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A bem da Nação

CRÓNICA DE LISBOA – 1

Nesta minha estreia na imprensa de Goa devo em primeiro lugar manifestar o enorme prazer que tenho em colaborar na recuperação da língua portuguesa como meio de comunicação na Costa do Malabar, agora em regime de total liberdade e sem condicionantes políticas ou religiosas. Somos actualmente muitos milhões de pessoas a usar a língua portuguesa como meio oficial de comunicação mas sabemos que uma língua não se aprende por decreto; seja ela qual for, aprende-se naturalmente com a família durante a tenra idade e é essa que fica como expressão cultural para o resto da vida e à qual chamamos língua materna. A partir daí, aprendemos outras línguas por duas motivações principais: por gosto ou por necessidade. Não é certo que gosto e necessidade coincidam e eu estou em crer que os leitores deste jornal realçam o gosto pois não vejo que necessidade possam ter de falar português no seio de um país tão vasto como a Índia que adoptou o inglês como expressão aglutinadora. Eis, pois, que estou a escrever para quem lê português por gosto e não para quem necessita de ler a minha mensagem, ou seja, para quem aprecia a forma e dispensa o conteúdo. Posso, assim, escrever sobre vacuidades mas com rigor gramatical. Ora, dá-se o caso de eu desde sempre me aplicar tanto na escrita de uma mensagem rápida e informal dirigida à minha colaboradora mais directa lá no escritório como num requerimento formal à mais elevada Autoridade que eu possa imaginar. A clareza da escrita e da própria caligrafia são essenciais para a eficácia da comunicação e para se escrever de modo a que a mensagem seja compreendida sem ambiguidades basta saber um mínimo da matemática que em Portugal se aprende no ensino secundário. Se considerarmos uma vírgula como um sinal de soma, a conjunção “e” como uma multiplicação e os parênteses exactamente como tal, então construímos frases matematicamente correctas e, portanto, de fácil compreensão. Convém, no entanto, não esquecer que uma frase – em qualquer língua – deve ter sujeito, predicado e complemento directo. É claro que se pode fazer muito mais que isto mas aí começa o discurso a tornar-se longo, a mensagem a complicar-se e o leitor a duvidar da verdadeira interpretação. Se a estas simples regras juntarmos alguma síntese, então escreveremos com clareza, com uma ideia de cada vez. Conta-se a história do antigo Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, que certa vez escreveu uma carta que saiu mais longa do que ele queria. No final fez uma nota de pé de página em que dizia algo como: “Desculpe a carta ser tão comprida mas não tive tempo de a fazer mais curta”. Lisboa, Dezembro de 2003 Publicado em Pangim, Janeiro de 2004

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