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A bem da Nação

JOANA SIMEÃO, O BLUFF

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Conheci-a pessoalmente.

 

Nos idos de 1972-73, em Lourenço Marques, era eu adjunto do Eng. Vilar Queiroz na Secretaria Provincial dos Transportes e Comunicações e fui nomeado voluntário para arredar a minha secretária um pouco mais para um canto a fim de dar lugar a uma mesa e cadeira para acolher a Dr.ª Joana Simeão.

 

Nesse gabinete já me acolhera aquele com quem entretanto firmei amizade, o Dr. Erlick Figueiredo Ribeiro, goês e que actualmente (2013) reside em Lisboa.

 

O gabinete era muito pequeno mas a nossa vontade fazia-o enorme para acolher quem nos vinha recomendada pelo nosso Patrono, o Secretário Provincial.

 

E assim fizemos: o Erlick e eu ajeitámos as nossas posições e levantámo-nos para receber a Senhora que se preparava para entrar, acompanhada pelo Chefe do Gabinete, o saudoso João Mascarenhas, que fez as apresentações.

 

Cumprimento totalmente protocolar: sisuda Senhora, afáveis cavalheiros.

 

Foi logo na primeira chamada telefónica de iniciativa dela que o Erlick e eu decidimos parar o que estávamos a fazer entabulando entre nós os dois uma conversa qualquer em voz relativamente baixa mas não em surdina para que a nossa vizinha soubesse que não estávamos a escutar o que ela dizia e assim se sentisse mais à vontade. Debalde. A mão em concha sobre o bocal do telefone deu logo para nós os dois percebermos que estávamos ali a mais. Mas é claro que não arredámos pé, disfarçámos tanto quanto fomos capazes e continuámos os nossos trabalhos com alguma conversa à mistura tentando nós que o ambiente fosse descontraído. Debalde. A Senhora nem sequer para nós olhava como se fossemos ainda mais feios do que a Natureza nos fez. Imaginámos que tudo não passasse de timidez, que no dia seguinte tudo iria ser mais fácil. E foi debalde que esperámos pela Senhora nos dias seguintes... Deambulava pelos corredores, fingia que cumprimentava quando se cruzava com alguém, não voltou a entrar no nosso gabinete mas outro não lhe foi dado.

 

Sabendo do mau ambiente (facto completamente inédito naquele local de trabalho) o Eng. Vilar Queiroz decidiu intervir e convidou um conjunto de seus colaboradores para um encontro em casa dele durante o qual poderíamos conversar sobre tudo o que quiséssemos, sem tabus.

 

E foi com enorme espanto que todos pudemos ouvir a Dr.ª Joana Simeão dizer coisas vagas, como se falasse por código secreto, apenas olhando para o chão e para o ar. Mas de algo muito concreto nos apercebemos todos: uma vaidade incontida e um ódio muito contido.

 

A ambição de protagonismo levava Joana Simeão a poses teatrais mas quando lhe era dada a deixa, a vacuidade imperava porque ao discurso faltava qualquer espécie de conteúdo só ressumando o ódio que ela mal disfarçava.

 

E passados todos estes anos eu finalmente percebo que esse ódio não era contra os brancos ou contra os indianos ou contra quaisquer outras nações moçambicanas que não a sua, a macua: o ódio de Joana Simeão era contra tudo que não fosse ela.

 

Não era um caso de filosofia, não. Durante os meses que nos cruzámos, nunca dali surgiram questões metafísicas, de ontologia, de fenomenologia, de ética, de lógica. Hoje, creio que o problema de Joana Simeão era do foro da psicologia, quiçá da patológica.

 

Estupidamente, os da Frelimo passaram-na pelas armas não pactuando com quem lhes quisesse fazer sombra. Bastaria tê-la deixado falar livremente para que ela própria se estatelasse. Se nos tivessem perguntado...

 

Lisboa, Abril de 2013

 Henrique Salles da Fonseca

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