UM CONTO DE APULEIO
Lucius Apuleius (Madaura, actual Argélia, c. 125 - Cartago, actual Tunísia c. 170), é um famoso escritor e filósofo médio platónico romano.
Nasceu numa abastada e influente família proveniente de Itália: o pai fora Cônsul, a mais alta magistratura municipal da Roma antiga e deixara aos dois filhos uma substancial fortuna avaliada em dois milhões de Sestércios.
Transferindo-se para Cartago, aprofundou os conhecimentos de poesia, geometria, música e sobretudo de filosofia, cujos estudos concluiu posteriormente em Atenas.
Interessava-se também pelos ritos esotéricos: em Cartago, pelos mistérios de Esculápio, o deus grego da medicina e da cura e, em Atenas, pelos mistérios eleusinos, os ritos de iniciação ao culto das deusas agrícolas Deméter e Perséfone.
Casou-se com Emilia Pudentilla, viúva rica e foi acusado pelos parentes dela de ter usado magia para lhe obter o amor e, pior para os acusadores, a herança. Defendeu-se através da célebre Apologia. Contudo, a sua obra mais famosa é Metamorphoseon Libri XI (Onze livros de metamorfoses), mais conhecida como O burro de ouro. Escreveu também Floridas (fragmentos de discursos) e De Deo Socratis.
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O conto Eros e Psique, a Bella Falabella, constitui a parte central de O burro de ouro e resume-se como segue:
Psique, muito bela e a mais nova das três filhas de um rei, começa a ser venerada pelos humanos e desencadeia a inveja e a ira de Vénus que procura vingar-se pedindo a seu filho Cupido que atraia Psique convencendo-a de que é um ser monstruoso que só de noite se lhe poderá unir e fazendo-a prometer que nunca lhe verá a cara sob pena de o perder para sempre.
Psique cumpre a promessa mas, espicaçada pela curiosidade, não resiste e, enquanto o seu amado dorme, vê-lhe a cara à luz duma lucerna e descobre o verdadeiro Deus do Amor. Mas, inadvertidamente, pica-se numa das suas flechas e inocula em si mesma o amor do Amor. Só que da lucerna cai uma gota de azeite a ferver que cai sobre Cupido, o queima e o desperta. Ferido, abandona Psique em cumprimento das ordens de Vénus e voa até ao Olimpo. Ela tenta agarrar-se ao amado mas não consegue detê-lo e cai por terra. Pede auxílio a Ceres e a Juno para que tragam Cupido de volta aos seus braços mas estes recusam ajudá-la para não ofenderem Vénus.
Desesperada, Psique rende-se a Vénus mas esta, zangada e vingativa, incumbe-a de quatro tarefas humanamente impossíveis de realizar. Contudo, Psique consegue cumprir três dessas tarefas mas sucumbe quase no final. Sensibilizado por tantas provas de amor, Cupido devolve-a à vida e pede a Júpiter que lhe conceda a graça do casamento. Júpiter acede e Psique é levada para o Olimpo onde bebe o licor da imortalidade.
Consumado o casamento, nasce uma filha, Voluptas.
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Sim, há Contos equivalentes na mitologia moderna ocidental. Por exemplo, A bela adormecida, a Cinderela, a Gata Borralheira, o Capuchinho Vermelho em que a inocente menina vence as forças cósmicas do mal, o amor do seu amado divinizado triunfa e chega-se à exaltação suprema do bem.
MORAL DA HISTÓRIA
A Alma vence porque livremente aceita submeter-se ao verdadeiro Amor.
Lisboa, Junho de 2013
BIBLIOGRAFIA:
- Wikipédia
- Mário Garcia, SJ, “O poder de Psique” in BROTÉRIA, Novembro de 2012, pág. 377 e seg.


