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A bem da Nação

SER DE ESQUERDA EM PAISES DE REGIME CAPITALISTA



 

 

Fala-se hoje de novo em "rush migratório"como se, no passado, tal movimentação populacional não fizesse parte da estrutura económico-social portuguesa.

Lendo a tese de AS DUAS POLITICAS NACIONAIS, de António Sérgio, logo nos apercebemos desse fenómeno, pois o autor cita Duarte Ribeiro de Macedo, na sua obra Da Introdução das Artes Neste Reino, de 1647, em que sobre a Politica de Fixação afirma que "Nemo nos Conducit", isto é, ninguém nos conduz, ninguém emprega os nossos braços e daí a mórbida Emigração.

Compreende-se perfeitamente a razão pela qual prevaleceu a Politica de Circulação ou Transporte que nos levou à Epopeia dos Descobrimentos, que veio a constituir o nosso espaço económico-geográfico durante cerca de 500 anos.

O sacrifício para o manter foi obra dos portugueses do passado, mas o presente não sentiu essa vontade indómita e levado pelos apelidados "Ventos da História" cedeu essa nossa força no mundo, que metia inveja.

Quando o presente foi chamado a defender o sacrifício do passado, respondeu quase um milhão de jovens, enquanto outros preferiram a fuga ao compromisso e outros ainda quiseram engrossar o fenómeno do "rush" saindo do país para encontrar melhores meios de sobrevivência.

A década de sessenta do século passado marca mais uma vez que não era possível uma Politica de Fixação da nossa população e os dólares americanos para a ajuda à Europa aceleraram a partida para outras paragens.

A luta contra o regime de Salazar é assumido por aquilo a que se pode chamar a esquerda ideológica com ligações aos partidos socialista e comunista. Conquistadas melhores condições de vida, tal facto não invalida a preferência da simpatia pela esquerda.

Depois da Revolução Russa de 1917 poder-se-ia pensar que as diversas movimentações populacionais se dirigissem para o denominado "paraíso das amplas liberdades".

Mesmo no inicio do século e depois do primeiro conflito mundial, a nossa emigração nunca se fez em direcção aos países ditos socialistas, os quais apregoavam o pleno emprego e um nível de vida compatível com a dignidade humana.

O "rush migratório" mais curioso é o das décadas de sessenta e setenta e o actual, desde há uns dez anos a esta parte.

A propaganda em voga era a do comunismo e em menor escala a do socialismo democrático contra o regime autoritário e contra a Guerra dita Colonial, segundo a sua denominação, para impressionar os incautos e como forma de pressão que levaria a denegrir o conflito, mesmo se ele se apresentasse como defesa do património histórico.

Poderia então supor-se que os países sob regime comunista fossem o destino de preferência para o exercício do "métier" pois, assumindo-se os emigrantes como maioritariamente de esquerda, todos eles recusaram estabelecer-se nos países da sua ideologia preferencial.

A preferência foi, é e será os países de regime capitalista, como hoje se comprova.

Por isso, fazem-me rir aquelas e aqueles emigrantes que, nos países capitalistas, apelam a favor dum PCP estalinista ou do BE trotsquista, para que eles atinjam o poder em Portugal quando, em tempos, mau grado as dificuldades, quiseram permanecer nos países cujo regime combatiam.

Também é bem verdade que as cenas vistas durante a queda da ex-URSS e seus satélites, com as populações em manifestações de alegria saltando arames farpados e derrubando muros vergonhosos, serviu de vacina e de exemplo para evitar loucuras ou entusiasmos pela propaganda.

Mas é bom, é saudável, é moderno, é de bom-tom, ser de esquerda em países de regime capitalista.

 

20 de Maio de 2013

 

 Isaías Afonso

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