Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A bem da Nação

POSTAIS ILUSTRADOS LXXII

 

II

 

 

 

Reflexões menores. Um pequeno contributo.

 

 

"O macaco é um animal demasiado simpático para que o homem descenda dele"

  Friedrich Nietzsche

 

 

O mesmo Friedrich Nietzsche afirma-nos que "não há outro critério da verdade senão o crescimento do sentimento de poder."

 

Isto vem a propósito da aproximação das autárquicas, onde os critérios da verdade são vários e fluidíssimos. A variedade e fluidez desses critérios aproximam-se mais do embuste e das tentativas a todo o custo de caçar uns míseros votos. Nada de prestigiante.

 

A acreditar na Comunicação Social, um autarca que está preso vai candidatar-se a um lugar nas listas para as próximas autárquicas.

 

Penso que alguém estará a brincar com o sistema e a tentar demonstrar que a impunidade não é palavra vã. É verdade que foi condenado por um crime que é prática de alguns cidadãos deste país: o crime de evasão fiscal, mas, também, é verdade que são poucos os que até agora foram condenados, porém, a presença deste autarca preso, em listas eleitorais, significará uma afronta ao sistema judicial e à seriedade de que estes actos devem revestir-se. Não sei se isto é brincadeira ou verdade. Mas, sei o que, certamente, irá fazer o Juiz de Círculo a quem for distribuída a apreciação das referidas listas.

 

Mas, a ser verdade, isto só significa que estamos numa república de bananas.

 

Depois vem a questão das candidaturas por todo o país de candidatos a presidentes de câmaras que já concluíram 3 anos numa autarquia e querem perpetuar-se no poder como Oliveira Salazar, alguns políticos já cá estão há 39 anos, Só que há uma diferença entre perpetuar-se no poder, em ditadura e, perpetuar-se no poder em Democracia. Em Democracia tudo é possível. Até abusar da Liberdade e da paciência dos eleitores, onde cada vez ganha mais espaço a indiferença, em prejuízo da verdade das escolhas e em benefício dos sempre os mesmos.

 

A Lei foi feita de maneira a ser confusa e a gerar dúvidas para pôr os Tribunais a trabalhar. Como os Senhores Juízes não têm mais nada que fazer, dedicam-se a apreciar recursos que brilhantes juristas apresentam e para o qual serão bem pagos. Bom para os juristas.

 

Querem ver como esta trapalhada acabava?

"Lei do regime das Autarquias.


Artigo Primeiro – Nenhum autarca pode candidatar-se por mais de três anos consecutivos aos vários lugares das autarquias em todo o território nacional, podendo voltar a recandidatar-se passados dois anos.

 

Artigo Segundo – As candidaturas a qualquer autarquia só podem efectuar-se por eleitores que residam há mais de três anos no Concelho dessa autarquia."

 

Simples! Ficava claro. Desafio os partidos a alterar a lei actual que gera tanta polémica. O pior é o resto… Sabem, os tais interesses…

 

Depois vêm as obras de melhoramentos. Em três terços e meio do tempo da administração cessante se faz nada e depois na metade do último terço, vêm as obras caça-votos para encher o olho do votante.

 

Sempre é melhor obras do que andar a oferecer electrodomésticos.

 

E os jantares de despedida daqueles que foram atingidos pela Lei Relvas e já não têm freguesias para presidir?

 

Contaram-me um caso que me disseram que até veio nos jornais e que num jantar que apontava cerca de duzentas pessoas a homenagear um autarca que se despedia da freguesia da sua eleição e o outro ia ficar com as duas freguesias aglomeradas relvaticamente.

 

Estiveram presentes as figuras mais gradas da política local, segundo o jornal, presididas pela autoridade máxima do concelho que, entretanto, não tendo feito nada de relevante neste, ia candidatar-se a outro para continuar fazer coisa nenhuma, além de ter viatura do Estado com motorista, para uso total.

 

Como a todos os recursantes, foi-lhe reconhecido que podia candidatar-se depois de ter recursado em vários patamares da hierarquia dos Tribunais, sob condição. Isto deve ser alguma figura jurídica que desconheço ou é notícia à portuguesa.

 

Esse meu Amigo acrescentou ainda: "Mas, sabes pá! Os duzentos e tal homenageantes eram sessenta velhotes de um Lar existente na freguesia retirada do mapa administrativo, mais cem de outro Lar da freguesia que escapou incólume à razia, com a engraçadíssima vantagem para os velhotes a quem pagaram a refeição. Bem bom para eles. Topas? Os homenageados pagaram o jantar aos homenageantes. Isto não te faz lembrar as práticas da União Nacional? Resta saber se a tal homenagem foi paga pelas antiga e a nova junta, ou seja, paga por todos nós, ou se foi dos bolsos dos homenageados." Claro que tudo isto só pode ser ficção da Comunicação Social.

 

Tal como se pode concluir da citação de Friedrich Nietzsche do início do texto nós é que imitamos os macacos e mal, digo eu.

 

Mas que grandes macacadas, as habilidades destes políticos!...

 

Não esqueci a denúncia de alguns incumprimentos de documentos assinados por funcionários públicos que optaram pela mobilidade especial voluntária e o Estado, em que o Estado, unilateralmente, renunciou sem olhar a quem; situação de que falei no Postal anterior.

 

Só estou à espera de mais umas informações para concretizar a denúncia, aproveitando este espaço de Liberdade para pôr a nu mais uma das arbitrariedades cometidas por quem entende que leais servidores do Estado, incluindo alguns, já com muitos anos de serviço prestado honradamente, são os principais culpados do despesismo praticado e, portanto, podem ser tratados de qualquer maneira e com despotismo, incluindo nisso, a denúncia unilateral dos documentos que assinaram de boa-fé, em cumprimento da Lei e na confiança de que o Estado é uma pessoa de bem.

 

Parece que a alta toxicidade dos swaps vai poluindo o currículo de membros deste Governo, um a um, e já lá vão dois…

 

 Luís Santiago

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2007
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2006
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2005
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2004
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D