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A bem da Nação

PORTUGAL E O EUROPEÍSMO

 

Para começar, quero afirmar a minha convicção de que os países europeus só têm possibilidades de combater com sucesso a tendência para a decadência desenvolvida em particular nas últimas duas décadas se conseguirem organizar-se como membros de uma Europa europeísta, isto é, suficientemente coesa na  vida económica e social, mas mantendo cada um a sua individualidade e portanto as muitas diferenças que constituem a grande riqueza cultural que permitirá atingir o equilíbrio com as novas forças, como os BRIC e os EUA.

 

Assistimos com muita frequência a diatribes contra a Europa, incluindo a nossa saída dela, embora quem o faz não explique sair para onde e como, e sendo dada também como exemplo a nossa epopeia dos descobrimentos como anti europeista.

 

Mas teria mesmo sido assim, isto é, os adeptos dos descobrimentos marítimos estariam contra a Europa e teriam sido os adeptos do velho do Restelo os defensores do europeísmo?

 

Em 1992 na Academia de Marinha realizou-se uma sessão comemorativa do nascimento do Infante D. Pedro, onde este assunto foi tratado e onde ficou patente um facto essencial para a compreensão da evolução portuguesa no século XV e que foi o seguinte: a revolução 1383-85 que colocou o Mestre de Avis como rei D. João I teve em confronto duas elites: uma ligada à maioria da nobreza que defendia as pretensões de D. João de Castela e outra assente na burguesia de Lisboa, do Porto e de Lagos que conseguiu colocar no trono o Mestre de Avis.

 

Ora quem permitiu haver os descobrimentos marítimos foi esta elite burguesa, com elevada percentagem de judeus, que eram nesta época os detentores de mais conhecimentos científicos e tecnológicos e de ligações comerciais com o norte da Europa e com o Mediterrâneo, o que explica as múltiplas influências e contactos desenvolvidos durante vários anos antes com países, tanto na zona do Canal da Mancha como no Mediterrâneo.

 

Aliás, a estratégia seguida pelos primeiros reis portugueses sempre foi desenvolver ligações com estes parceiros de forma a equilibrar o forte poder representado pelos reinos ibéricos em particular Castela, com quem tivemos sempre uma ligação complicada pois várias lutas houve entre nós alternadas com tentativas de ambos os lados para nos fundirmos num Estado Ibérico.

 

Mas uma coisa é certa: os descobrimentos marítimos foram o resultado de um esforço e uma estratégia portuguesa, mas profundamente enraizada na Europa como se pode avaliar constatando o grande número de participantes europeus quer nas navegações quer nos trabalhos geográficos produzidos e Portugal foi assim a ponta de lança da expansão europeia que abriu as rotas oceânicas aos outros países deste Continente.

 

Nesse tempo, Portugal era central e periféricos eram os países europeus presos numa Europa cercada pelo mar e por terras dificilmente acessíveis.

 

Portanto, quem fez os descobrimentos foram os europeístas e os velhos do Restelo eram aqueles que nada queriam do mar mas ficar-se apenas pelo norte de África e pouco mais e que estavam ligados à elite da nobreza.

 

Na verdade, agora velhos do Restelo são aqueles que querem sair da Europa e voltarem a ser sós como se isso tivesse qualquer espécie de viabilidade num mundo, por nós globalizado e onde mais do que nunca é forçoso pertencer a alianças inteligentes e eficientes, como a Europa deverá passar a ser, para se poder atingir o nível de competitividade e de sustentabilidade que nos permita, a nós como europeus, preservarmos a qualidade de vida que ambicionamos ter.

 

Lisboa, 17 de Abril de 2013

 

 José Carlos Gonçalves Viana

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