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A bem da Nação

POSTAIS ILUSTRADOS LXIX

 

 

AINDA A DONA CRISE

 

É o comer que faz a fome.

 Eça de Queiroz

 

 

 

Porque me foi chamada a atenção para os penúltimo e último parágrafos da página 11. de "Roteiros VI - Prefácio" de Março de 2012, escritos pelo Presidente da República, permito-me passar a transcrevê-los:

 

Há quem tenha a ilusão de que o Presidente da República pode impor aos partidos, contra a vontade destes, a sua participação em governos de coligação, por vezes apelidados de «salvação nacional».

 

"O Presidente da República pode exercer a sua magistratura de influência para que sejam encontradas soluções governativas estáveis e coerentes, dentro dos limites que decorrem do estrito imperativo de imparcialidade no tratamento das diversas forças partidárias, compromisso que assumi perante os eleitores e do qual não me afastarei um milímetro. No entanto, mesmo admitindo que o Presidente, através de uma forte pressão, consiga alterar a posição e a estratégia de um partido, levandoo a aceitar, a contragosto, coligarse com outro para formar governo, entendo que não o deve fazer. A solução de governo que daí resultaria, não correspondendo a uma autêntica vontade de coligação estável e duradoura, seria sempre artificial e precária, consumindose rapidamente em lutas internas e dando lugar a uma instabilidade política muito prejudicial ao País.".

 

Quem me conhece e priva comigo sabe que não sou um particular fã do Presidente da República, por não concordar com algumas das suas opções, mas, Março de 2012 é um tempo e Julho de 2013 é outro.

 

Nem me outorgo à função de Juiz ou à qualidade de Advogado de Defesa!

 

Quem é militar experimentado sabe que em combate, as decisões tomam-se de acordo com as circunstancias que avaliamos à nossa frente e as decisões que tomamos, nem sempre correspondem à teoria. By the book, usando a expressão inglesa. Bem gostaríamos de fazer de uma maneira, mas, a situação exige que façamos de outra e temos de agir.

 

Isto para acrescentar, ainda, que as posições fundamentalistas ou radicais, de se ele escreveu assim, agora tem de fazer assim, é pura burrice porque os radicalismos e fundamentalismos não são opções inteligentes e só resultam de cassetes que já deram o que tinham a dar. O Ser Humano não tem um padrão único para as suas atitudes.

 

Como animal que é, adapta-se ao meio ambiente.

 

Hodiernamente, e com a rapidez com que a História se escreve, exige-se, ainda mais, a cada momento, que optemos de acordo com o desenvolvimento da realidade à nossa frente.

 

Mais uma vez, afirmo com a convicção que a minha idade e a minha experiência caucionam. O Presidente agiu, fez o que tinha de ser feito, agora se dá mais jeito àquele ou menos jeito a este, não me interessa.

 

Aqui d’el-rei que os mercados nos estão a castigar! Ah estão? Até ao dia em que haja coragem de alterar as regras do sistema financeiro internacional. Eu sei que quem empresta dinheiro quer ganhar mais dinheiro. E isto, feito com regra, trata-se, pura e simplesmente de juros, que deveriam ser equilibrados e não, exploradores. Feito com ganância trata-se de agiotagem. Porque é que se pretendem lucros de 30% quando poderiam ser mais razoáveis e só ganharem 15%? Não é ganhar na mesma? Ganhar a todo o custo semeando a fome e a pobreza é desumanidade. É selvajaria!

 

A ganância acaba por perder sempre as pessoas, está demonstrado, pensem nisso, e os sistemas foram construídos por pessoas. Há aquele velho ditado popular de quem tudo quer, tudo perde.

 

O sistema financeiro não é um sistema produtivo, é um predador de dinheiro. E quando o dinheiro deixar de ser a moeda de troca e for substituído por uma outra coisa qualquer, mas socialmente mais humana? Mais evolutivamente moderna?

 

O que é que acontecerá aos computadores? E às empresas de rating? E às bolsas? E aos mercados?

 

Toda esta gente terá de mudar de vida, e para assegurar a sua vida terá que optar por um trabalho que seja produtivo, e a produção em Teoria Económica, é um conceito muito simples. Trabalhar em algo que nos sustente e nos dê conforto.

 

Já cá não estarei, mas isto vai mudar, com certeza e para melhor.

 

Parafraseando a frase de Eça, escritor, em destaque, permito-me recordar uma outra de um Poeta, a necessidade faz o engenho.

 

Os ideólogos do sistema financeiro que pensem nisto…e se cuidem!

 

 Luís Santiago

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