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A bem da Nação

DEVANEIOS

 

COMÉRCIO DE METAIS RAROS SEM CHANTAGENS

 

1

 

Em Outubro de 2012 divulguei a grande procura de pentóxidos de columbite – tantalite a nível mundial, com profusos dados estatísticos, anteriormente compilados. Desta vez vou analisar a panorâmica de actual exploração, refinação e comércio mundial duns 16 elementos metálicos, uns bivalentes, outros trivalentes e outros ainda polivalentes em terminologia tecnológica de sua utilização, cada qual com suas propriedades características.

 

Para satisfazer as necessidades de consumo desses metais raros, uma meia dúzia de países empenham-se nesse comércio de importação/exportação, tais como China, Estados Unidos, Japão, Austrália, Cazaquistão, Índia e Canadá. O comércio exportador atinge cerca de US$2 biliões, tanto como o valor da produção de pastilha elástica nos EUA. Mas a relevância desse comércio exportador de metais raros é altíssima para o regular funcionamento das grandes indústrias, sobretudo da indústria das novas tecnologias.

 

Ressalta aos olhos que na falta ou no atraso duns gramas de Disprósio (Dy/66), o fabrico de automóveis Toyota Prius (custando uns US$25.000) ficaria paralisado, embora o custo desse metal não ultrapassasse umas dezenas de dólares. Também 100 computadores ficariam imobilizados com a falta duns gramas de Neodímio (Nd/60) custando alguns cêntimos de dólar. Tudo na vida é relativo. A falta dum parafuso ou um parafuso mal apertado pode fazer cair um avião e matar na sua queda centenas de inocentes passageiros…

 

Os chamados metais raros, ditos em química “terras raras”, verdadeiramente não são tão raros como se pinta. Cério (Ce/58) é mesmo um abundantíssimo elemento metálico maleável e usado para polir os cristais. Outros metais raros são extraídos de rochas, à martelada na sua trituração e depois sujeitos à adequada refinação. Essas operações são morosas e de difícil labuta, dali serem chamados metais raros, isto é, não facilmente exploráveis como os vulgares metais do comércio mundial.

 

2

 

A China, em 1986, suplantou os Estados Unidos como o maior exportador de metais raros graças às suas enormes jazidas conhecidas desses metais, à mão de obra vasta e baratíssima e ainda aos enormes investimentos das próprias empresas, exploradoras e exportadoras. Seis anos depois o Governo da China insistiu na mais intensa pesquisa, exploração e exportação de metais raros assinalando-se com 95% do seu comércio exportador mundial. Em 2002 os Estados Unidos, face à concorrência chinesa, tiveram de fechar sua maior empresa exploradora de metais raros em Montana Pass cerca de 80 km a sul de Las Vegas, Califórnia.

 

Cônscia da sua posição dominante no comércio mundial de metais raros, a China tomou duas fortes medidas: reduziu em 40% o volume de exportação desses metais raros permitidos às empresas em 2010 e baixou seus investimentos na sua pesquisa e sua exploração, unicamente para aumentar o preço desses metais raros.

 

Como tivesse surgido num impasse o conflito militar sino-nipónico sobre a ocupação dumas ilhas em disputa, a China recorreu à chantagem política, proibindo e suspendendo em dois meses qualquer exportação de metais raros ao Japão, causando um pânico nesse seu maior comprador habitual, absorvendo 66% das exportações de metais raros chineses.

 

O pânico fora quase universal. O mundo livre reagiu contra esta brutal medida, levando o Japão, os EUA, a Austrália e o Canadá a fazer maciços investimentos à procura de novas jazidas de metais raros, nos seus respectivos países ou fora deles, como no Cazaquistão e na Índia. Também esses países desenvolveram novas técnicas na substituição parcial ou total dos metais raros. A cotação mundial de metais raros que subira 300% a 1000%, bruscamente caiu. Alguns países do sudeste da Ásia (Vietname) recorreram ao expediente de recuperar os metais raros do monturo de máquinas, compressores, aparelhos de ar condicionado, veículos híbridos, telemóveis e computadores jogados nos montes de lixo.

 

Nem o Japão nem o mundo livre se dobraram aos pés da China perante a chantagem política jogada e fizeram que esta tivesse efeitos de boomerang... Em Novembro de 2012 a Nissan anunciou que tinha reduzido em 40% seu consumo de Dy/66 no fabrico de novos magnetes para seus motores eléctricos. Só DEUS sabe que futuro nos aguardará quando o Dragão Chinês despertar: já Napoleão Bonaparte pôs a Humanidade de sobreaviso sobre esta eventualidade, há mais de dois séculos!

 

 

III

 

Não sou geólogo, nem mineralogista, nem engenheiro de minas, mas gostaria que esses peritos se dedicassem à pesquisa na localização de jazidas de metais raros no espaço português, desde o Minho até às lonjuras dos nossos arquipélagos do Oceano Atlântico.

 

Estou certo de que a procura de metais raros será cada vez maior nos próximos tempos dados os avanços no mundo da Tecnologia, em constante evolução, e a corrida imparável de concorrência e disputa entre os empresários e capitalistas multibilionários.

 

Os 16 metais ditos raros, com seu respectivo número atómico e com algumas de suas características próprias vão aqui mencionados a título de curiosidade. Eis esses metais raros em apreço:

 

CERIUM (Ce/58) – encontrado em abundância, elemento metálico dúctil e maleável, usado para polir cristais; DYSPROSIUM (Dy/66) – usado na formação de magnetes altamente compostos e em RAIOS X (tomografia); ERBIUM (Er/68) – elemento metálico trivalente, encontrado em associação com Yttrium; EUROPIUM (Eu/63) – elemento metálico bivalente e trivalente encontrado em depósitos de monazite; GADOLINIUM (Gd/64) – elemento metálico trivalente e magnético, encontrado em gadolinite e vários outros minérios; HOLMIUM (Ho/67) – elemento metálico trivalente, encontrado com Yttrium e formando compostos altamente magnéticos; LANTHANUM (La/57) – elemento metálico branco e macio, encontrado com Yttrium e outros minerais, é maleável e trivalente; LUTETIUM (Lu/71) – elemento metálico trivalente; NEODYMIUM (Nd/60) – elemento metálico trivalente, usado nos computadores; PRASEODYMIUM (Pr/59) – elemento metálico trivalente, branco-amarelado e encontrado em forma de sal, utilizado no fabrico de vidro verde-amarelo; PROMETHIUM (Pm/61) – elemento metálico resultante da subdivisão de urânio ou na irradiação de Neodymium por neutrão; SAMARIUM (Sm/62) – elemento metálico brilhante e de cor cinzento pálido; SCANDIUM (Sc/21) – “metal de transição” branco e trivalente; TERBIUM (Tb/65) – elemento metálico trivalente, encontrando-se associado com Europium, Gadolinium e Dysprosium; THULIUM (Tm/69) – elemento metálico trivalente; YTTRIUM (Y/39) – “metal de transição” encontrado junto com minérios de Dysprosium, Erbium, Gadolinium, Holmium, Lutetium, Terbium, Thulium e Yttrium.

 

Se os peritos e investigadores portugueses encontrarem rochas com alguns desses metais raros, em reserva comercial de apreço, a nossa taxa de emprego, bem como a nossa balança comercial certamente melhorarão. Deo volente!

 

Alcobaça, 10.03.2013 

 

  Domingos José Soares Rebelo

 

 

FONTES:

1. WEBSTER`S 7th New Collegiate Dictionary, Springfield 2, Mass., 1963;

2. FORTUNE magazine, Volume 181, Nº 6 de 18.02.2013.

DEVANEIOS

 

MINHA PRIMEIRA NOITE NUM HOSPITAL

 

I

 

Inegavelmente há sempre na existência humana um evento marcante, indelével e inesquecível, eivado bem no fundo do corpo e da alma, sobretudo com esse evento ocorrido na fase infantil ou pré-juvenil duma pessoa.

 

Há precisamente 90 anos levaram-me ao Hospital da então vila de Margão a fim de visitar e beijar meu pai com galopante gangrena duma perna que o vitimou no dia seguinte, 10.11.1922. Chocado com sua morte, fiquei apavorado com os hospitais julgando-os como um lugar donde os doentes saíam já mortos. O trauma infantil fez-me afastar dos hospitais, evitando mesmo visitar familiares e companheiros aí acolhidos para seu tratamento.

 

O adágio popular que «DEUS escreve direito por linhas tortas» verificou-se nos meados do corrente mês: fui obrigado a recorrer ao Hospital de Alcobaça por doença aguda. Aí estive das 9.30 horas às 14.30 horas e, por decisão do médico, fui despachado para o Hospital das Caldas da Rainha, bem provido e bem organizado, por suspeita de problema cirúrgico, onde três distintos clínicos uniram seu saber e abafaram o meu grande sofrimento. Foi nesse magnífico hospital que passei a minha 1ª noite num leito hospitalar, de que darei um breve relato. Dali em diante fui confiado à perícia da Médica encarregada de medicina interna, com uma equipa de jovens enfermeiros e auxiliares de ambos sexos, simpáticos, encantadores e de extrema dedicação, que muito me comoveu no fundo do coração.

 

II

 

Mal chegado ao Hospital das Caldas da Rainha, confiado aos cuidados da Secção de Medicina Interna com enfermeira e uma auxiliar, fui abordado com muito carinho e com extrema dedicação. Vendo meu rosto não enrugado submeteram-me a um cerrado interrogatório estranhando o meu sotaque e o meu ar de homem bem adulto, mas não caduco ou avelhentado. Assim quiseram saber a naturalidade, a nacionalidade, os estudos, as profissões exercidas e os países por onde emigrara, apenas levados pela curiosidade de lidar com alguém que ultrapassara 96 anos. Mesmo que estivesse algo sonolento, faziam cócegas para me despertar, como se eu fosse um fenómeno, alguém que não passava de modesto português e filho de Goa. Nunca deixei de responder às perguntas feitas sobre o meu passado e o meu presente, apenas comentando que tudo quanto fiz, o devo à Divina Providência.

 

Nunca imaginei que, entrado como um patriarca nonagenário, seria alvo de tantas e tão inesquecíveis atenções do pessoal médico e para médico dum hospital, onde iria passar a minha 1ª noite numa maca, tendo ao lado, direito e esquerdo, outros doentes, de ambos sexos e de variadas idades, uns gemendo seus abafados áis e uis em surdina, outros abafando seus sofrimentos em gritos dilacerantes e outros berrando de desespero no auge dos sofrimentos. Tudo isto para mim era uma novíssima revelação dum mundo até então desconhecido, numa visão panorâmica televisiva com magotes de gente em movimento socorrendo os adoentados com remédios e paliativos diversos, correndo aqui e acolá na extensão da enfermaria numa profusão de luz fluorescente duma cidade cosmopolita. O hospital afinal não era «a morgue» que eu gravara na penumbra da memória dos meus dias de infância, mas um lugar quase sagrado e dedicado a minorar os sofrimentos alheios num espírito de solidariedade humana, de caridade cristã, tal e qual era e é praticada pelos monges seguidores do santo português São João de Deus!

 

III

 

Da grande lição espiritual recebida em Caldas da Rainha e seu magnífico Hospital, no desejo de bem-fazer pelo próximo do bíblico samaritano, apelo aos prezados leitores para dar seu apoio, não apenas moral mas financeiro, já que os Serviços Médico-Sociais da Nação não têem à disposição verbas gigantescas do erário público a despender em saúde pública. Que cada um de nós, sobretudo os ricos e detentores de fortunas colossais e chorudas reformas e altíssimos salários, façam o que fez o bom samaritano.

 

 

 

Recambiado ao modesto Hospital de Alcobaça, se DEUS me deixar uns anos, farei algo pela melhoria de atendimento de idosos carenciados recorrendo a essa nobre instituição, originalmente fundada pela Misericórdia de Alcobaça. Cumprirei com a minha parte, se Deus me permitir a ventura de aliviar dessarte o sofrimento alheio!

 

 

Alcobaça, 28.02.2013

 

 Domingos José Soares Rebelo

DEVANEIOS

A RESIGNAÇÃO DE BENTO XVI VAI AFECTAR OS DESÍGNIOS DA IGREJA

 

 

I

A inesperada resignação do Sumo Pontífice é um grande tsunami a varrer o mundo da cristandade católica levando inúmeros jornalistas, noticiaristas e comentadores das redes de emissoras da Rádio e da TV a formular suas congeminações bem divergentes. De acordo com as célebres previsões do Arcebispo e Legado Papal na Irlanda, São Malaquias (1050/1148), e de Michel Nostradamus (1503/66), haverá apenas mais um papa a ocupar a cadeira de São Pedro em Roma, isto é, o novo papa será brevemente o último a ser eleito no Vaticano.

Descontando todavia essas previsões, tentarei apresentar testemunhos credíveis de dois Santos e de três Papas dos séculos XIX e XX sobre os perigos que correrá o Papado de Roma no 1º quartel do nosso século. Eis alguns deles numa ordem cronológica dos seus respectivos autores: 

 

 São JOÃO BOSCO (1815/88) – João Paulo Freire, em 1911, durante uma entrevista ao “L’ Echo du Merveilleux”, declarou que o Superior Geral dos Salesianos, Pe. Filipe Rigualdi, lhe confirmara que D. João Bosco antevira um Papa a fugir de Roma, 200 dias após rebentar uma Revolução na Itália, e a andar errante por 100 dias, após os quais retomara seu cargo e cantara o TE DEUM em acção de graças. A revolução a que D. Bosco referira eclodiria 400 dias após o mês de flores com duas luas cheias;   

 

 São PIO X (1835/1914) - Em 1909 teve uma horrível visão com o Papa a fugir de Roma e do Vaticano por cima de cadáveres de padres. No leito de sua morte ele murmurou que o Papa em fuga será um dos seus sucessores e da série dos Papas PIOS. O próximo papa a ser eleito chamar-se-á PIO XIII (?);

 

 PIO XI (1857/1939) - Teve uma chocante antevisão com cruel perseguição do Clero, dos Religiosos e do povo cristão, com tirania repressiva da juventude levada pela sua prevaricação e abnegação da Fé dos seus pais e antepassados;

 

 PIO XII (1876/1958) – Segundo a clarividente Pascale Maby, em 1947 este Pontífice avisou “que os homens se preparem para enfrentar privações que a Humanidade nunca conheceu”, mais acrescentando ela que o religioso italiano Pe. Claudi mencionara que o previsto “terrível flagelo” seria “instantâneo e de curta duração”.

 

Sou um modesto católico sem quaisquer dons de clarividente. Encontrei várias outras previsões de videntes com sinistros presságios sobre a Igreja de Roma e da Cidade Eterna que, de momento, não vale a pena mencionar ou comentar.

 

II

Na minha provecta idade hão-de estranhar muitos dos leitores que me tivesse debruçado sobre o impacto da resignação de Bento XVI, cujo título papal havia previsto no meu livro “Que Futuro na Encruzilhada dos Milénios?”, escrito em 1994, ainda inédito e em arquivo da Biblioteca Municipal de Alcobaça, cidade onde vivo desde meados de 1980. A Biblioteca Municipal dedicou em 21 de Julho de 2005 um Comunicado à Imprensa salientando a minha previsão sobre o título de Bento XVI do sucessor do Santo Padre João Paulo II. Vou reproduzir, em seguida, o texto integral desse Comunicado à Imprensa.

 

«A SUCESSÃO E O NOME PONTIFICAL DE BENTO XVI PREVISTOS POR INVESTIGADOR ALCOBACENSE EM 1994. 

Aquando do registo e inventariação do FUNDO DOCUMENTAL SOARES REBELO, oferecido à Biblioteca Municipal de Alcobaça (conforme relato da edição nº 603 de 10.03.2005 da Região de Cister) constaram os técnicos desta instituição que, já há mais de 10 anos, o seu ilustre doador e investigador de temas históricos alcobacenses, Sr. Dr. Domingos Soares Rebelo, antecipara o sucessor de João Paulo II e o respectivo nome pontifical em dois livros inéditos, dactilografados em português e em inglês, concluídos em Outubro de 1994 e em Maio de 1995 e arquivados nos volumes XIV e XV do riquíssimo espólio documental do referido Fundo, a saber:

 1. QUE FUTURO NA ENCRUZILHADA DOS MILÉNIOS? (Capítulo III, pág. 34 e parágrafo 4º) (Secção D- Nº30);

2. HOW TO FACE THE THIRD MILLENNIUM (Chapter III, page 59 and 2nd paragraph), by SAGITTARIUS (Secção D – Nº31).

Para satisfazer a curiosidade dos leitores transcrevemos, com a devida autorização do autor, a significativa passagem referente à sucessão papal e à designação pontifical do Cardeal Joseph Ratzinger ao subir o Trono de São Pedro em Abril de 2005:

“N’AS PROFECIAS DO PAPA JOÃO XXIII, fala-se numa linguagem esotérica do penúltimo Papa e sucessor de João Paulo II. Diz-se aí (op.cit. pags. 87/88) que jovens ululantes gritarão: “Bendito, Bendito, Bendito” e Carpi insinua que este seja o nome pontifical do próximo Papa, mas confessa que não sabe como explicar o significado da expressão: ”Dezasseis te contarão” ligada ao dito Papa.

No meu modesto raciocínio não terá o nome pontifical do sucessor de João Paulo II, contido nessas três palavras simples e cristalinas, a sua significação como Bento XVI?

Ao erudito escritor Pier Carpi se ficou a dever a magnífica obra LE PROFEZIE DI PAPA GIOVANNI- La storia dell umanità del 1936 a1 2033, 1976 com as profecias de Ângelo Roncalli (com versão portuguesa de Março de 1977), relatos estes investigados pelo sr. dr. Soares Rebelo nas citadas obras, ainda inéditas e textualmente diferentes.

Ao ilustre investigador e escritor dr. Soares Rebelo (a quem os técnicos da Biblioteca Municipal de Alcobaça agradecem a amizade e dedicação de tantos anos de convívio intelectual); ao nonagenário filho de Goa residente em Alcobaça há 25 anos, e que mantém de há muito um intervenção activa na imprensa de Alcobaça, Coimbra e Lisboa, endereçamos as nossas afectuosas saudações e os parabéns pela sua original interpretação da profecia relativa ao HOMEM que veio a calçar as Sandálias do Pescador Galileu em 2005.

BIBLIOLTECA MUNICIPAL DE ALCOBAÇA».

 

 

Alcobaça 17.02.2013

 

 Domingos José Soares Rebelo

DEVANEIOS

GENÉRICOS E FÁRMACOS PATENTEADOS

 

 

Na ordem do dia, ainda recentemente esteve entre nós em discussão o uso ou não dos genéricos. É um fenómeno universal preocupando de um lado os terapeutas e psicólogos e doutro lado um exército de interessados em lucros fabulosos com o lançamento desses fármacos (como certos capitalistas, multinacionais e laboratórios químico-farmacêuticos que põem o lucro como meta).

 

Para estes, a produção dos seus produtos é um autêntico negócio, mas foram publicamente acusados e denunciados de falta de honestidade em prejuízo de milhões de portadores de doenças graves e incuráveis (cancro, diabetes, doença de Alzheimer, Parkinson, epilepsia, hipertensão, hipertiroidismo, lúpus et alia).

 

Se não sou médico ou químico-farmacêutico, como nonagenário bem avançado, por medida de precaução, faço uso de drogas patenteadas, embora não deixe de acreditar na utilidade dos genéricos produzidos por firmas confiáveis.

 

Esta circunstância permite-me formular uma opinião sobre o assunto da temática em epígrafe num à vontade, sem mal dizer todos os fabricantes de fármacos e sem deixar de apontar aqui a louvável e indesmentível contribuição da maior parte deles para minorar o sofrimento físico e mental de milhões de doentes. Ao mesmo tempo, sem deixar de condenar os que impingem fármacos adulterados, em versões diferentes do fármaco original, quer patenteado quer não, provocando resultados adversos pela utilização de substâncias activas e de excipientes complementares de qualidade inferior, como foi denunciado na imprensa norte-americana e noutros órgãos de informação daquele grande país.

 

A citada denúncia pública levou a FDA (Food and Drug Administration), universalmente conhecida pela sua benéfica actuação, a mandar retirar da circulação e do uso terapêutico um fármaco (2ª versão) com composição adulterada, provocadora de reacções adversas em inúmeros queixosos, doentes crónicos e utilizadores do fármaco.

 

O Congresso Norte Americano, alertado pela denúncia pública, impôs nova legislação restritiva apertando a exigência de maior controle e de activa inspecção da indústria químico-farmacêutica, quer no País, quer no estrangeiro onde se situam as sucursais das multinacionais americanas fornecedoras dos seus produtos ao consumo de doentes nos EUA e noutros países consumidores. Também recentemente o Departamento de Justiça dos EUA condenou uma grande firma produtora de medicamentos genéricos da Índia, ao pagamento duma indemnização de US$500 milhões, por se ter encontrado nos frascos do genérico utilizado como hipotensor, comprimidos em cujo interior foram detectadas minúsculas partículas de vidro, no fim de sete anos de investigações laboratoriais.

 

Ainda nos EUA, as sociedades médicas American Academy of Neurology, Endocrine Society e American Heart Association, recomendam cautela aos médicos para não recorrer ao uso de genéricos que podem produzir efeitos terapêuticos adversos. 

 

Digladiam-se em lutas constantes os industriais de fármacos patenteados e de genéricos, em longos e dispendiosos litígios forenses, ora ganhando uns ora ganhando outros. Quem ganha, arrecada uma choruda indemnização e aproveita-se disso para aumentar os preços aos consumidores, dessarte elevando o capital e a procura do seu produto, o que não é muito moral.

 

Segundo a Associação de Genéricos Farmacêuticos dos EUA, em 2012 o uso dos genéricos poupou ao público consumidor $193 biliões e os industriais de genéricos comprometeram-se nos próximos cinco anos contribuir com $299 milhões, por cada ano, ao FDA para esta agência federal norte-americana exercer maior controle e mais eficaz inspecção dos fabricantes de fármacos, patenteados ou não. São medidas louváveis que redundarão em ganho da simpatia do público consumidor pelos genéricos.

 

Oxalá que a Moral prevaleça nos industriais de fármacos, patenteados ou não, pondo de parte a mira de lucros fabulosos à base da exploração do sofrimento de milhões de pessoas com graves e incuráveis doenças através do Planeta Azul!

 

Alcobaça, 04.02.2013

 

 Domingos José Soares Rebelo

 

FONTE: Katherine Eban, in “FORTUNE”, Volume 167, Nº1, de 24.01.2013

ALGAS UNICELULARES – FONTE DE ENERGIA!

 

 

1

 

O espectacular avanço registado no domínio da tecnologia, aliado a uma intensa busca duma nova fonte energética apostada pelas multinacionais e pelos capitalistas dos E.U.A., deu lugar à descoberta, em 2012, de utilização de algas unicelulares como essa bendita fonte.

 

Com seu processamento simples e de fácil acesso a nível mundial, esta descoberta poderá revolucionar toda a política económica mundial, porque qualquer país, grande ou pequeno, desenvolvido ou subdesenvolvido e até mesmo completamente dependente de produtos petrolíferos ou de carvão mineral e vegetal, a ela poderá aceder.

 

Em 2007, na região desértica de Columbus, Novo México (EUA), foi fundada uma empresa à procura da de uma ambicionada nova fonte de energia, não poluidora do ambiente e não muito dispendiosa. Assim, a Sapphire Energy comprou uma nesga de terra de solo desértico (2200 acres), impróprio para qualquer tipo de agricultura, gastando ali uns $60 milhões na construção de 70 tanques-armazéns de água salina, cada um deles medindo a superfície dum campo internacional de jogo de futebol.  

 

Capitalistas e multinacionais, sempre ávidos em financiar empresas promissoras, apoiaram fortemente a Sapphire Energy com $300 milhões, incluindo-se neles $50 milhões vindos duma empresa subsidiária de Bill Gates e $54,4 milhões provenientes de empréstimo da Agência Federal Norte-Americana.

 

A Sapphire Energy pôs-se logo em acção implantando algas unicelulares em cada um desses tanques de água salina e expondo-as à acção do Sol desértico e do dióxido de carbono. No fim de cinco dias verificou-se que aquelas algas unicelulares tinham desenvolvido um novo produto o qual, submetido a fortíssima pressão, expelira toda a água salina e o resíduo depois refinado dera lugar a um produto combustível: estava descoberta uma nova fonte de energia, de fácil processo e de acesso universal!

 

2

 

Nos meados desse ano, a Sapphire Energy obtivera, em regime experimental, uma produção diária de 100 barris daquele óleo refinado de algas unicelulares (algal oil) de utilização como mais um elemento sucedâneo de gás, gasolina ou óleo pesado. A dita Empresa, entusiasmada e surpreendida com a descoberta, anunciou ao Mundo que a Sapphire Energy produziria pelo ano de 2008 nada menos de 10.000 barris diários do citado algal oil.

 

Cita-se o “algal oil” como um “green oil”, isto é, um produto não poluente da atmosfera como sucede com outras fontes de energia (carvão mineral e vegetal, produtos petrolíferos e de biogás), ou a perigosamente alarmante energia nuclear ou ainda as energias hidro-eléctricas ou hidro-marítimas.

O presente apontamento surgiu-me à mente após a leitura duma curta e curiosa reportagem de Marc Gunther, “Growing Green Oil”, no magazine FORTUNE (Volume 166, Nº 10, de 24.12.2012).  

 

Que o projecto da Sapphire Energy consiga reduzir a carga pesada da poluição ambiental e possa fornecer a energia aos povos mais atrasados do Mundo a morrer de miséria e de falta de alimentação e dum casebre onde refugiar-se contra os rigores da Natureza e de suas feras!

 

Oxalá que os grandes países poluidores a nível mundial do meio ambiente, como Estados Unidos, Brasil, Rússia, China, Índia, Indonésia, México, Japão et alii, saibam tirar o melhor proveito da utilização de algas unicelulares para a produção em larga escala do algal oil, uma nova fonte energética de fácil acesso!

 

Alcobaça, 24.01.2013

 

 Domingos José Soares Rebelo

DEVANEIOS

SISTEMA REVOLUCIONÁRIO DE CAMIÕES GIGANTESCOS SEM CONDUTOR

 

 

I

 

   Encontram-se operando nos E.U.A., em alguns países da Europa, em companhias mineiras da Austrália Ocidental e no Japão gigantescos camiões sem condutor humano, comandados por sofisticados e avançados meios de técnica electrónica, numa antevisão do que será uma realidade vulgar nos finais do 1º quartel deste século.

 

Atento a quanto signifique um avanço no bem-estar humano, fascinou-me deveras a reportagem do revolucionário sistema de transporte automóvel pelo que decidi fazer uma curta interrupção nas minhas habituais actividades literárias e alertar os prezados leitores sobre o tremendo impacte que isso vai provocar a nível mundial.

 

O escritor Brian Dumaine prevê, no seu bem delineado artigo no magazine FORTUNE (Cf. Volume 166, Nº8 de 12.11.2012), que o citado sistema revolucionário provocará sua vulgarização por volta do ano 2025 com grande benefício aos utentes.

 

As características mais em evidência do citado sistema revolucionário de transporte automóvel das próximas décadas são as seguintes: eliminação do condutor humano através da montagem de GPS, de radar e de máquina fotográfica a 3D; menor consumo da força motriz (gás, óleos pesados e gasolina); reduzidíssimos casos de trágicos acidentes contra terceiros; poucos recursos ao foro, quer civil quer criminal, em litígios sem fim com ambiciosos advogados; responsabilidade civil não atribuível aos proprietários ou utentes do veículo, sendo empurrada a mesma para os fabricantes desses veículos automóveis ditos “driverless vehicles” ou do software utilizado ou, ainda, do fornecedor de GPS.

 

II

 

   De momento, encontram-se seriamente empenhados no fabrico de protótipos desses gigantescos camiões, os conhecidos fabricantes de automóveis BMW, FORD, GENERAL MOTORS, NISSAN e TOYOTA, cada um tentando apresentar uma unidade mais segura, mais sofisticada e mais económica. GOOGLE demonstrou que veículos destes podem cumprir um percurso de 300.000 milhas sem sofrer qualquer infortúnio e já possui uma frota de carros “driverless”. Google e Intel já investiram mais de US$100 000.oo para o melhor aperfeiçoamento desses camiões gigantes. Em 2010 uma frota desses revolucionários veículos automóveis partiu da Itália para a China a fim de participar na Feira Mundial de Xangai, cumprindo o percurso de 8077 milhas.

 

Veículos automóveis pesados, de cariz gigantesco e sem condutor humano são legalmente permitidos nas ligações interestaduais, apenas nos Estados de Califórnia, Florida e Nevada; estes gigantescos camiões com 18 rodas, circulam livremente nas autoestradas, afastados um do outro por 12 polegadas, à velocidade de 100 milhas por hora com 15% a 20% de menor consumo de gás, gasolina ou óleos petrolíferos.

 

A classe de advogados litigantes tem combatido os novos camiões revolucionários, dado que os trágicos acidentes causados por veículos automóveis, cifrando-se em mais de 30.000 em cada ano nos EUA, verão drasticamente seu número reduzir-se. Por sua vez, as multinacionais, as grandes empresas fabricantes, comerciais, exportadoras, importadoras, mineiras et alia terão a vida facilitada e verão desvanecer suas múltiplas tarefas e seus cruciais problemas da actualidade.  

 

Com estas vantagens anunciadas, só o tempo nos dará a resposta definitiva sobre seu aguardado sucesso!

 

 

Alcobaça, 18.12.2012

 

 Domingos José Soares Rebelo

 

HISTÓRICO SERTANEJO GOÊS E APÓSTOLO DA ETIÓPIA

 

 

I

 

Embora desconhecido da maior parte dos portugueses, quiçá mesmo dos seus conterrâneos goeses, este ilustre filho de Goa fez-se notável pelas suas virtudes e pelo seu saber, no final do século XVI e dos primórdios do século XVII, como um destemido sertanejo e um grande evangelizador ao serviço do Padroado Português do Oriente e da Igreja de Roma nas terras do lendário Prestes João da Etiópia, uma nação cristã da seita copta, implantada no interior do Nordeste Africano.

 

Em Maio de 1944, na histórica cidade portuária de Mombaça, no Quénia, numa palestra afirmara a excelência dos padres goeses ao serviço da Igreja de Roma (cf. meu livrinho “Goans Abroad and in British Lands! (A study, Mombasa-Kenya, 1944, page 20):

“These Goan priests and Padre Belchior da Silva, brâmane de Goa, of Abyssinian fame, are recorded facts which deny and refute much that is said everywhere disparaging Goan priests. French historians represent him as someone who revived the Catholic Faith in Ethiopia which had fallen into decay. He acted as the Vicar-General of the Abyssinian Apostolate (1603/04) under Dom Frei Aleixo de Menezes, Archbishop Primate of Goa”.

 

Antes de descrever as actividades do citado padre goês, urge dizer algo sobre as relações de Portugal e da Etiópia. De facto, a saga da penetração portuguesa nas terras de Prestes João, lendário grande suserano cristão nos séculos XVI e XVII, em constantes lutas entre moiros (turcos, egípcios e africanos) e aguerridos cristãos (etíopes e portugueses) com derrotas e vitórias para os combatentes.

Em Julho de 1541 Dom Cristóvão da Gama, filho do ínclito navegador Dom Vasco da Gama, fora encarregado de defender os etíopes cristãos ao comando duma Força Expedicionária de 400 homens dos melhores da Armada, provido de oito peças de artilharia, 100 mosquetes e muitas munições. Após uma penosa marcha no sertão africano sem caminhos nem pontes ou pontões, as forças portuguesas espantosamente galgaram montes e vales, atravessaram rios e lagos, durante oito longos e cansativos meses e finalmente juntaram-se às forças defensoras da Rainha Reinante da Etiópia chamada Sambla Vangal. De Janeiro a Abril de 1542 travaram ferozes combates e venceram as forças inimigas, ferindo o seu chefe Imã Ahmad. Os moiros voltaram a combater em Agosto de 1542 com forte reforço recebido do paxá ZABID: 900 turcos, muitos espingardeiros e 19 bombardas. Infelizmente Dom Cristóvão ficou muito ferido no combate em Setembro e ficou surpreendido na fuga pelos moiros, tendo sido preso e levado ao arraial do Imã Ahmad, que lhe fez sofrer muitas afrontas e, por fim, cortou-lhe a cabeça com suas próprias mãos. Assim morreu o herói português com apenas 26 anos de idade!

A morte de Dom Cristóvão foi posteriormente vingada pelas forças luso-etíopes, que desbarataram a mourama dando a morte ao citado Imã de Zoilá. O Negus etíope CLÁUDIO jamais cedeu às pressões portuguesas de fazê-lo aderir à Igreja de Roma, abandonando a seita herética copta. Em 1557 vieram de Goa quatro fustas com soldados portugueses, além do Bispo Dom André de Oviedo e cinco jesuítas. Foram recebidos na Corte Imperial, porém encontraram o Negus obstinado em não aceitar o Rito Latino por si e pelo seu povo.

 

Falecido o suserano CLÁUDIO, seguiu-lhe no trono o irmão ADAMAS SEGUED que perseguiu os cristãos do Rito Latino (religiosos e civis) e proibiu que as etíopes casadas com portugueses seguissem o Rito Latino. Proibiu ao Bispo Dom André a pregação da Doutrina Romana, depois meteu em prisão, mandando soltá-lo passado algum tempo. Em 1577 faleceu o Bispo Dom André, e durante 20 anos as tentativas portuguesas de demover o soberano etíope não lograram efeito. Nesse intervalo mandaram de Goa três padres europeus para missionar. Mal chegados e descobertos, dois deles foram metidos em prisão e o terceiro simplesmente martirizado.

 

Estava-se em 1598 e a Providência Divina inspirou o Pe. Belchior da Silva, um Brâmane de Goa, que voluntariou-se para ir missionar a minoria cristã do Rito Latino na Etiópia. O Arcebispo de Goa e o Governo deram-lhe algum apoio, garantindo-lhe a passagem e a alimentação do porto indiano de Baylur, nas cercanias de Diu, até aos portos do Leste Africano dominados pelos portugueses (Moçambique, Quíloa, Mombaça e Melinde).

II

 

O missionário Pe. Belchior da Silva saiu de Goa sem intérpretes, sem auxiliares, sem conhecer o árabe e o ki-swahili, sem agasalhos e sem mantimentos, sem armas, sem o generoso apoio das Sociedades Científicas e de Empresas Comerciais, apenas munido de Breviário e dum Crucifixo e, mal chegado a Melinde, pôs-se a palmilhar o sertão africano com suas feras e seus canibais, com suas serpentes e seus mosquitos, até penetrar nas terras etíopes, após oito meses de penosa caminhada (Maio de 1598).

 

Sua tez morena ou bronzeada foi talvez uma grande ajuda, vendo-se nele um mensageiro de Cristo e de sua Doutrina e não um agente do domínio europeu. Na Etiópia dedicou-se durante uma década à evangelização, à recristianização dos etíopes, à sua conversão ao Rito Latino, sempre batizando-os, casando-os e confessando-os e sacramentando-os segundo o Rito Latino, provendo a eles novas igrejas, escolas de catequese, hospitais e centros de apoio social, limitado na época. Foi verdadeiramente um Apóstolo de Cristo que, por modéstia e fidelidade à Arquidiocese de Goa, recusou a dignidade episcopal que lhe fora oferecida. Ignora-se o ano do seu falecimento.

 

A extensa e penosa caminhada a pé do missionário goês emparceira-o ao lado dos cantados e decantados exploradores do sertão africano no século XIX, numa travessia sem um auxiliar ao lado, sem qualquer patrocínio de sociedades científicas, de missões militares, de empresas industriais e comerciais. Não é bazófia afirmar que ele foi verdadeiramente primus inter pares em relação aos exploradores europeus do sertão africano do século XIX, em seguida mencionados na ordem cronológica dos seus respectivos anos de nascimento. Ei-los:

 

David Livingstone (1813/73) - explorador e médico, descobridor dos lagos do Leste Africano e das chamadas Cataratas Vitória;

 

Henry Morton Stanley (1841/1904) – explorador anglo-americano, repórter-jornalista e político inglês, descobridor de montanhas, lagos e rios no interior da África, especialmente do Rio Congo, originando a evocação do seu nome na criação de Stanleyville do Ex-Congo Belga;

 

Hermenegildo de Brito Capelo (1841/1917) – Oficial da Armada Portuguesa, explorador do sertão africano, juntamente com Roberto Ivens e Serpa Pinto na histórica travessia de Angola a Moçambique;

 

Verney Lovett Cameron (1844/94) – Oficial da Marinha Naval Inglesa, ao serviço da Royal Geographic Society of London e ainda explorador do sertão africano, do lado oeste do Lago Tanganhica ao porto de Benguela, em Angola, em 1874;

 

Alexandre Serpa Pinto (1846/1900) – explorador com Roberto Ivens e Brito Capelo do Centro de África (1877). E, em travessia solitária, do Bié-Angola ao Rio Zambeze (1678), às Cataratas Vitória, ao Kalahari e às incipientes urbes sul-africanas de Pretória, Pietermaritzburgo e Durban (1879);

 

Roberto Ivens (1850/98) – Oficial da Marinha Portuguesa (Índia e África), notável explorador e Chefe da Expedição da travessia do Continente Africano e co-autor do relato da viagem «De Angola à Contracosta» (1886).

 

III

 

Padre Belchior da Silva indubitavelmente constitui a glória de Portugal, quer como pioneiro explorador do sertão africano, quer como insigne evangelizador ao serviço da Igreja de Roma, do Padroado Português do Oriente e da Arquidiocese de Goa. Por modéstia recusou o Bispado que lhe fora oferecido, mas aceitou o cargo de Vigário-Geral do Apostolado da Abissínia (1603/04).

 

Brevemente em 2003-2004 decorrerão quatro séculos sobre a criação do citado Vicariato-Geral do Apostolado da Abissínia. Portanto as Associações de Goeses radicados em Portugal, com ajuda das Universidades e das Instituições Históricas e Culturais Portuguesas, deverão evocar esta efeméride em homenagem ao missionário Pe. Belchior da Silva.

 

Não sei se Deus me permitirá viver até 2004 e presenciar este grande acto de homenagem cívica a alguém que muito prestigiou Portugal e o Estado da Índia. Fica aqui uma sugestão: que o nome do Pe. Belchior da Silva seja atribuído através do país às artérias das urbes e vilas portuguesas. 

 

 

 Domingos José Soares Rebelo

 

In revista ESBOÇOS/ACAGDD Coimbra, Ano IV, Nº44 de 01.01.2002

  

Fontes consultadas: GEPB - Grande Enc. Port. e Bras.,Vols.1 e 2

DELP - Dic. Enc. de Ling. Port., Vols. I-II, 1992, ed. de R. Digest

Fonte sugerida: “Ethiopia Oriental & Varia Historia de Coisas Notaveis do Oriente”, por Frei Pe. João dos Santos, religioso dominicano, Évora, 1609 ou sua versão em francês

 

DEVANEIOS

REMINISCÊNCIAS NATALÍCIAS DA MINHA INFÂNCIA

 

 

I

 

   Quem cresceu no seio de uma família cristã, jamais poderá esquecer as reminiscências dos Natais de sua infância: da solenidade da Missa de Galo, do desvelo no arranjo do Presépio, das iguarias típicas da quadra e das festivas iluminações da Casa Grande (ora demolida pelo camartelo da civilização, para abrigar 20 apartamentos em regime de condomínio). A casa paterna situava-se à ilharga esquerda da Igreja de Deus Espírito Santo, de Margão, na linha do Altar-Mor e do seu órgão, que fazia ressoar os melodiosos cânticos religiosos!

 

 

Em meados de Novembro de cada ano, toda a nossa família andava agitada a pensar na melhor forma de festejar o Dia Litúrgico do Menino Jesus, que viera ao Mundo há dois milénios.

 

Recados e mensagens eram enviados ao barbeiro da família para fixar o dia da matança de porco ou leitão, criado no quintal, e dirigir as operações de chamusca, esfolamento e esquartejamento necessários para a preparação dos tradicionais e bem apetecidos pratos de carne à moda goesa, com ingredientes de temperos e cheiros orientais adicionados às receitas culinárias que os missionários portugueses haviam trazido do menu caseiro das freguesias donde eram oriundos.   

 

Mulheres-a-dias, uma doceira e sua ajudante eram expressamente contratadas para ajudar a nossa mãe na preparação de doces variegados, onde sempre reinavam a bebinca e o bolo inglês (cake), numa época onde tais guloseimas não apareciam à venda. Ela via-se obrigada a trabalhar bem duro e dirigir os trabalhos numa espaçosa cozinha com duas portas e duas bem rasgadas janelas, sem evitar a sufocante fumaça de quatro fogões alimentados a toros de madeira, vendidos pelos lenhadores das Matas de Estado.

 

Ultimados os selectos doces de Natal, ela aproveitava da presença da doceira e de sua ajudante para fazer conservas doces de variados frutos da época (bananada, goiabada)  para suplemento alimentar dos próximos meses, tudo devidamente embalado em latas vazias de leite em pó da época.

 

Desse remoto passado perdido na penumbra ressalta à memória que aos jovens da família eram confiadas duas tarefas: a organização dum presépio com a Sagrada Família, em marfim, tirada do Oratório da casa, e a confecção dos animais para o presépio, feitos de massa de farinha de trigo impróprio para consumo e não levedada encomendada à vizinha padaria, aos quais se colocavam olhos de vidros ou de sementes. Os animais encomendados eram: um burro, uma vaca, uma cabra e um cão, acomodados à volta da manjedoura, e figurando ao lado de alguns pastores feitos de folha metálica de Flandres.

 

Outra grande tarefa era a iluminação da fachada da Casa Grande com estrelinhas e uma estrela grande com cinco pontas, todas feitas com vimes de bambú, forradas a folhas de papel de cores diversas, e cada uma com uma velinha de estearina a iluminar a fachada da casa. Dos dois lados da grande escadaria estendia-se uma varanda em cujos parapeitos se colocavam pequenas velas de estearina. Por cima dessas velinhas também se encontravam suspensos balões e lanternas venezianas. Inegavelmente, aquela Casa Grande era a mais bela e ricamente iluminada do casario que se estendia na época pela Rua do Norte, mais tarde chamada Rua Mons. Ganganelli Rebelo.

 

II

 

   Pelas 21:00 horas do dia 24, tinha lugar a Ceia de Natal, a que não faltavam, além de outros pratos requintados, o balchão, o vindalho e o sarapatel de porco. Acabada a Ceia, os adultos e os jovens vestiam-se para ir à Igreja para assistir a imponente celebração litúrgica da Missa de Galo.

 

Na manhã de Natal nossa mãe com crianças, aia e outro pessoal menor iam à Igreja, assistir à Missa, donde regressavam pouco antes do meio-dia, depois de curtas visitas  aos vizinhos a quem desejava um Santo e Feliz Natal. Pelas 13 horas era servido à Família um lauto jantar.

 

O pessoal menor era reunido e contemplado com modestas prendas natalícias (geralmente peças de vestuário, xailes e cobertores), pelas 15 horas. Nesse dia era servido a todo o pessoal um rancho farto e melhorado, com pratos de carne de galinha, de peixe (cação), de ambott-tic, e alguns doces e bolinhos.

 

Ao Chá das Cinco do dia de Natal, para o deleite da petizada, eram servidos os bojás,   fritos doces diversos e um doce típico goês chamado patolis, embrulhado em folhas de açafrão e que era uma delícia cuja evocação criava água na boca.

 

Obrigado Santo Deus por me ter proporcionado evocar com saudade as reminiscências natalícias de minha infância na passagem do 97º Natal da minha vida!

 

Alcobaça, Natal de 2012

 

Domingos Soares Rebelo: "S. Francisco Xavier esteve em Turquel ... Domingos José Soares Rebelo

 

Pelo comentário do Dr. Ferdinando dos Reis Falcão se conclui que a foto de cima está errada. Uma vez que aínda não conheço pessoalmente a cidade de Margão, espero que a seguinte esteja correcta.

Henrique Salles da Fonseca

DEVANEIOS

A VIRGEM MARIA SURGIU NO CORAÇÃO DE ÁFRICA

(1981/1983)

 

 

I

 

No seu curioso livro “O Fenómeno das Aparições” (1974), Erich von Däniken, apreciado escritor católico suíço, mencionou que a primeira aparição de Nossa Senhora a uma belga ocorrera em 1449, portanto mais de quatro séculos antes das aparições da Virgem Maria em La Salette, Lourdes e Fátima. Posteriormente a Mãe de Jesus tem aparecido ao longo do século XX na Europa (v.g. Carabandal, na vizinha Espanha, em 1961), no Cairo (Egipto, em 1968) e, nos nossos dias, em Medjugorje (Bósnia Herzgovina) sempre com mensagens e avisos aos homens para respeitarem a vontade de seu divino Filho. Estava-se no dia de São João Batista, a 24.06.1981, em Medjugorje.

 

Afonsina Mumureke

 

Decorridos uns cinco meses, a Virgem Maria apareceu aos 28.11.1981 pelas 12.35 hrs. na sala de jantar da Escola de Kibeho, no Ruanda, a três moças: Afonsina Mumureke (17 anos), Natália Mukamamazimpaka (20 a.) e Maria Clara Mukagango (21 a.). Fez-se anunciar à Afonsina que ela era a Mãe do Mundo com a recomendação de se manter calma tendo em atenção suas orações e de se portar com uma firmeza da Fé juntamente com suas amigas. Seguiram-se outras aparições da Virgem Maria à Natália, de Janeiro de 1982 a 03.12.1983, e à Maria Clara, durante seis meses de Março a Setembro de 1982. Afonsina foi Secretária da Diocese de Gikongoro, criada em 1992. Natália ocupava-se em obras sociais e religiosas da paróquia de Kibeho, fundada em 1934, na Diocese, a 160 km da capital Kigali e a 20 km do Burundi. Quanto à Maria Clara, era professora primária, depois casou-se com Elias Ntabadahiga, jornalista dos Serviços de Informação do Ruanda, ambos trabalhando em Kigali e vivendo no bairro urbano de Gatsaka.

 

Maria Clara Mukagango

 

As aparições do Ruanda chamaram a atenção do mundo e foram declaradas credíveis pela Igreja de Roma. Em 1990, o Papa João Paulo II visitou o Ruanda e na ocasião exortou o povo Ruandês a se recorrer à Virgem Maria, como sua protectora e guia; ao mesmo tempo recomendou ao povo o espírito de reconciliação evitando as lutas políticas e étnicas. Nem por isso a trágica hecatombe deixou de asssolar o Ruanda com o mais monstruoso genocídio de um milhão de mortos no acervo de num frenesi de ódio e de vingança traduzido em lutas e guerrilhas mútuas. De Roma deslocou-se ao Ruanda o Cardeal Crescêncio Sepe, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos a fim de consagrar o Santuário de Nossa Senhora das Sete Dores aos 31.05.2003. Este Santuário recebe anualmente milhares de peregrinos com toda a unção religiosa e com o melhor aparato, como tradicionalmente verifica-se em Fátima, Guadalupe ou Lourdes. Com sua inauguração as lutas fratricidas desapareceram e o espírito de arrependimento e de reconciliação estão hoje em bom caminho.

 

Toda a empolgante história das aparições da Virgem Maria no Ruanda não deixa de tocar-nos no fundo do coração, particularmente a quem em 1968 na Nota Preambular ao seu estudo “ O Chá na Economia da República do Ruanda “ (1968) havia focado os ódios tribais da população do Protectorado de Ruanda-Burundi entregue à Bélgica no final da I Grande Guerra, sem nunca ter em conta os hábitos e costumes tribais, que os tornaram tão estruturalmente divergentes e antagónicos. Voltarei a debater o assunto.

 

Sanado o ambiente político-administrativo do Ruanda, resta apontar o desfecho final das três videntes ruandesas. A mais nova, chamada Afonsina, escapou da morte refugiando-se no Presbitério da Diocese de Gikongoro, donde passou para Bukavo (Congo-Zaire) e daí seguiu para Abidjan (Costa de Marfim) para estudos secundários e superiores como Bacharel em Teologia (2003) e acabou por professar como Irmã Afonsina da Gloriosa Cruz. A vidente Natália refugiou-se por seis meses em Bukavo (Congo-Zaire), mas regressou a Kibeho-Ruanda para tomar conta de centenas de órfãos (bebés, crianças e jovens), mulheres e filhos dos feridos, aleijados e de religiosos de ambos sexos da Paróquia, tendo em atenção a especial incumbência recebida da Virgem Maria. A vidente Maria Clara e seu marido jornalista faleceram vítimas dos massacres de 1994/95.

 

II


Os líderes políticos do Ruanda advogaram seu desligamento do Protectorado como um povo independente e senhor do seu próprio destino. Em 1968 o Protectorado era habitado por três etnias diferentes, fundamentalmente antagónicas: Hutus (85%), Tutsis (14%) e Tuas (1%), com respectivas estaturas físicas medianas de 1,66 m,  1,75 m e 1,55 m (sendo aparentados do povo pigmeu Ituri). Durante séculos os Hutus, embora maioritários, foram escravos dominados  pelos senhores feudais Tutsis mancomunados com os Tuas (pastoris, agricultores, carpinteiros, ferreiros, com hábitos ancestrais de povo guerreiro), enquanto os Hutus eram funcionários públicos, os Tutsis eram recrutados como agentes policiais e para-militares. Os Hutus ganharam, com o apoio dos Belgas, duas eleições populares, bem como a maioria na Assembleia Legislativa e o Governo Autónomo, mas os Tutsis não se conformaram e agitaram-se pela sua emancipação política com guerrilhas em 1960 e 1961, mais tarde degeneradas em genocídio monstruoso de Hutus e Tutsis, com um milhão de mortos, além de feridos, aleijados e mortos de fome, sem os géneros de consumo de primeira necessidade.

 

Eis a razão de ser do presente apontamento de quem nunca sonhara voltar a falar dum tema que enlutou a humanidade num acto de selvajaria. É uma verdade axiomática que é na pedra basilar do nosso passado que se assenta o edifício do presente e do futuro. Assim, foi com profunda fé nas aparições da Virgem Maria através do Planeta, que me dediquei a descrever as Aparições de Nossa Senhora das Sete Dores no coração do Continente Africano com todo o acervo da tragédia sofrida pelo povo ruandês. 

 

Alcobaça 21.11.2012

 

 Domingos José Soares Rebelo

DEVANEIOS

Tântalo 

 

GRANDE PROCURA DE METAIS RAROS E ESTRATÉGICOS

 

I

 

   Foi com imenso prazer que acabei de ler na revista “FORTUNE” (Vol. 166, Nº8 de 08.10.2012), uma reportagem sobre a exploração e o comércio de TÂNTALO – um metal raro e estratégico – em grande demanda pelas potências mundiais, em especial  pelos países democráticos dos Estados Unidos e do Reino Unido, para utilização no mundo da electrónica (computadores, condensadores, telefones, telemóveis, televisores, transístores, etc.), no fabrico de aço, de armas militares de alta precisão, de mísseis nucleares, de micro aparelhos cirúrgicos, de implantes cirúrgicos, de motores para aviões e aeronaves, et alia. O tântalo é um metal anticorrosivo, imbuído de carga eléctrica latente, que se encontra associado com outros metais, v.g. cobalto, colúmbio, nióbio e níquel.

 

   A citada reportagem descreve, em curtos parágrafos, a actual situação de tântalo  na sua exploração e no seu comércio a nível mundial pelos grandes produtores-exportadores como Brasil, Moçambique, Austrália e Congo. A maior empresa australiana desistiu de sua actividade produtora face aos insuportáveis custos; enquanto uma recente produção exportável de concentrados de tântalo no Congo foi roubada à mão armada. Na África predomina o tráfego ilegal de metais raros, tântalo, colúmbio, etc. pelos Exércitos de Uganda, Ruanda, Burundi e Congo mancomunados com empresas ocidentais negociando-os a bom preço nos países do Oriente como o Japão, Coreia do Sul e China (com sua produção insuficiente para seu consumo doméstico).

 

   Curiosamente, faz 44 anos que, nos meus ócios, debruçara-me sobre a mineração de concentrados de pentóxidos de columbite-tantalite em Moçambique num estudo económico refletindo no contexto mundial o competente lugar que coube à essa colónia portuguesa no seu comércio exportador. Toda a temática passarei em seguida a sumariar.

 

II

 

   De facto, nos finais dos anos sessenta do século findo, tive o ensejo de apresentar, em inglês, uma comunicação ao Congresso da S2 A3 – South African Association for the Advancement of Science -  reunido em Lourenço Marques em Julho de 1968, discutindo a mineração de columbite-tantalite, que ficara inédita até que editasse sua versão portuguesa no BSEM (Boletim da Sociedade de Estudos de Moçambique /Ano 41º, Nº 171, de Abr./Jun. de 1972).  

  

   Destacando alguns dos significativos pormenores da citada comunicação, focarei que Moçambique produziu 1230 toneladas métricas dos concentrados de Colúmbio (Cb2O5) e de Tântalo (Ta2O5) no valor global de 168.948.000 escudos no período de seis quinquénios (1937/66). A II Grande Guerra paralisou tanto a produção como o comércio exportador desses pentóxidos em Moçambique, nos anos de 1939, 1940, 1946 e 1947. Retomada a exploração mineira em 1948, Moçambique produziu 738 t.m. no quinquénio de 1957/61 e 338 t.m. para o comércio exportador no quinquénio seguinte (1962/66) de valor global respectivo de 96.940.000 e 50.534.000 escudos. Houve posteriormente uma baixa na cotação mundial dos concentrados de pentóxidos de columbite-tantalite com a concorrência aos mercados norte-americano e inglês por parte de numerosos fornecedores como Austrália, Congo, Guiana Francesa, África do Sul, Brasil, Malásia, Moçambique, Nigéria, Espanha e até Portugal.

 

   Continua a procura norte-americana dos metais raros e estratégicos e não apenas de colúmbio e de tântalo graças à legislação de DPA (Defense Production Act) visando a formação de reservas do País, hoje imprescindíveis para a manutenção das indústrias dos Estados Unidos.

 

   Oxalá as empresas mineiras do espaço português ora explorando o ouro, o volfrâmio e outros metais semi-preciosos descubram, mesmo em simples associação, uma jazida de metais raros e estratégicos ajudando o País a sair da pavorosa e actual crise sócio-económica e financeira em que se encontra mergulhado, Deo juvante!

 

 

Alcobaça, 28.10.2012

 

 Domingos José Soares Rebelo

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