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A bem da Nação

LIDO COM INTERESSE – 82

A BÍBLIA DE BARRO.jpg

 A BÍBLIA DE BARRO, Júlia Navarro, Bertrand Editora, 1ª edição Maio de 2016

 

O ISLÃO E A REVOLUÇÃO FRANCESA

 

(…) todos os países deviam ter uma [Revolução Francesa] que abrisse caminho à luz e à razão. [Sob o Islão], os instruídos (…) baseiam o seu poder e riqueza na miséria dos seus compatriotas.

(…) O Islão impede-vos de fazer a revolução burguesa. Até separarem a política da religião, não vão a lado nenhum. (…) causa-me repulsa ver algumas das tuas compatriotas tapadas da cabeça aos pés (…) Indigna-me que caminhem a trás dos maridos ou que não possam falar tranquilamente com um homem.

(pág. 371 e seg.)

 O ISLÃO E A POLÍTICA

Interessa que continuem a ser escravizados pelos vossos governantes corruptos e que pensem que a culpa de todos os males cabe ao Ocidente, aos infiéis e que a solução consiste em passa-los a fio de espada. Mantêm as pessoas na ignorância para melhor se servirem delas e o pior é que gente [erudita] nada faz e cruza os braços abstraindo-se do que se passa à sua volta porque nada lhe falta.

(pág. 387)

 

Novembro de 2018

Henrique Salles da Fonseca, Delhi.JPG

 Henrique Salles da Fonseca

(Mesquita de Delhi, JAN08)

ECCE POPULISMUS – 4

 

O CAUDILHISMO BONAPARTISTA

 

Historicamente, o populismo tornou-se uma força importante na América Latina, principalmente a partir de 1930, estando associado à urbanização e à dissolução das estruturas políticas até então na mão de aristocracias rurais. No Brasil, remetamo-nos à figura de Getúlio Vargas; na Argentina, a Juan Péron e a sua mulher, «Evita».

 

A política populista caracteriza-se menos por um conteúdo determinado do que por um "modo" de exercício do poder, a demagogia, ou seja, dizendo ao povo o que ele quer ouvir. O que, na prática mais comum, consiste apenas em dizer mal das elites.

 

Para ser eleito e governar, o líder populista procura estabelecer um vínculo emocional com o "povo". Isso implica um sistema de políticas ou métodos para o aliciamento das classes sociais de menor poder aquisitivo, além da classe média urbana, como forma de angariar votos através da simpatia daquelas.

 

O populismo é denegrido pelas correntes político-ideológicas, tanto de esquerda como de direita. O termo tem sentido pejorativo e é usado como arma de combate discursivo para a desqualificação do oponente.

populismo.png

 

Na Argentina, a anti-peronista União Cívica Radical e no Brasil, a direita representada pelo anti-varguismo da UDN – União Democrática Nacional, sempre recriminaram o populismo pelas suas práticas vulgares e atitudes "demagógicas", nomeadamente a concessão de benefícios sociais através do aumento da despesa pública, a chamada «compra de votos». Por outro lado, a esquerda criticava o caráter desmobilizador das benesses populistas que faziam crer que tudo dependia apenas da vontade de um caudilho bonapartista.

 

Recentemente, as críticas mais frequentes apontam para que o populismo promove uma espécie de pseudo-democracia ao beneficiar os sectores de classe média e baixa com prejuízo dos demais cidadãos e limitam o poder das elites políticas.

 

Outubro de 2018

Barranco, Lima, Peru, 12 de Outubro de 2017.jpg

 Henrique Salles da Fonseca

(em Lima, Peru)

ECCE POPULISMUS – 3

FALA MOLE OU MAIS DO MESMO

Desiludido (CDA).png

 

Foi num cenário de exigência de igualdade, de construção duma sociedade sem classes, de reforma agrária, invasão de terras, de latifundiários em fuga ou resignando de vastas áreas e de uma geração de jovens que se consideravam na sombra social mas que agora estavam dispostos a conquistar um lugar ao Sol, que os revolucionários perceberam que podiam levar por diante a sua obsessão de implantação do comunismo. Tinham à disposição jovens universitários ávidos da motivação que lhes proporcionaria a justiça social. Todos, em idades propícias à absorção de emoções e de grande inocência perante a «lavagem ao cérebro» que lhes era feita por marxistas «plantados a dedo» nas Associações de Estudantes das Universidades. O método foi o de não transmitir argumentação crítica mas sim pensamentos emotivos baseados em ideias simples e dogmáticas, essência do fanatismo.

 

Mas, afinal, os inocentes sabiam ler e não pertenciam a outra classe que não a da burguesia. Pequena, talvez, mas burguesia e não proletariado. E mesmo que tivessem origens proletárias, as suas ambições íntimas eram burguesas.

 

O desencanto foi o destino quando viram os seus ideais de liberdade e glória social atraiçoados pela realidade da ditadura do proletariado, pelas decisões «unânimes» dos Comités Centrais, pela vigilância dos controleiros, enfim, por algo que nada – mas absolutamente nada – tinha a ver com democracia.

 

E esse continua a ser o erro da esquerda dogmática, o de julgar que lida com proletários quando, na realidade, lida com burgueses que não se deixam manipular como boçais que efectivamente não são.

 

E onde encontrar essas massas proletárias ávidas da liberdade propagandeada quando a indústria foi desmantelada pelas exigências absurdas desses dogmáticos que entretanto regem a gerontocracia em que se deixaram cair? Esse é o vazio perante o qual os velhos esbarram e só não se desmobilizam porque não conhecem outra doutrina que não a da cartilha soviética. Para esses, é tardia a mudança e só o dogmatismo lhes sustém um pouco o desespero porque se pudessem pensar por si próprios, há muito que também eles para lá teriam resvalado de corpo inteiro.

 

Pois é, o século XXI ocidental não tem o dogma como paradigma e, pelo contrário, a sua juventude puxa pela cabeça ao enfrentar a invasão de outras civilizações – essas, sim, dogmáticas – para sobreviver mantendo os Valores da liberdade democrática e algum bem comum.

 

O desencanto da geração que nasceu nos 50 não foi suficiente para prevenir o embate civilizacional neste início do séc. XXI deixando a liderança a Partidos amolecidos que terão uma séria responsabilidade no que de mal nos acontecerá depois de todos estes desencantos se somarem. Mais do que uma sociedade acomodada, os invasores encontram uma sociedade liderada maioritariamente por Partidos contentes com a suavidade do politicamente correcto que construíram; todos liberais só divergindo nas congregações mais ou menos conhecidas, mais ou menos secretas em que os seus membros se integram, todos empenhados na divisão do bolo sem que o eleitor se aperceba claramente do que lhe sonegam.

 

Mas há sempre um limite pois não se pode enganar toda a gente durante todo o tempo.

 

E, das duas, uma: ou nos resta navegar de desencanto dogmático em desencanto de moleza se não tivermos a força das convicções profundas da liberdade democrática como a temos entendido no Ocidente desde a segunda guerra mundial ou então, resta-nos seguir a sugestão de Karl Popper que é, na consumação do desespero global, irmos todos para o Inferno.

 

Contudo, há mais um «mas» que é o de não nos deixarmos manipular nem nos deixarmos amolecer. E isso pode ser muito mau para quem nos tem manipulado e amolecido sob o título da governança pacífica e da continuidade dessa mesma governança. Pacífica ou podre? Eis a questão.

Trump.jpg

Questão que horroriza a diplomacia do croquete perante quem fala grosso, mesmo que do nosso lado e tenha sotaque de Manhattan. Mais do que o conteúdo do discurso, o que mais horroriza a diplomacia côr-de-rosa é o tom. O que não isenta o Fulano de uma certa boçalidade. Mas não será o tempo de se usar um pouco dela perante a invasão sunita da Europa?

 

Outubro de 2018

Cabo Sounion 1-MAR18.JPG

Henrique Salles da Fonseca

CITAÇÃO LITERÁRIA

DIABETES

 

Tirou um frasquinho do bolso da camisa e pôs em cima da secretária uma pastilha branca do tamanho de um feijão.

O Coronel aproximou-se da secretária, examinou-a na palma da mão até que D. Sabas o convidou a saboreá-la.

- É para adoçar o café – explicou. – É açúcar, mas sem açúcar.

- Evidentemente – disse o Coronel, com a saliva impregnada de uma doçura triste. – É o mesmo que repicar mas sem sinos.

 

Gabriel Garcia Márquez.jpgGabriel García Márquez

In «Ninguém Escreve ao Coronel», Abril Controljornal, Edipress, Junho de 2000, pág. 54 e seg.

O INCÓMODO DO PENSAMENTO

 

 

Pensar incomoda como andar à chuva

Quando o vento cresce e parece que chove mais.

(…)

Ser poeta não é uma ambição minha,

É a minha maneira de estar sozinho.

Alberto Caeiro (Almada Negreiros).pngAlberto Caeiro

 In “O Guardador de Rebanhos”

 

O poeta que me perdoe mas prefiro o incómodo à acefalia.

 

Quanto à poesia, creio que há muito quem se limite aos jogos de palavras e sons pelo que raramente ela faz sentido no papel; prefiro-a na vida.

 

Outubro de 2018

 

098.JPG

 Henrique Salles da Fonseca

(algures na Indonésia, SET18)

ESCRITORES ESQUECIDOS

 

Boileau.jpg

 NICOLAS BOILEAU

 

Nicolas Boileau-Despréaux (Paris, 1636 — Paris, 1711) jurista, crítico e poeta francês. Publicou o seu primeiro volume de sátiras em 1666. Foi apresentado na corte em 1669 após a publicação de seu Discurso sobre a sátira.

 

Desde cedo aprendeu a não ter qualquer ilusão e cresceu com "o desprezo pelos livros estúpidos". Foi educado no Colégio de Beauvais e continuou os seus estudos de Teologia na Sorbonne. Mudou de curso, para Direito. Seguiu-se breve carreira como advogado. O pai morreu em 1657 deixando-lhe uma pequena fortuna, de forma que se pôde dedicar às letras.

 

PAROLES DU POÈTE À SON JARDINIER, ANTOINE

Antoine, de nous deux, tu crois donc, je le vois,

Que le plus occupé dans ce jardin, c’est toi.

Oh! Que tu changerais d’avis et de langage,

Si, deux jours seulement, libre du jardinage,

Tout à coup devenu poète et bel esprit,

Tu t’allais engager à polir un écrit

Qui dît, sans s’avilir, les plus petites choses,

Fît des plus secs chardons des oeillets et des roses…

 

* * *

 

Sim, eu também não duvido de que os trabalhos braçal e intelectual produzem cansaços bem diferentes.

 

 SET18.JPG

Henrique Salles da Fonseca

 

 

BIBLIOGRAFIA

  • Wikipédia
  • «Anthologie de la poésie française», Annie Collognat-Barès, LE LIVRE DE POCHE, Libretti, 1ª edição, Setembro de 1998

 

 

 

EURO - MOEDA COMUM?

EURO ZERO.jpg

 

Acho uma certa graça ouvir os que se referem ao Euro como a moeda comum aos países da chamada «eurolândia». Será que acreditam mesmo no que dizem?

 

É que o Euro só é comum no nome por que optaram os países que a ele aderiram pois, quanto ao mais, cada país vale por si e não pode contar com mais nada para além das obrigações que com a adesão assumiu. Refiro-me à paridade perante moedas terceiras, o que implica uma política monetária e cambial praticada pelo Banco Central Europeu e não mais pelos ex-bancos centrais. E quase só isso.

 

É que no relacionamento inter-pares, tudo funciona como se cada um valesse por si. E é isso mesmo, cada um vale mesmo só por si. Ou tem crédito sobre os demais ou não tem esse crédito e tudo falha no que se refere à «solidariedade financeira».

 

Se um banco do país A esgotar o crédito que tenha sobre os bancos do país B, C ou D, deixa de ter capacidade de financiamento das transacções que os seus clientes queiram fazer com origem nesse país B, C ou D, importações nomeadamente. Mesmo que o cliente lhe tenha depositado os Euros (internos) para financiamento da operação em causa. É que os Euros cá de dentro não significam crédito lá fora, em Euros de lá.

 

Ou seja, tudo se assemelha ao antigamente: ou o nosso banco tem crédito sobre os seus parceiros externos ou não o tem. E não o tendo, tudo cessa se o nosso banco não se quiser expor de tal modo que a solução seja do tipo da absorção do devedor pelo credor.

 

Portanto, chamar moeda comum ao Euro pouco menos é do que mero bluff. É, sim, uma moeda com nome comum e quase só isso mesmo.

 

20 de Outubro de 2018

Henrique Salles da Fonseca.png

Henrique Salles da Fonseca

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