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A bem da Nação

PERSEGUIÇÕES

 

«O Atum e o Golfinho»

 

Um Atum que um Golfinho perseguia

As ondas do mar fendia

Em grande alarido;

Prestes a ser apanhado,

Viu-se caído

Na orla da praia

Por causa da maré cheia

Que o empurrou para a areia.

Ora o Golfinho

Que um forte impulso de avidez impelia

Sobre aquele,

Veio esparramar-se junto dele.

Voltou-se o Atum,

E vendo-o a agonizar

Exclamou com prazer

Sem rebuço algum:

“Já não sinto tão amarga a minha sorte

Quando vejo perecer

Aquele que causou a minha morte!”

A fábula mostra que os males

Se suportam com menos celeuma

Quando são partilhados por aqueles

Que os provocaram na calma.

 

Por aqui se vê que o Esopo

É muito anterior a Jesus Cristo

Que sempre advogou a bondade

Mandando apresentar a outra face

Quando uma estalada era dada

Com muita maldade

Na face

De qualquer incauto

Que inesperadamente

A recebesse

Com surpresa indignada,

Mas retraidamente

Porque cristãmente.

Por isso nós não nos rimos,

Quando de dores morremos,

Se ficarmos certos

Que os que de dor nos matam

Connosco de dor são mortos

Em idênticos apertos.

Os do Médio Oriente

Andam à pedrada

Nós à estalada,

Tão só porque estendemos

A face à bofetada

Muito cristãmente,

Fora da entifada.

Também não imitamos

O risonho Atum,

Sem respeito nenhum

Pelo pobrezinho

Do Golfinho

Que a avidez perdeu

E assim morreu,

Como aliás também

O Atum morreria.

Mas é o destino de cada um,

A morte sombria.

Só não se deve nunca

Pôr a Pátria em risco

Por razões de fisco.

 

 Berta Brás

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