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A bem da Nação

POSTAIS ILUSTRADOS LXVIII

 

DONA CRISE

 

Quando os médicos diferem, o paciente morre

 Confúcio

 

 

Desde a fundação da nacionalidade que estamos em Crise. Começou com o desentendimento do nosso primeiro Rei e, se não é por isto, é por aquilo. Amamos a Crise. Não podemos passar sem a Crise. Mantemo-la sã e escorreita no nosso seio de Povo apaixonado. Ainda não lhe escrevi uma carta de amor, porque as cartas de amor, segundo o Poeta, são estúpidas e o nosso Povo não é estupido… Tem dias!

 

Passemos a analisar a estupidez ou a falta dela.

 

Andámos a vociferar contra o Presidente da República por estar ausente noutro planeta e por dar cobertura a este Governo de coligação. Agora que reagiu e pôs acima da política caseira o interesse nacional, aqui d’el-rei que o Primeiro Ministro e o, ainda não Vice-Primeiro Ministro, são umas vítimas da atitude rancorosa do Senhor.

 

Analisemos mais perto ainda.

 

A coligação que constituiu o Governo é uma sociedade por quotas de responsabilidade política ilimitada, não é uma sociedade por quotas de responsabilidade limitada. Nesta, o sócio maioritário dos 90% faz o que quer e lhe apetece e não dá satisfações ao minoritário de 10%. Naquela, o sócio maioritário tem de ouvir a opinião dos que lhe sustentam a sociedade para a poder gerir.

 

Em resumo, na minha opinião o ainda não Vice-Primeiro Ministro, teve razões para bater com a porta. Fê-lo, na minha opinião, numa altura pouco própria e deixou arrastar o problema tempo de mais. Eu tê-lo-ia feito mais cedo, e não usaria o método solitário. Punha as cartas na mesa e ia a jogo, como no poker.

 

O Primeiro-Ministro, como agora o querem fazer passar por vítima não é inocente. Aliás, o ainda não Vice, também não é.

 

Em política não há inocentes! Há responsáveis!

 

Analisemos a atitude do Presidente. Não creio que tenha agido por rancor de lhe terem ido ao bolso, com já li neste blogue. Se assim fosse, se houvesse um rancor assim tão grande, o próprio Povo já não estaria tão calado e paciente. Recordo, solicitando a atenção para a violência e a brutalidade das medidas impostas com a frieza tecnocrática de quem pouco se importou com os efeitos dessas medidas, tais como, a destruição da classe média baixa (os novos pobres), o desemprego, as falências das pequenas e médias empresas, entre outras desgraças… Medidas essas que o Primeiro-Ministro, querendo ser desesperadamente um bom aluno e mais papista que o Papa, agravou de motu proprio, dando cobertura às políticas impostas por um génio das finanças que, na sua carta de pedido de demissão, veio, humildemente, reconhecer que estavam erradas. Gabo-lhe a honestidade e a coragem de o ter assumido.

 

Não está em causa a bondade ou seriedade de qualquer deles. Está em causa a subserviência dos seus erros, a arrogância e a prepotência do seu comportamento errático. Errar é humano, mas, neste caso falta-lhes a lógica e a sensibilidade.

 

O Presidente da República pressentiu que estávamos no limite e agiu patrioticamente. Impos condições e exigiu trabalho. Fê-lo na plenitude do seu juramento quando tomou posse.

 

Só que, nessas condições faltaram algumas coisas que agora me permito sugerir, aproveitando o entendimento que vai ter lugar. Não tenho dúvidas. Por muito que o Secretário-Geral do PS esperneie, vai ter de se sentar à mesa, mesmo que lhe custe a liderança, mesmo que o Partido se divida. Se não o fizer, só vem provar que aos partidos só lhes interessa o poder a qualquer custo e que os militantes eleitos para funções públicas só estão interessados na sua vidinha e carreira política e quem os elegeu que se lixe. Aliás, segundo as últimas notícias o Secretário-Geral do PS vai mesmo sentar-se à mesa.

 

O que falta nestas orientações do Presidente da República são, entre outras, as seguintes:

 

Assumir o compromisso de:

 

-alterar a Constituição de República reduzindo o número de deputados; estabelecendo os Círculos Eleitorais, com vista a assegurar a genuinidade de representação dos eleitores; permitindo que eleitores, constituindo-se em associações não partidárias,

tenham acesso a submeter-se ao voto; entre outras que desenvolvam a essência da verdadeira democracia representativa…;

 

-alterar as regras de constituição dos Governos e dos Gabinetes, combatendo os super ministérios, não funcionais, restringindo o poder de nomeações de assessores e derivados, secretárias, motoristas e frotas de luxo;

 

-fazer o mesmo na Assembleia da República, com frotas e assessores; com as mordomias dos deputados*, os subsídios aos deputados e aos partidos**, as reformas antecipadas e todo um rol de benesses escandalosas, antidemocráticas e anti-sociais. Afinal, os deputados estão ao serviço da Nação e não deles próprios. Nem vejo os do PCP, dos Verdes, ou do BE a renunciar às suas mordomias para estarem em pé de igualdade com a classe trabalhadora que tanto adoram e defendem, porque eles, sem dúvida, são oriundos dessa classe.

 

Alerta! Aumentou o número de portugueses com o espectro da fome em cima das suas cabeças.

 

Fico-me por aqui, estas são as mais urgentes, e que, segundo as minhas contas, representam mil milhões de euros de poupança.

 

Deixo um último alerta, uma conhecida figura do jet set da política, cuja orientação ideológica e partidária não deixa dúvidas a ninguém, já veio falar de Revolução ou golpe de Estado.

 

Há muito confusionismo e pouco confucionismo!

 

Por mim, o Presidente da República já fez um golpe de Estado nos interesses dos partidos e uma Revolução na cabeça dos políticos do chamado arco da governabilidade. Dos outros não há golpe de Estado ou Revolução que lhes valha porque a cassete é sempre a mesma.

 

Se eu fosse adepto da rede social do facebook punha lá "eu gosto disto".

 

 Luís Santiago

 

*Receberiam reformas, sim senhor, na mesma idade que está aprovada para os trabalhadores em geral. Assim é batota.

 

**Os meus impostos não são para estar a sustentar partidos com ideologias que não professo.

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