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A bem da Nação

ORÇAMENTOS de MENTIRINHA...

 

...aliás, de mentirosos

 

Já por diversas, desde muitos há anos, faço a mesma pergunta, que tem ficado sempre sem resposta.

 

Era difícil não haver resposta para uma questão tão elementar que qualquer dona de casa sabe desde o primeiro dia que assume o controle das suas finanças. O que é um orçamento? Normalmente seria uma previsão de entradas de dinheiro, e de saídas, fazendo o possível para sobrar sempre um pouco a usar no caso de alguma emergência.

 

Mas isso é o que fazem os estúpidos e ignorantes como eu e, cheias de sabedoria, as donas de casa! Os sábios, os políticos, os grandes economistas em (des)serviço ao Estado, ou à Nação, isto é, ao povo, fazem de outro modo! De ano para ano vão prevendo sempre gastar mais do que arrecadam, desprezando o crescimento da dívida pública, o que na minha cabeça ingénua, não consegue entrar.

 

Pedem dinheiro nos mercados internos e externos, enchem os postos chave de comparsas, que, mancomunados disfarçam o caminho para o desastre, e os bancos procuram dar crédito até ao pedinte de rua; vai-se distraindo o povo com outros assuntos – futebol, religião, shows de gritaria, visitas de personalidades estrangeiras, etc. – e, num instante a divida é de tal forma, que estoura e é
impossível pagar.

 

Está nisto quase toda a Europa – vivas para a Alemanha que continua com bastante solidez (continua?) – que agora parece ter acordado duma letargia confortável: dever biliões sem qualquer possibilidade e/ou intenção de pagar.

 

“Impossível negar que está profundamente abalado o edifício de toda a economia moderna... A muliplicação assombrosa de protestos e
reformas de letras, iliquidabilidade de créditos, arrastamento de dividas e pagamentos, liquidações ruinosas de produtos, de papéis e de negócios, paralisação total ou parcial de explorações agrícolas, industriais e comerciais, milhões de homens sem trabalho, nervosismo das praças e dos depositantes, levantamentos ou retiradas inexplicáveis de capitais, entesouramentos particulares de dinheiro, condenáveis por anti-economicos, derrocadas, falências e concordatas, agitações políticas e sociais - eis o espectaculo anormal que o mundo vem oferecendo: crise e especulação de crise; no fundo, tudo crise, economica e moral”.

Palavras de Salazar, 1930.

 

Portugal (e hoje toda a Europa) vai ver-se obrigado a dobrar-se sobre si próprio, em população (já impossível), em capitais, em produção e consumo; e é talvez este um momento histórico interessante que será pena, por falta de coragem ou visão, deixar perder”.

Ainda Salazar em 1931.

 

E mais, em Agosto de 2003 escrevi o texto:

“O Orçamento do Pinóquio”

“Lá vai nariz...

O governo anunciou o seu orçamento para 2004, alardeando, voz alta e firme, que este, finalmente “é um orçamento real e não fictício como os dos governos anteriores”!

Sempre remetendo as suas amarguras e incapacidades em comparação com os tais governos anteriores! Ponho-me a imaginar o que teria dito o governo de Adão e Eva sobre o seu “orçamento” – se o tivesse feito –, uma vez que não podia ancorar-se, para bater, em anteriores!

O mais curioso é que a realidade deste orçamento é exactamente igual à realidade dos anteriores, porque serão as contingências do “planeta global” que vão permitir, ou não, que o país se isole e cumpra, ou não, o preposto”.

 

E a capacidade e seriedade dos governantes.

 

Com toda esta conversa “p’ra boi dormir”, o Brasil passou de uma Dívida Interna de 892 milhões em 2003 para 1,73 triliões em 2010, estando em cerca de 67% do PIB.

 

A continuar assim, não tarda que o aperto chegue também ao El Dourado, que, de facto, é o Brasil.

 

A Europa quer agora impor a todos os seus membros uma lei de responsabilidade fiscal, i. e., não se pode gastar mais do que se arrecada. No Brasil essa lei existe... no papel. Ninguém, rigorosamente ninguém, a cumpre. E assim vai o mundo.

 

Os únicos que não precisam de orçamento são os fabricantes de armas: americanos, russos, chineses, brasileiros, etc. Se o mercado falhar vão provocar uma guerra em qualquer lugar do mundo. Não falta quem venda para o Sudão, Congo, Síria, etc.

 

O que falta mesmo, é que o tal homo sapiens evolua. Mil anos? Estávamos na Idade Média, matando-se uns aos outros. Dois mil? Olha o que fizeram com o Homem que era só amor. Dez mil, quando Caim matou Abel? Um milhão de anos? Talvez mais!

 

Creio que não vou esperar para ver.

 

Rio de Janeiro, 25/09/2011


 Francisco Gomes de Amorim

 

O BURRO

 Burro! Grande burro! Muito burro! Asno! Ganda burro (à moda de Portugal)!

 

O grande burro, o Equus asinus, é, de fato um animal extraordinário!

 

Dócil, incansável, frugal, teimoso “que nem um burro”, o que mostra a sua personalidade, o melhor de todos os equinos para montar e fazer longas jornadas.

 

Houve um tempo, no velho Portugal, que cavalgar burros era reservado aos reis, alguns nobres e a abades e abadessas! O restante só podia cavalgar mulas. Os cavalos, símbolo de poder, eram, além de muito custosos, reservados para guerras, e extremamente incómodos para viajar. Também se sabe que Maria, quando da matança de crianças por Herodes, fugiu para o Egipto em cima de um burro. E foi ainda um burro que carregou Jesus, na sua entrada em Jerusalém, onde foi condenado, torturado e crucificado.

 

Os burros são mesmo uns “burros de carga”! Carregam pesos enormes, e lá seguem, seu ar humilde, submisso, passo vagaroso, cadenciado, andando por veredas e encostas, com frio ou calor, sem parecerem jamais cansados, sem reclamarem, ajudando os homens nas suas tarefas mais difíceis.

 

E há quem se atreva a chamar burro a um homem como de um insulto se tratasse!

 

Todos nós, na vida, e quanto mais longa pior, fizemos disparates, dissemos barbaridades, e houve quem teve a misericórdia de nos
chamar de burros, ou nos dizerem que fizemos burrice!

 

Que honra, que elogio, que cumprimento amável, poder ser comparado a um burro!

 

 Lembro de, por mais de uma vez, quando eu tinha aí uns dez anos, uma mestra me colocar na cabeça umas orelhas de burro e me mandar para a janela, na intenção de me enxovalhar perante os que passavam na rua. Não me lembro já se alguém olhou para mim, mas lembro que aquilo era motivo de grande risada entre mim e meus irmãos! E a professora, pobre de espírito, acabava sempre
perdendo o confronto!

 

Hoje creio que já ninguém me chamaria de burro, talvez levando em consideração as minhas barbas e cabelos brancos!

 

É pena. Porque me sentiria honrado com tal comparação!

 

Por isso, que ninguém se atreva a chamar burros aos políticos! Seria elogiá-los!

 

Chamem-lhes ladrões, mal intencionados, estelionatários, sem vergonha, cafagestes, não insultem a mãe deles por muita vontade (e hábito) que se tenha, porque a senhora nada tem a ver com o descaminho dos filhos, mas jamais lhes chamem de burros.

 

Burros somos nós, bestas de carga, que temos que aguentar toda a sorte de incompetências e ladroagem dessa gente, e continuarmos humildes, a levar nas costas as nossas cargas, a procurar cumprir com os nossos deveres, a sermos espoliados, a perdermos a esperança no futuro, sobretudo o dos nossos filhos e netos, e ainda sorrir com a família para lhes manter um pouco de ânimo e alegria.

 

Tal como o maravilhoso burro, o jumento, o jegue, o asno!

 

O problema é quando os burros começam a escoicear.

 

Rio de Janeiro 25/09/2011

 

Francisco Gomes de Amorim

UBI ES, HOMO FUTURUS?

 (*)

 

 

A palavra "governo" vem do grego "kybernetes", ou mais gregamente "κυβερνητης", que significava "piloto".

 

Imagine-se naquele tempo a força que fazia um piloto para governar um barco... Agora não. Nos dias de hoje o piloto dum barco ou dum avião não faz força. Porquê? Porque existe a ciência da "cibernética", isto é, existem meios auxiliares que permitem que uma força mínima do piloto nos seus comandos se multiplique numa grande força no leme e se possa assim conduzir o veículo sem esforço.


No caso do governo dum estado sucede o mesmo? Como pode o piloto conduzir um país sem fazer esforço? Ou terá que fazer esforço? Eu gostaria de saber responder a estas perguntas, mas não sei. Quais são os meios cibernéticos que permitam conduzir um país sem esforço? Um piloto automático? Um navegador automático?

 

A invenção de um sistema cibernético desse género permitiria a anarquia no seu sentido mais puro: a inexistência de chefes, logo a ausência de políticos, o funcionamento da governação sem lutas pessoais, sem ambições nem interesses pessoais, sem chatices. E bastaria para manter o processo da governação a funcionar que houvesse uma equipa de mecânicos especializados, anónimos, sem ambições televisivas nem discursos idiotas. Desumanização? Perda do espectáculo circense que é a política dos nossos dias? Ou uma inefável paz dos espíritos, precursora do verdadeiro progresso social?

Não sei, mas: inventores sociais precisam-se!

 

Inventores da paz, da ordem, do bom governo, inventores do homem futuro!

 

Joaquim Reis

 

(*) cockpit do Airbus A380 - http://www.google.pt/imgres?q=cockpit&um=1&hl=pt-PT&sa=N&tbm=isch&tbnid=6nYEnON2poGqHM:&imgrefurl=http://en.wikipedia.org/wiki/File:Airbus_A380_cockpit.jpg&docid=DZTKsBQTMvDgxM&w=3456&h=2304&ei=u1x5Tsv5OcHS0QWVwI2tAQ&zoom=1&iact=hc&vpx=145&vpy=470&dur=2906&hovh=183&hovw=275&tx=149&ty=131&page=1&tbnh=153&tbnw=200&start=0&ndsp=12&ved=1t:429,r:8,s:0&biw=1024&bih=753

PICASSO DISSE QUE...

(*)... há pessoas que transformam o Sol numa simples mancha amarela mas há também as que fazem de uma simples mancha amarela o próprio Sol...

 

 Pablo Picasso

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=sol%2BPicasso&um=1&hl=pt-PT&sa=G&tbm=isch&tbnid=NOdJNQozUrUkVM:&imgrefurl=http://lauravive.blogspot.com/2010_02_01_archive.html&docid=arHEjrt9ErIG8M&w=320&h=233&ei=fWJmTvb4LYyE-waQvLynCg&zoom=1&iact=rc&dur=729&page=1&tbnh=119&tbnw=164&start=0&ndsp=18&ved=1t:429,r:11,s:0&tx=87&ty=64&biw=1140&bih=562

O MATERIAL...

... TEM SEMPRE RAZÃO!

 

Esta máxima que me ensinaram na tropa veio mais uma vez mostrar que continua válida.

 

Andava eu às voltas com a Internet a pensar o que o pudor me impedia de dizer até que me meti nos pezinhos e fui ver da competência do material. E pronto, lá fizemos as pazes e eis que retomo o curso normal dos acontecimentos.

 

Aos leitores, um pedido de desculpas; ao fabricantes das pen's, um pedido para que o material seja mais duradoiro; a quem dependa da certeza das «coisas», a sugestão de procurar a razão do material; a todos, votos de felicidades.

 

Continuemos...

 

Henrique Salles da Fonseca

A FRAQUEZA DA TÉCNICA

Fiamo-nos nas «coisas» e tomamo-las como garantidas; quando elas falham sentimo-nos perdidos.

 

Eis o que vem acontecendo com a "banda" que se tem revelado mais estreita do que a largura anunciada não me dando acesso à Internet durante as «horas cristãs».

 

Explicada a interrupção no ritmo diário das publicações a bem da Nação numa época em que elas mais se justificam, fica a garantia da minha perene militância e a confissão de evidente impotência perante a fraqueza da técnica.

 

E, das duas, uma: ou o assédio alheio à "banda" abranda ou os Técnicos alargam a dita.

 

Se tais hipóteses não acontecerem, lá virá mais daquilo a que os eruditos chamam "soluções de continuidade" e a que nós, os normais, chamamos interrupções.

 

Assim como fazemos perante a Troyka, mantenhamos a Fé na vinda de melhores dias.

 

Entretanto, apesar dos males carpidos, a água do mar está a 24 graus centígrados. Deo gratias!

 

Votos de boas continuações para todos que nos lêem...

 

Henrique Salles da Fonseca

AUTOMÓVEL CLUBE DE PORTUGAL

 

 

Sugeria-me há tempos o ACP por e-mail que eu fosse ao Porto ver um salão de carros assim e assados… e encimava a sugestão com o slogan «é claro que sou Sócio».

 

Respondi de imediato mas não vi na revista a publicação da minha resposta.

 

Ei-la:

 

Sim, é claro que sou Sócio! Mas com uma sensação de enorme inutilidade.

 

Numa época em que o automobilista é o maior contribuinte do Estado Português, em que os políticos (sobretudo os autárquicos) diabolizam a circulação e estacionamento automóvel e infernizam a vida do automobilista, raramente se vê o ACP assumir posições de frontalidade em defesa dos seus Sócios.

 

Será que o ACP concorda com essas políticas impeditivas do acesso automóvel a zonas urbanas, com o condicionamento da circulação, com as faixas BUS que impedem  os Contribuintes de circular beneficiando o recebedor de subsídios públicos? Ou será que, discordando, tem medo?

 

Disciplinar o trânsito nada tem a ver com impedir o trânsito; condicionar o trânsito em circuitos essenciais (Ribeira das Naus, em Lisboa) e impedir a circulação num dos sentidos na Cintura do Porto de Lisboa junto ao Cais do Sodré fazem parte duma política pseudo-ecológica sem bases científicas credíveis e apenas fundamentada na demagogia eleitoralista de agredir o vicioso burguês motorizado para agradar ao proletário peão.

 

E o ACP vê e cala ou pouco faz em vez de liderar um movimento significativo que ponha os políticos em sentido.

 

Sou Sócio do ACP exclusivamente para efeitos de eventual assistência em avaria. Todas as demais actividades do Clube me parecem inúteis e dou muito mais crédito à DECO (que tem que acorrer a todos os Sectores) do que ao Automóvel Clube de Portugal que beneficia do facto de só ter que se dedicar ao Automóvel; mas fá-lo de um modo diletante, superficial, praticamente inútil.

 

Henrique Salles da Fonseca (Sócio nº 13096-0)

 

O DRAMA SALVADOR-ANGÉLICO

  (*)

 

Angélico Vieira não resistiu ao brutal acidente de viação que sofreu e acabou de falecer. A geração “Morangos com Açúcar” já tem o seu mártir.

 

Para o caso não interessa nada que o carro circulasse na via pública sem seguro, ou que a maioria dos ocupantes não tivesse colocado o cinto de segurança. Também parece não interessar a ninguém saber a que velocidade ia a viatura ou se condutor apresentava excesso de álcool ou drogas no sangue. Ninguém falou disso. A comunicação social em peso preferiu a exploração do efeito emocional e ficou por aí.

 

Mais ou menos na mesma altura morreu o empresário Salvador Caetano. É verdade que o senhor tinha 85 anos e estava doente, mas a histeria mediática à volta do desaparecimento do jovem artista Angélico Vieira, por contraste com a discrição da notícia da morte do empresário nos órgãos de informação dá-nos um excelente

 

Por aqui se vê que um jovem cantor e actor é muito mais importante do que um homem que subiu na vida a pulso, construiu um império industrial, contribuiu para a produção da riqueza nacional e deu emprego a milhares de pessoas.

 

Por aqui se vê que para muita gente é mais importante uma novela de duvidosa qualidade, com adolescentes, do que construir fábricas, criar empregos no país e dar pão a inúmeras famílias.

 

Apesar de tudo entendo muito bem a reacção dos adolescentes neste caso. A culpa desta inversão de valores nem sequer é deles. É da geração anterior, dos pais, que os educaram assim. Para a diversão e não para o trabalho.

 

29 de Junho de 2011

 

Recebido por e-mail, Autor não identificado

 

(*)http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://www.gruposalvadorcaetano.pt/bin/XPQ0324CC266143190811CBZKU.jpg&imgrefurl=http://www.gruposalvadorcaetano.pt/html/grupo__q1id_class_--_3D5__--_3D_l_--_3DPT__q20__q30__q41__q5.htm&usg=__WpBVj0y5f2joQT6DoMk4mQD0khs=&h=185&w=179&sz=18&hl=pt-PT&start=0&sig2=5dT-5C4utuwAr9NwZcXxnQ&zoom=1&tbnid=8r5hHXJn39A_FM:&tbnh=148&tbnw=143&ei=QLoSTtfJA4_1-gbGnKTjDQ&prev=/search%3Fq%3Dsalvador%2Bcaetano%26um%3D1%26hl%3Dpt-PT%26sa%3DN%26biw%3D979%26bih%3D482%26tbm%3Disch&um=1&itbs=1&iact=rc&page=1&ndsp=8&ved=1t:429,r:0,s:0&tx=85&ty=57&biw=979&bih=482

ZARATUSTRA FALAVA ASSIM

 (*)

 

Já tínhamos comentado o escândalo do sangue colhido para salvar vidas humanas, metade do qual desperdiçado, incinerado, por falhas no armazenamento, e a minha amiga exaltou-se ao seu jeito exacerbado, comentando sobre os milhões que representava a importação de sangue. Também se falou nos copianços dos candidatos a juízes, nos seus exames de cruzes. E no alcance negativo das greves na TAP sobre a economia da nação…

 

E falou-se no texto de Pezarat Correia, que, no rastro de Ana Gomes, que ele muito admira, ao que afirmou, acusa Paulo Portas porque mentiu deliberadamente há uns anos, sobre o pretenso armamento iraquiano, após uma sua visita aos Estados Unidos. Ana Gomes limitara-se a referir os submarinos, e mais umas observações de delírio provocatório comparativo, sobre Strauss-Kahn, Correia acrescentou a questão do armamento no Iraque, inquestionável segundo Portas, que provocara a guerra que destruiria o ditador Hussein. Um mentiroso deliberado não podia, pois, ser eleito ministro, segundo Correia, indignado e esquecido.

 

Esquecido de que também ele mentira ao jurar defender a pátria antes dos cravos de Abril, atraiçoando as suas juras anteriores com os tais cravos. Esquecido igualmente de que o governo do Ex-Primeiro Ministro fora assente sobre alicerces de mentira e dolo e assim vivera, seis longos anos. Matando, é certo, princípios e sobrevivência, mas Pezarat fora dos que se safara, que ganhara com a sua acção de incumprimento, fora dos que sobrevivera, protegido pelo sistema, como muitos dos companheiros da destruição, convinha-lhe continuar.

 

Não, não lhe convinha mesmo mudar de rumo, esquecido da multiplicação dos sem abrigo, do aumento dos desempregados, do débito pátrio crescente. Um novo governo nascera, mas era preciso deitá-lo abaixo à partida, com a saliência das Gomes e dos Correias deste nosso mundo ilimitado, na pequenez de princípios.

 

Ia começar tudo de novo, mau grado as promessas de Passos Coelho de que não iria contra-atacar. Mas são muitos os Pezarats, são muitas as Anas das nossas pequenas saliências.

 

E nós assim falámos dessas e doutras coisas neste país de coisinhas. Como Zaratustra – Zoroastro nos meus tempos do liceu - falámos do Bem e do Mal, mais visível, todavia, o Mal, por cá.

 

Transcrevo, da Internet, princípios piedosos do Zend-Avesta que ainda hoje nos serviriam, se quiséssemos segui-los:

 

«Zaratustra propõe que o homem encontre o seu lugar no planeta de forma harmoniosa, buscando o equilíbrio com o meio (natural e social), respeitando e protegendo terra, água, ar, fogo e a comunidade. O cultivo de mente, palavras e acções boas é de livre escolha: o indivíduo deve decidir perante as circunstâncias que se apresentam em determinado facto. A boa deliberação, ou seja, uma boa reflexão a respeito de cada acção faz surgir uma responsabilidade social para colaborar com o projecto que Deus propôs ao mundo. Os seres humanos, portanto, possuem livre-arbítrio e são livres para pecar ou para praticar boas acções. Mas serão recompensados ou punidos na vida futura conforme a sua conduta.

 

Os principais mandamentos são: falar a verdade, cumprir com o prometido e não contrair dívidas. O homem deve tratar o outro da mesma forma que deseja ser tratado. Por isso, a regra de ouro do Mazdeísmo é: "Age como gostarias que agissem contigo".

 

Entre as condutas proibidas destacavam-se a gula, o orgulho, a indolência, a cobiça, a ira, a luxúria, o adultério, o aborto, a calúnia e a dissipação. Cobrar juros a um integrante da religião era considerado o pior dos pecados. Reprovava-se duramente o acúmulo de riquezas.

 

As virtudes como justiça, rectidão, cooperação, verdade e bondade, surgem com o princípio organizador de Deus Ascha, que só se pode manifestar com o esforço individual de cultivar a Tríplice Bondade. Esta prática do Bem leva ao bem-estar individual e, consequentemente, colectivo. A comunidade somente pode surgir quando o indivíduo se vê como autónomo, e desse modo pode descobrir o outro como pessoa. O ego é valorizado como fonte para o reconhecimento do próximo. Cultivado de forma sadia, o ego torna-se forte e poderoso para o homem observar a si próprio como membro da comunidade e capaz de contribuir para o bom relacionamento harmonioso com os outros seres.

 

Por isso, eram incentivadas as virtudes económicas e políticas, entre elas a diligência, o respeito aos contratos, a obediência aos governantes, a procriação de uma prole numerosa e o cultivo da terra, como está expresso na frase: "Aquele que semeia o grão, semeia santidade". Havia também outras virtudes ou recomendações de Ahura Mazda: os homens devem ser fiéis, amar e auxiliar uns aos outros, amparar o pobre e ser hospitaleiros.

 

A doutrina original de Zaratustra opunha-se ao ascetismo. Era proibido infligir sofrimento a si, jejuar e mesmo suportar dores excessivas, visto o facto de essas práticas prejudicarem a alma e o corpo, e impedirem os seres humanos de exercerem os deveres de cultivar a terra e de procriar. Essas prescrições fomentavam a temperança e não a abstinência. Assim, as exortações e interdições destinavam-se a proporcionar aos homens uma boa conduta, além de reprimir os maus impulsos.

 

As revelações e profecias de Zaratustra estão contidas nos Gathas, cinco hinos que formam a mais antiga parte do livro do Mazdeísmo, o Avesta. Os Gathas datam do final do segundo milénio a.C….. Originalmente, esses hinos eram transmitidos oralmente. Grande parte do Avesta original foi destruída, com a invasão de Alexandre Magno e com o domínio posterior do Islamismo. As escrituras sagradas do Mazdeísmo, o Avesta ou Zend-Avesta, como se tornaram mais conhecidas no ocidente, significam "comentário sobre o conhecimento".

 

O Zoroastrismo é uma das religiões mais antigas e de mais longa duração da humanidade. O seu monoteísmo influenciou as doutrinas Judaica, Cristãs e Islâmicas... Como já mencionado, a base da doutrina de Zaratustra é o dualismo Bem-Mal. O cerne da religião consiste em evitar o mal por intermédio de uma distinção rigorosa entre Bem e Mal. Além disso, é necessário cultivar a sabedoria e a virtude…»

 

Abençoada Internet!

 

 Berta Brás

 

(*)http://www.google.pt/imgres?imgurl=https://1.bp.blogspot.com/-NoaEJej0TjM/TZ4sjoarOlI/AAAAAAAAASQ/rV_388wy0-8/s400/_Zaratustra.jpg&imgrefurl=http://www.guilhermenaville.com/2011/04/biografias-zaratustra.html&usg=__CYCWoVJMmfY8eOyKuf-B_k8pC9w=&h=250&w=175&sz=12&hl=pt-PT&start=89&sig2=2sb0Fd9dAJmhqAsZd0mwqg&zoom=1&tbnid=AOW9dOROG0FDnM:&tbnh=137&tbnw=96&ei=pAQNTvPpBcXF8QOS1qTNDg&prev=/search%3Fq%3Dzaratustra%26um%3D1%26hl%3Dpt-PT%26biw%3D1024%26bih%3D753%26tbm%3Disch&um=1&itbs=1&iact=hc&vpx=403&vpy=310&dur=1345&hovh=167&hovw=117&tx=89&ty=88&page=5&ndsp=24&ved=1t:429,r:8,s:89&biw=1024&bih=753

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