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A bem da Nação

SOBRE A LIBERDADE

 

 

Retrato bem amargo do nosso tempo, do nosso mundo. Que diria Bocage que tanto prezou uma apetecida Liberdade, contra o despotismo manietador? Mas a apetecida Liberdade, não apoiada em valores dignificantes, descamba na embriaguez sórdida do "vale tudo" como bem descreve o general Paulo Chagas.

 

Mas Bocage a desejou a todo o custo também, tal  como os revolucionários franceses. Talvez não imaginasse os efeitos de corrupção causados pela doce "Mãe dos prazeres" :

 

Liberdade, onde estás? Quem te demora?
Quem faz que o teu influxo em nós não caia?
Porque (triste de mim!) porque não raia
Já na esfera de Lísia a tua aurora?

Da santa redenção é vinda a hora
A esta parte do mundo que desmaia.
Oh! Venha... Oh! Venha, e trémulo descaia
Despotismo feroz, que nos devora!

 

Eia! Acode ao mortal, que, frio e mudo,
Oculta o pátrio amor, torce a vontade,
E em fingir, por temor, empenha estudo.

 

Movam nossos grilhões tua piedade;
Nosso númen tu és, e glória, e tudo,
Mãe do génio e prazer, oh Liberdade!

 

Outro:

 

Liberdade querida e suspirada,
Que o Despotismo acérrimo condena;
Liberdade, a meus olhos mais serena,
Que o sereno clarão da madrugada!

Atende à minha voz, que geme e brada

Por ver-te, por gozar-te a face amena;
Liberdade gentil, desterra a pena
Em que esta alma infeliz jaz sepultada;

 

Vem, oh deusa imortal, vem, maravilha,
Vem, oh consolação da humanidade,
Cujo semblante mais que os astros brilha;

 

Vem, solta-me o grilhão da adversidade;
Dos céus descende, pois dos Céus és filha,
Mãe dos prazeres, doce Liberdade!

 

 Berta Brás

 

 

COMENTÁRIO A "ATÉ QUANDO A NOSSA LIBERDADE?"

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