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A bem da Nação

A MULHER FANTASMA

 

             

                                                                                                                        

Quantos mistérios ocorrerem na nossa breve existência, que a simples observação ou mesmo as pesquisas ou teorias científicas, teológicas, espíritas, empíricas não explicam com plena convicção?

 

Segundo o psicólogo e pesquisador Justin L. Barrett, somos programados psiquicamente para acreditar em um ser superior e pra aquilo que não podemos entender. E então, quando se trata de como funciona a mente e a sintonia electromagnética das ondas cerebrais entre gémeos univitelínicos, o rapport entre eles é ainda mais espantoso e verdadeiro.

 

Naquela agradável e enluarada noite de Verão do Alto da Boa Vista, a visão era magnífica. Uma aragem suave, mas fria, vinha do mar que como um espelho metálico reflectia a luz clara da Lua tornando ainda mais evidente, em frente, a negra Ilha Montanha. Altas horas, o grupo vinha em pequenas e espaçadas levas. Braços dados, aconchegados, passos ligeiros, ecoados em uníssono na pedra vulcânica, conversas ligeiras, risinhos empáticos, abafados para não despertar os moradores do caminho, meus tios e alguns amigos vinham da casa de meus pais após uma noite de serão.

 

Todos os anos, no final do Agosto, nas lojas da casa do leão, os parentes e alguns amigos se reuniam para o mutirão da desfolhada do milho. Enquanto os adultos trabalhavam e as crianças brincavam a escalar os montes de maçarocas de milho, sob a luz morrente do lampião, minha bisavó Rosa lia As Pupilas do Senhor Reitor para entreter a malta. Depois das brincadeiras, da procura do milho rei (de grãos vermelhos), já quase ao final do serviço, Vovó Alice fazia chá preto e servia a todos com biscoitinhos de nata e pedaços de massa sovada, pra que fossem pra casa dormir com o estômago forrado. Pra nós, minha irmã e eu, aquilo era uma festa. Após nos lavarmos e de beber uma canequinha de leite morno, íamos para cama cansadas, mas felizes.

 

Um a um, a intervalos regulares, os dois pequenos grupos seguiram pela estrada em alegre palreiro. Ao passarem pelo portão de ferro que cerrava os muros do Campo Santo, que fica bem no alto da colina, fizeram silêncio e persignaram-se em respeito às almas penadas. Um pouco mais abaixo da rua, já na encruzilhada, enquanto um dos grupos esperava o outro chegar para se despedir e cada um tomar seu caminho, meu tio José perguntou curioso:

 

- Vocês conhecem aquela mulher que estava no portão do cemitério?

 

Para espanto geral, ninguém vira nada. Foi quando meu outro tio Gaspar, irmão gémeo de meu tio José, se aproximando com o grupo retardatário, também pergunta:

 

- Viram aquela mulher na porta do cemitério? Quem é?

 

Um frio passou pela espinha de todos eles. Só os irmãos gémeos haviam visto a mulher. Entre se olharam, benzeram-se e a passos rápidos desceram a ladeira..., rumo às suas casas.

 

Uberaba, 26 de Maio de 2013.

 

 Maria Eduarda Fagundes

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