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A bem da Nação

O RABECÃO DO SAPATEIRO

 http://www.dailymotion.com/video/xbwupj_o-burro-e-flauta_music#.UdvB8x9dbIU

 

 

Quando vejo as nossas figuras

Discutindo na praça sem muito saber

As politiquices do nosso sofrer,

Conforme o partido do nosso querer,

Lembro-me da fábula de Florian

«O burro e a flauta»

Que no seu tempo também existia,

Pois, se não, ele não se lembraria

De explorar com alegria

A temática, tão nossa irmã,

Da parvoiçada rezingona

Da nossa sabedoria

Soprada com galhardia

Pelo café da manhã:

 

Os parvos são um povo numeroso

- Virtuoso -

Achando todas as coisas fáceis.

Devemos aceitar, isso torna-os felizes,

Motivo para se julgarem muito hábeis.

Um burro, roendo os seus cardos,

Olhava para um pastor que tocava, sob os ramos,

Numa flauta, cujos sons amáveis

Atraíam e encantavam os pastores do bosquezinho.

O burro descontente dizia: Este mundo está louco

Contentando-se com tão pouco!

Ei-los, de boca aberta,

Admirando um grande parvo que sua e se atormenta

Soprando num buraquinho,

É com tais esforços que se chega a agradar-lhes

Enquanto que eu… basta… saiamos daqui

Pois estou mesmo danado

Com tanta injustiça! Chiça!.

O nosso burro, razoando assim,

Avança uns passos, quando, por entre os fetos

Uma flauta, esquecida nestes lugares campestres

Por algum pastor amoroso

- Mas distraído -

Se encontra aos seus pés. O nosso burro ergue-se,

Os seus gordos olhos fixa na flauta,

Com uma orelha para a frente

Abaixa-se lentamente,

Aplica a narina sobre o pobre instrumento

E sopra esforçadamente.

Oh! acaso inacreditávell!

Sai de lá um som bem agradável.

O asno julga-se um talento,

E todo contente

Em voz estridente,

Exclama dando cambalhota incauta:

Ei! Eu também toco flauta!

 

Mas não são só as amigas

Que dizem coisas sabidas

Aprendidas nas notícias,

Pois os meios de comunicação

Mostram bando de doutores

Denunciando à exaustão

As doutrinas dos senhores,

Com erros até mais não,

A que todos, bem sabedores,

Dariam outra solução.

Não há paciência, não,

Para tanto sapateiro

A tocar rabecão

Ou mesmo barbeiro

A discutir da nação,

Com tanta insinuação

De melhor resolução!

Veremos se com tanta empáfia

Não vamos todos à viola,

E já nem sequer para Angola,

Como o macaco aldrabão,

E sempre atribulado,

Do rabo cortado.

 

 Berta Brás

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