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A bem da Nação

O CATOLICISMO PORTUGUÊS DE ONTEM PARA AMANHÃ

 

(...)

 

Como cultura, o catolicismo enfrenta – mesmo dentro de si próprio – o enorme repto do aculturalismo difuso, marcado pela grande dificuldade de ponderação sobre tanta informação imediata.

 

Como sabemos, a cultura provém do cultivo, que dos campos passou ao espírito, permitindo reflectir e decidir com mais substância e sossego. Na habitualidade católica das famílias e comunidades, transmitiam-se noções e práticas tradicionais, bem como valorizações adquiridas. Podiam ser mais ou menos respeitadas no concreto, mas eram geralmente aceites como norma e até como ideal.

 

A última metade do século XX trouxe-nos outra coisa, especialmente no hemisfério Norte. Um crescimento inusitado de meios de toda a ordem, especialmente materiais e informativos, a revisão constante de certezas adquiridas, a desconfiança pós-moderna em relação às pré e meta narrativas, a comercialização geral e publicitária dos gostos e comportamentos…

 

Estes e outros factores dificultam ponderações comunitárias ou mesmo individuais, retraem para a sensibilidade ocasional, “cultivam” pouco ou nada as opções, reagem instintivamente às normas recebidas, desconfiam geralmente das instituições que as transportam. Como instituição quase global e mais antiga na sociedade portuguesa, o catolicismo sofre uma erosão permanente onde todos estes factores concorrem, mesmo sem verificar o que se alega.

 

(...)

 

Mais facilmente se aceita que cada um tenha ou deixe de ter esta ou aquela convicção, no descampado neutro em que parecemos estar. As afirmações definidas dalgum crente são facilmente tomadas como fanatismo ou despropósito; a proposta que faça a terceiros dum caminho religioso, uma intromissão abusiva… Não sendo esse o seu sentido original e de algum modo esquecendo o papel histórico que realmente desempenhou, a “tolerância” pode significar hoje, pura e simplesmente, “abandono de campo”, decaindo em tolerantismo.

 

(...) retenha-se a afirmação de Bento XVI no Porto, a 14 de Maio de 2010: “Nada impomos, mas sempre propomos”.

 

(...)

 

Neste hoje incerto e inevitável, o catolicismo português tenta redefinir-se e relançar-se, com algumas linhas maiores de pensamento e acção, que têm sido reflectidas e propostas em vária instâncias e grupos.

 

(...)

 

Coimbra, 28.10.2011

 

 D. Manuel Clemente
Bispo do Porto

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