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A bem da Nação

POSTAIS ILUSTRADOS LXXIV

 

 

IV

Reflexões menores. Um pequeno contributo.

 

 

Não vai seguramente servir de luz ao fundo do túnel a teologia de mercado que tem prejudicado a observância dos princípios de solidariedade da União sobretudo quando, como tem acontecido no caso português, o orçamento parece preencher todo o conceito estratégico nacional, com os ministros a discutirem com funcionários do sistema o regular desempenho dos seus compromissos, em vez de fazerem ouvir as vozes dos atingidos pela fronteira da pobreza no Conselho Europeu, falando como iguais, e usando o poder da voz contra a voz dos que parecem afetados pela vocação do diretório, sem prestarem atenção à secundarização dos órgãos da governança instituída pelo debilitado Tratado de Lisboa.

 "As perguntas inquietantes", excerto do Artigo de Opinião do Prof. Doutor Adriano Moreira, no Diário de Notícias on line de 8AGO2013

 

 

Ao ler este texto recordei o que já escrevi sobre a subserviência dos bons alunos e já falei aqui de arranjar coragem para enfrentar os credores e na exigência de o Governo de Portugal bater o pé, isso mesmo, bater o pé à ditadura financeira que nos estão a impor.

 

Recordem a história portuguesa e lembrem-se que já tivemos uma ditadura financeira que durou próximo de 48 anos.

 

Quem já leu os meus textos anteriores sabe que não sou defensor de facilitismos, mas, de rigor. E que devemos pugnar por assumir e pagar as dívidas.

 

Mas, não a qualquer preço!

 

Destaco do texto do Senhor Professor Doutor Adriano Moreira: "… no caso português, o orçamento parece preencher todo o conceito estratégico nacional, com os ministros a discutirem com funcionários do sistema o regular desempenho dos seus compromissos, em vez de fazerem ouvir as vozes dos atingidos pela fronteira da pobreza…"

 

É, mas à portuguesa, os ministros discutem com os funcionários estrangeiros, para, certamente, praticarem o seu excelente inglês, e são humilhados pela recusa destes em relação às propostas que lhes são feitas, por, provavelmente, não terem instruções superiores dos manda-chuvas da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional.

 

Aqui passa-se a imagem muito portuguesa de dizer que falam com os anjos em vez de falarem com Deus.

 

Eu também tenho umas perguntas inquietantes para fazer!

 

O Governo de Portugal prefere apostar na política de escravatura financeira com que está a violentar a classe média baixa?

 

O Governo de Portugal tenciona continuar a massacrar os reformados em vez de iniciar imediatamente o corte nas despesas inúteis e imorais do Estado?

 

O Governo de Portugal pretende dar continuidade às políticas gasparinas que já deram o mau resultado que todos nós conhecemos?

 

O Governo de Portugal não se preocupa com o facto de estar a ser apontado, por muitos, de atitudes fascizantes estarem a pôr em causa a democracia que a sociedade civil portuguesa supostamente pensa que vive?

 

O Governo de Portugal ao estar a tentar arrumar a casa de forma errada espera que o Povo mantenha sempre a mesma atitude paciente?

 

Reconheço que é preciso arrumar a casa e depressa, porém, arrumar a casa não é o quero, posso e mando e dizer aos já na fronteira da pobreza que ainda têm de fazer mais sacrifícios, não é estar a provocar os protestos nas ruas, de que serão os únicos responsáveis?

 

Demos a conhecer outras perguntas, feitas por um orador, em directo, para um auditório televisivo.

 

É ilegal alguém ter feito propostas de swaps tóxicos ao anterior governo e agora seja nomeado membro deste Governo?

 

É ilegal alguém ter sido Ministro num Governo, negociar uma parceria público-privada com uma empresa, sair desse Governo e ir presidir à empresa com quem negociou a parceria?

 

É ilegal alguém usufruir das benesses que os sucessivos Governos lhe dá, inclusive, ser dispensado de obrigações que são impostas a outros, pelo seu estatuto político?

 

É ilegal alguém vender acções de um banco que foi, logo de imediato, intervencionado e a venda ter sido feita com lucros muito superiores aos normais no mercado?

 

E esta linha de questões continua por mais algumas perguntas, concluindo-se que nada disto é ilegal.

 

Mas, será imoral? É! Claro que é, mas, que eu saiba, a prática de imoralidades não é crime, mas define a sociedade em que vivemos.

 

O mesmo orador perguntou, ainda, se o Governo não considerava uma atitude fascista elaborar e tentar promulgar leis com efeitos retroactivos?

 

Estamos numa encruzilhada!

 

Não acuso o Presidente Cavaco Silva de ter tentado o consenso, mas, uma vez não conseguido aquilo que se pedia de visão patriótica, no interesse de Portugal, talvez a opção fosse aquela que já há muito foi apontada pela Dra. Manuela Ferreira Leite, suspender a democracia. Porém, essa suspensão seria acompanhada da dissolução da Assembleia da República e nomeado um Governo de iniciativa presidencial até ao fim da legislatura. No leque dos partidos da área da governabilidade há homens fabulosos, patriotas convictos, inteligentes, internacionalmente reconhecidos, competentes e, também, honestos que dariam o seu melhor contributo ao País, a pedido do Presidente. Não discuto a honestidade dos actuais dirigentes de topo dos partidos envolvidos nas recentes negociações goradas, mas, o que é verdade é que não tiveram capacidade para se entenderem por um bem maior.

 

Era antidemocrático e inconstitucional? Era um golpe de estado palaciano? Talvez fosse! Mas, não veríamos, de certeza o Povo nas ruas, se fosse garantido pela palavra do Presidente que em Junho de 2014 estaríamos em eleições legislativas.

 

Não sou fã do Senhor Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva, também já tomou atitudes muito discutíveis, porém, não tenho razões para duvidar da sua palavra se a desse, e, não estou a dizer nada que um barão do PSD já não tivesse dito, publicamente, sobre golpes de estado e revoluções. A concretizar-se preferia a primeira solução.

 

Os partidos teriam ocasião e tempo para pensar e mudar de comportamento se tivessem aprendido a lição.

 

Pergunta: Presentemente, vivemos uma democracia constitucional?

 

 Luís Santiago

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