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A bem da Nação

DEVANEIOS

PORTUGAL NÃO DEVE ALHEAR-SE DAS PREVISTAS

CARÊNCIAS ALIMENTARES NOS PAÍSES DO GOLFO

 

 

Prevê-se para os próximos 12 anos a ocorrência de carências alimentares nos países do Golfo, cujos responsáveis recorrem às novas tecnologias e às práticas modernas para incrementar o volume dessa produção, de modo a atingir o mínimo de 50% do consumo anual doméstico respectivo.

 

Os citados países têm exíguo solo arável, insuficientíssima água, pluviosidade anual baixíssima, alto grau de salinidade do solo e elevadíssimas temperaturas, pelo que não usufruem a capacidade de satisfazer em pleno o consumo anual doméstico de produtos de alimentação.

 

Peritos da FAO são concordes de que os países da região jamais atingirão em plenitude a auto-suficiência alimentar, vendo-se obrigados a recorrer aos países estrangeiros para preencher as carências. Os governantes estão cônscios da angustiosa situação dos seus povos e andam a negociar com países grandes produtores-exportadores, os fornecimentos maciços de cereais, frutos, frutas, carnes frescas e produtos hortícolas, em estimativas para 2025 e anos seguintes.

 

Um dos mais ricos países do Golfo, o Qatar, com baixíssima auto-suficiência alimentar (7%) já pôs em execução um programa orçamentado com US$ 30 biliões, dos quais 80% provenientes de investimentos por empresários privativos. Com base nesse orçamento foi criado um “Fundo Nacional do Qatar para Alimentação Assegurada” (QNFSP) dispondo de US$ 1 bilião, destinado a ser gasto no estrangeiro sob as mais diversas e até hoje inconcebíveis manobras comerciais e financeiras: empresas do Qatar compraram terrenos agrícolas férteis na Austrália e no Sudão; outras tomaram de arrendamento herdades produtivas no Quénia; e ainda outras investiram US$ 100 milhões junto dos grandes produtores-exportadores de arroz na Índia. De momento, representantes do Qatar estão dirigindo-se aos países sul-americanos para negociar aí maciços fornecimentos ao Qatar de carnes frescas, cereais e açúcar.

 

A produção de cereais e doutros produtos alimentares agro-pecuários e florestais dos grandes produtores – exportadores que tem baixado imenso face às condições climatéricas intempestivas (chuvas copiosas, neve, granizo e geada), o acréscimo do consumo doméstico da classe média desses próprios países e o aumento da população mundial em 33% previsto para 2025 e anos seguintes, são factos que têm provocado um considerável aumento das cotações mundiais.

 

Perante a panorâmica das carências alimentares dos povos do Golfo (não apenas do Qatar), acho que é oportuno e recomendável que os empresários e exportadores portugueses, com forte apoio governamental, se empenhem em sondar como Portugal poderá participar no fornecimento de produtos alimentares diversos, substituindo vantajosamente os fornecedores sediados em países longínquos como a Austrália, a Argentina, o Brasil et alii, reduzindo o ónus do transporte de produtos agro-pecuários e florestais em carência.

 

A situação do Qatar sofreu um grande golpe quando a vizinha Arábia Saudita, seu maior fornecedor, proibiu a exportação de batatas, cebolas, carnes frescas etc. para aquele país.

 

Oxalá que os exportadores portugueses consigam negociar, em proveito mútuo das partes contratantes, os fornecimentos de produtos alimentares mais carenciados da população dos países do Golfo.

 

DEO VOLENTE!

 

Alcobaça, 08.08.2013

 

 Domingos José Soares Rebelo

 

 

 

 

Fonte: Revista TIME, Vol. 182, nº 2, de Julho de 2013 

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