocturnos, pilotos, motoristas e limpadores de ruas, plantonistas de Pronto Socorro, médicos e policias, esses têm com frequência sinais de irritabilidade e de alterações do sono.
As dificuldades em dormir também aparecem em doentes com graves problemas emocionais, em cardíacos, naqueles com alterações faríngeas e neurológicas como a apnéia do sono. Nesses casos o tratamento médico se impõe para evitar uma morte nocturna, prematura. Dormir bem propicia a uma vida mais saudável, mais bem vivida.
Dicas para uma noite reparadora.
Prepare o seu quarto:
Ambiente limpo, arejado, escurecido e tranquilo.
Lençóis lavados, esticados, travesseiros cheirosos (com sache de lavanda ou alfazema).
Prepare-se para dormir:
Evite bebidas estimulantes como chá preto, café, chocolate, bebidas alcoólicas à noitinha.
Tome um banho morno e aromático.
Vista um pijama ou camisola confortável
Tome um copo de leite morno (desnatado)
Deite-se sempre mais ou menos à mesma hora (horário ideal é 22h para os adultos que moram abaixo da Linha do Equador).
Não ligue a TV.e nem o computador.
Se gostar de ler, leia algo ameno, que não desperte muita curiosidade, até o sono chegar.
No Brasil, estima-se que uma em cada três mulheres na pós-menopausa irá ter osteoporose, doença caracterizada pela fragilidade óssea. É sabido que até à idade de 25 a 35 anos o indivíduo acumula massa óssea. De 30 a 50 mantém um equilíbrio entre perda e ganho. E a partir daí, principalmente nas mulheres, há uma perda gradativa dessa massa, consequente à queda hormonal (factor regulador do cálcio), ao estilo de vida mais sedentário, e à alimentação não balanceada. Tanto nos homens como nas mulheres com função ou reposição hormonal a ingestão de cálcio deve ser de aproximadamente de 1000mg/dia. Em caso de mulheres climatéricas, que não fazem a reposição hormonal, a necessidade aumenta para 1500mg/dia.
A actividade física, a orientação alimentar, a terapia de reposição hormonal e/ou a suplementar (cálcio e vitamina D) são factores que ajudam na diminuição do consumo do cálcio e consequentemente na protecção do esqueleto.
É importante saber que os riscos de ter osteoporose são maiores:
·Nas mulheres de raça branca (as negras têm constituição óssea mais forte).
·Nas fumantes
·Nas que entraram na menopausa
·Nas sedentárias
·Naquelas que têm uma alimentação mais rica em proteínas e sódio (elementos que aumentam a excreção de cálcio).
·Nas que ingerem grande quantidade de folhas e farelo de trigo (os fitatos diminuem a disponibilidade de cálcio).
·Nas que consomem mais chocolate, café, chá preto e bebidas à base de cola (essas bebidas contêm níveis altos de cafeína, elemento que diminui a absorção de cálcio alimentar).
Embora o organismo tenha um mecanismo protector orgânico para evitar a intoxicação, deve-se ter cuidado no excesso de ingestão de cálcio (>4g/dia). Pois a hipercalcemia (aumento do cálcio no sangue) pode levar a alterações neuro-musculares e cardíacas graves e à hipercalciúria (aumento de cálcio na urina), com o aparecimento de cálculos renais.
Na velhice, as melhores fontes de cálcio são os alimentos lácteos (de preferência desnatados). Porém, deve-se evitar associa-los ao café, chocolate, chá preto, farelo de trigo, espinafre, elementos que diminuem a absorção de cálcio. As pessoas alérgicas à lactose (açúcar do leite), substância que aumenta a absorção de cálcio, devem procurar as fontes alternativas, como legumes verdes, soja, feijão, agrião, brócolos, couve, avelã, amêndoas, castanha do Pará, salmão, sardinha, bacalhau e suplementos alimentares ingeridos nos intervalos das refeições.
E devemos lembrar que a prevenção da doença começa na infância com a introdução de hábitos alimentares balanceados e com o estímulo à actividade física.
Cocaína, morfina e até heroína eram vistos como remédios miraculosos quando foram descobertos.
As substâncias que hoje são proibidas estavam legalmente disponíveis no passado. Os fabricantes de medicamentos, muitos dos quais existem até hoje, proclamavam até o final do século 19 que seus produtos continham estas drogas..
Entre 1890 a 1910 a heroína era divulgada como um substituto não viciante da morfina e remédio contra tosse para crianças.
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2. Vinho de coca
O vinho de coca da Metcalf era um de uma grande quantidade de vinhos que continham coca disponíveis no mercado..
Todos afirmavam que tinham efeitos medicinais, mas indubitavelmente eram consumidos pelo seu valor "recreador" também.
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3. Vinho Mariani
O Vinho Mariani (1865) era o principal vinho de coca do seu tempo.
O Papa Leão XIII carregava um frasco de Vinho Mariani consigo e premiou seu criador, Angelo Mariani, com uma medalha de ouro.
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4. Maltine
Esse vinho de coca foi feito pela Maltine Manufacturing Company de Nova York.
A dosagem indicada diz:
"Uma taça cheia junto com, ou imediatamente após, as refeições.
Crianças em proporção".
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5. Peso de papel
Um peso de papel promocional da C.F. Boehringer & Soehne (Mannheim, Alemanha),
"os maiores fabricantes do mundo de quinino e cocaína".
Este fabricante tinha orgulho em sua posição de líder no mercado de cocaína.
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6. Glico-Heroína
Propaganda de heroína da Martin H. Smith Company, de Nova York.
A heroína era amplamente usada não apenas como analgésico, mas também como remédio contra asma, tosse e pneumonia..
Misturar heroína com glicerina (e comumente açúcar e temperos) tornava o opiáceo amargo mais palatável para a ingestão oral.
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7. Ópio para asma
Esse National Vaporizer Vapor-OL era indicado
"Para asma e outras afecções espasmódicas".
O líquido volátil era colocado em uma panela e aquecido por um lampião de querosene.
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8. Tablete de cocaína (1900)
Estes tabletes de cocaína eram "indispensáveis para cantores, professores e oradores".
Eles também aquietavam dor de garganta e davam um efeito "animador" para que estes profissionais atingissem o máximo de sua performance.
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9. "Drops de Cocaína para Dor de Dente - Cura instantânea"
Drops de cocaína para dor de dente (1885) eram populares para crianças.
Não apenas acabava com a dor, mas também melhorava o "humor" dos usuários.
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10. Ópio para bebês recém-nascidos Você acha que a nossa vida moderna é confortável?
Antigamente para aquietar bebês recém-nascidos não era necessário um grande esforço dos pais, mas sim, ópio.
Esse frasco de paregórico (sedativo) da Stickney and Poor era uma mistura de ópio de álcool que era distribuída do mesmo modo que os temperos pelos quais a empresa era conhecida.
"Dose - [Para crianças com] cinco dias, 3 gotas.
Duas semanas, 8 gotas. Cinco anos, 25 gotas.
Adultos, uma colher cheia."
O produto era muito potente, e continha 46% de álcool. [Oddee]
Apesar dos medos que nos assaltam ao verificar os perigosos caminhos que a humanidade tomou, a chegada de Sophia me deixou emocionada. Pensei que mais uma vez a força da vida superou as incertezas do futuro.
Ao contemplar esse frágil ser cor- de -rosa, pequeno, mole e indefeso, girando a cabecinha à procura do seio materno, numa forma instintiva de sobrevivência, percebi a força misteriosa da relação que existe entre mãe e seu rebento. Pela primeira vez vi, mesmo já sendo avó, que o tempo passou célere, como areia entre os dedos, e eu não senti. Confesso, foi uma sensação estranha misto de calma, contentamento e uma ponta de nostalgia. Era o relógio da vida a correr através do seio generoso de minha filha. Agora era ela a provedora. Daquele momento em diante eu seria apenas uma expectadora, com alguma experiência.
Amamentar, dar o peito, movimento primitivo, ancestral, mágico quando mãe e filho formam uma parceria única, perfeita, onde a mãe oferece o alimento como fonte da vida e a criança como possibilidade de futuro. É a sensação figurada de um completo entendimento, sem palavras, só de gestos e sentimentos, onde reinam a paz e a calma. Momento único de total ausência de disputas, invejas e ressentimentos, quando os papéis estão bem definidos e assumidos num objectivo claro; o da preservação da espécie.
Ao nascer a criança chora, numa busca pelo ar, mas logo após expandir os pulmões é o seio materno que ela procura para se alimentar. Como mágica ele jorra leite e se transforma numa fonte de satisfação, calor, aconchego e protecção.
Amamentar é um acto de amor, diz o slogan do ministério da saúde. É verdade. Faz bem à criança e à mãe, dizem os médicos e educadores. Diminui a morbidade e a mortalidade infantil e traz sensação de prazer e poder às mães. Na mulher previne as doenças malignas das mamas, promove mais rapidamente o retorno à forma física normal. Bloqueia a ovulação, diminuindo nesse período a possibilidade de nova gestação. Amamentar é mais confortável e menos trabalhoso para a mãe, pois o produto está sempre pronto a ser dado, na temperatura certa e sem risco de contaminação. O leite materno previne a desnutrição, as doenças infecciosas e a obesidade da criança. A alimentação “artificial” só deve ser adoptada na agalactia (falta de produção láctea) materna, no desmame precoce, e nos problemas de saúde maternos ou do lactente.
A amamentação natural é algumas vezes recusada pelas jovens mães que têm receio de que suas mamas se deformem, o que de fato pode ocorrer. Mas é bom lembrar que nada é para sempre, principalmente a beleza, e que acima de tudo somos mamíferos da espécie HOMO SAPIENS, e que necessitamos do seio materno para sobreviver. E além do mais, hoje em dia, para corrigir os defeitos herdados ou adquiridos há muitos recursos como cirurgia plástica e os tratamentos estéticos que a tecnologia moderna oferece.
Não foram as guerras ou as catástrofes naturais que mais ceifaram vidas na face da Terra, foram as doenças que surgiram com a destruição gradativa da natureza quando se formaram as sociedades humanas. Nesse campo, até em passado recente, as viroses, dentre elas a Varíola, tiveram lugar de destaque.
Suspeitada entre os gregos, no ano de 164 da nossa era cristã a varíola foi observada e descrita em textos históricos com o nome de “peste antonina”, por ter ocorrido no período do império romano de Marco Aurélio Antonino. Conhecida pelos árabes foi por eles muitas vezes confundida com o sarampo, sendo, porém, definitivamente identificada no século XVII, pelo inglês Thomas Sydenhan (1624-1689).
Doença provocada pelo POXVIRUS VARIOLAE acometia crianças e adultos, de ambos os sexos, em todas as partes do globo.
Era temida pelas nações pelas graves consequências que trazia; morte em alta escala na forma mais agressiva, cegueira e/ ou deformidades cicatriciais, na forma mais branda. Supõe-se que teve origem nas terras da Ásia e que chegou, como outras doenças, até à Europa através das rotas comerciais mediterrâneas que iam e vinham do Oriente.
Nos séculos XVII e XVIII, ataques epidémicos destruíam populações europeias em pouco espaço de tempo, arrasavam a vida política e económica dos paises. Na Alemanha morriam de 20 a 30 mil pessoas por ano vitimadas pela varíola ou bexiga, como era vulgarmente chamada. Durante as guerras, quando eclodia, aniquilava exércitos, decidia lutas, acabava com as disputas. E apesar de haver um lado vencedor, em geral, todos sofriam pelas muitas vidas perdidas.
A história da humanidade relata alguns personagens famosos que foram vitimas fatais da varíola:
- Hugo Capeto, rei dos francos, Maria II da Inglaterra, Irlanda e Escócia, Luis XV da França, Pedro II da Rússia (que morreu aos quinze anos). Ou menciona aqueles que apesar dela, sobreviveram como:
- Isabel I da Inglaterra( Elizabeth I), o músico e compositor alemão Ludwig van Beethoven, o presidente americano Abraham Lincoln , o revolucionário russo Josef Stalin.
Com os descobridores do Novo Mundo, a doença se expandiu para as Américas e, muito mais que o poderio militar deles, devastou populações ameríndias inteiras. Só no México matou milhões de pessoas em poucos meses. Para os nativos a aparente imunidade dos europeus à doença era interpretada como um sinal de protecção divina.
Na Turquia, no século XVII, vivia um médico grego chamado Emanuele Timoni que, em carta ao colega inglês John Woodward (1665-1728), fez uma detalhada descrição de uma inoculação, em pessoas sadias, que ele presenciou com agulhas infectadas com material pustuloso de enfermos de varíola, segundo ele, hábito comum entre os povos que habitavam as regiões próximas ao Mar Cáspio. Provavelmente a primeira ideia relatada de imunização no mundo. Por coincidência, naquela mesma altura, a esposa do embaixador inglês na Turquia, Lady Marly Wortley Montague (1690-1762), relatou a aplicação da técnica que ela fez com sucesso, em seu próprio filho, quando esteve com sua família em Constantinopla.
Mas foi no final do século XVIII, em 1796, na Inglaterra, que o médico britânico Edward Jenner (1749-1823) deu um grande passo para erradicação da doença quando desenvolveu a vacina, inoculando num menino de 8 anos (James Phipps) material retirado da mão de uma camponesa, Sarah Nelmes, que se infectara com as pústulas das mamas de vacas doentes.
O medo de epidemias fez com que os serviços de saúde das nações obrigassem até o século passado a imunização de todos os estrangeiros que entrassem no país. Esta medida profilática e programas nacionais de vacinação em massa erradicaram a Varíola em quase todo o mundo desde 1980, segundo a OMS.
No Brasil, uma das ultimas vítimas da doença foi o artista e artesão de argila pernambucano mestre Vitalino, falecido em 1963. Em 1977, um cozinheiro somali chamado Ali Maow Maalin foi noticia em todos os grandes jornais e o último caso oficial de varíola que se conhece. Mas apesar de tudo isso, o medo de uma epidemia ainda persiste, com a eventual possibilidade da disseminação do vírus, como arma química, numa situação de guerra.
Maria Eduarda Fagundes
Uberaba, 05/10/2008
Dados:
JBM Cultural (Jornal Brasileiro de Medicina Cultural) vol. 63, n.o 57.