O BCE – A "POLÍTICA DA UE" E A SALVAÇÃO DA ITÁLIA
Com que estão o BCE está a comprar dívida italiana (e espanhola)!!! Então agora os seus Estatutos já não são factores impeditivos? E a nossa dívida, porque não a compra? Porque não recompra a dívida contraída pelos Bancos Comerciais Portugueses, garantida com colaterais em títulos de dívida pública portuguesa? Será que para o BCE e para quem manda nele Portugal e os Portugueses são menos europeus que os italianos e espanhóis?
Sempre coloquei em causa que o BCE estivesse a comprar dívida portuguesa através de empréstimos à Banca com colaterais representados por dívida pública. Era o gato escondido com o rabo de fora!!! Claro que os Bancos Portugueses – que enquanto máquinas bancárias são muito bem geridos – cometeram o erro estratégico de apoiar e confiar financeiramente as políticas e o modelo económico do Governo Socialista. Agora, eles e a nossa economia sofrem as consequências. Julgo que os Banqueiros foram sobretudo gananciosos. Agora devem ao BCE, o Estado deve a eles e não lhes paga e ainda por cima os vai nacionalizar!!! Bem feito, é para ver se ganham juízo e, se sobreviverem, passarem a apoiar a economia real e não os objectivos dos políticos.
Eu entendo que o BCE deve continuar a ser proibido, sim proibido, de financiar directa ou indirectamente (gato escondido com o rabo de fora) os Estados e os devaneios económicos dos políticos que momentaneamente ocupam os lugares de Poder. Mas o BCE deve ser obrigado, sim obrigado, a garantir direitos de saque aos Bancos Comerciais, mediante apresentação de colaterais por empréstimos a Empresas que se dediquem à produção de bens e serviços transaccionáveis. É a única forma de se aumentarem os meios monetários em circulação e não provocar inflação (desvalorização do poder aquisitivo da moeda). Isto porque, ao aumento da massa monetária corresponderá a produção e oferta de bens aos mercados de consumo e de investimento. Ao contrário, o financiamento aos Estados, para além de estimular a irresponsabilidade populista dos políticos na caça ao voto, nunca corresponde à produção e sempre ao consumo e por isso é sempre uma medida inflacionista.
Basta pensar um pouco no que, com razão, dizia Nietzche: “O Estado é ladrão, tudo o que tem foi roubado”, e assim continuará se não for controlado.
Se acharem que estou errado que escrevi para aqui um chorrilho de asneiras e erros de teoria económica, não hesitem em me zurzir.
11/11/11
João A. J. Rodrigues,
Empresário, Gestor, e livre-pensador em questões económicas
