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A bem da Nação

DEVANEIOS

 

TOMATE E DERIVADOS – GRANDE FONTE DE DIVISAS

 

 

Peter Gumbell fascinou-nos imenso com seu curioso artigo na revista TIME (Vol. 181, nº 91 de 11.03.2013). Não me podia alhear da temática, já que eu próprio a abordara em duas teses: a) “U. S. Tomato Production, Consumption and Foreign Trade”, enviada ao Congresso da S2A3 em Cape Town, África do Sul, em Julho de 1970; b) “A Cultura do Tomate como Factor de Povoamento no Ultramar Português”, apresentada no Congresso das Actividades Económicas, realizado em Luanda em Outubro de 1970.

 

Decorridos mais de 42 anos, muita água correu debaixo da ponte e o Mundo inteiro gerou novos avanços nos mais diversos domínios de Arte, Ciência, Letras e Tecnologia. O tomate e derivados entraram no giro do comércio internacional registando altos níveis de produção, consumo e comércio de exportação e importação.

 

Com este breve introito abordarei a temática da epígrafe deste apontamento, com a ajuda de dados estatísticos, esporádicos e parciais, chegados à mão no meu retiro.

 

Produção Mundial

 

Estima-se em 125 milhões de toneladas métricas (de 1000 kg) a produção de tomate e derivados entrada em giro comercial em 2003/05, quase duplicando a produção de 63 milhões (t.m.) em 1983/85. Essa produção deveu-se aos seguintes continentes produtores (expressa em milhões de toneladas métricas): África (15), América do Norte (15), América do Sul e do Centro (8), Ásia (62) e Europa (23). A produção da Oceânia, sem grande expressão internacional, cifrara-se em 400.000 toneladas métricas, em 1983/85.

 

A exploração transcontinental de tomate e derivados registou uma escala de produtividade bem divergente, sujeita às variações do solo, do clima, dos métodos tecnológicos e dos cuidados dispensados por cada um dos países produtores. Distinguiram-se 10 principais produtores, em termos de sua produtividade expressa em tonelada/hectare: EUA (67), Espanha (63), Brasil (58), Itália (52), Egipto (38), Turquia (37), Irão (30), México (26), China (25) e Índia (14).

 

Por cada caixa de 23 kg de tomate fresco vendido aos produtores, foram pagas as seguintes compensações em termos de dólares americanos, a saber: Egipto ($2.00), China ($2.30), EUA ($3.40), Índia ($3.60), Irão ($3.90), Brasil ($4.00), Turquia ($4.70), México ($6.80), Itália ($9.40) e Espanha ($14.20).

 

Os interessados no comércio internacional de tomate e derivados deverão ter em conta os números por mim apontados do grau de produtividade e da mão-de-obra usada na cultura do tomateiro.

 

Consumo Mundial

 

Até prova em contrário, suponho que não há um cômputo verdadeiro do consumo de tomate e derivados à escala mundial. Teoricamente, com verdadeiros dados estatísticos, como nos EUA, chega-se a apurar o consumo doméstico de tomate e derivados com a fórmula: Produção + Importação – Exportação. Na falta destes dados, é impossível determinar o consumo doméstico de qualquer país produtor.

 

O saboroso e nutritivo fruto da solanácea, já utilizado na América pré-Colombiana, é largamente consumido pelos próprios agricultores, usando-o na confecção de saladas, compotas, pasta, puré e outros preparados caseiros. Todavia, peritos agrónomos e economistas fizeram suas estimativas deste consumo, em termos per capita, isto é, de kg de tomate por habitante e por ano, com a seguinte evolução: 14, 15 e 19 kg por habitante e por ano, nos anos de 1983/85, 1993/95 e 2003/05 respectivamente.

 

O consumo estimado per capita entrou em plena evolução nos países produtores de tomate, com a divulgação de que o fruto tem as vitaminas A, B e C, e é um elemento anti-cancerígeno adoptado entre os povos orientais no combate de cancro da próstata e do aparelho digestivo.

 

Comércio Mundial

 

De ano para ano, é grande e muito valioso o comércio de tomate e derivados a nível mundial. Os grandes e desenvolvidos países da actualidade estão interessados no comércio mais conveniente, de importação e/ou de exportação, como grande fonte de divisas em euros ou dólares. Infelizmente, faltam-nos dados concretos sobre esse volumoso e lucrativo comércio a nível mundial.

 

Os EUA são grandes produtores e consumidores de tomate e derivados, todavia entram no comércio quer de importação quer de exportação. Os americanos importaram o tomate e derivados duns 50 países produtores-exportadores, sobretudo do México, Itália, Portugal e Espanha nos anos de 1955/69 quase significando 96% dos fornecimentos ao mercado norte-americano. Em contrapartida, os EUA também se assinalaram nos citados anos (1955/69) como o maior fornecedor de tomate e derivados ao vizinho Canadá, num valor global de US$ 227 milhões (tese de 1970). Os fornecimentos americanos ao Canadá nesses anos representaram 67% de suas exportações globais. Os americanos forneceram ao Canadá 95% de tomate fresco, 55,1% de pasta e puré de tomate e ainda de 54,4% de tomate enlatado.

 

Nas importações norte-americanas de tomate e derivados é curioso saber que a participação de Portugal, iniciada em 1955 no valor de US$ 2.200, fora ultrapassada em 1968 pelo valor de US$ 15 milhões, sabendo-se ainda que Portugal fora em 1966 o maior fornecedor da pasta de tomate ao mercado norte-americano (op.cit.). Em 2012 consta que Portugal exportou 95% de sua produção de tomate e derivados, assinalando-se como o 5º maior exportador mundial desses produtos, no valor de US$ 250 milhões, grandemente canalizados para o mercado norte-americano, muito embora Portugal seja dos últimos produtores de tomate e derivados da União Europeia, com uma produção anual de cerca de 1,3 e 1,4 milhões de toneladas métricas de tomate em 2009 e 2010 respectivamente.

  

Exploração de Tomate na Europa

 

A produção de tomate na Europa, em franca evolução, foi marcada por 18, 19 e 23 milhões de toneladas métricas respectivamente em 1983/85, 1993/95 e 2003/05. Seus 10 principais produtores, integrados na União Europeia, foram no ano de 2011, e conforme a sua produtividade expressa em milhões de toneladas métricas ou sua fracção: Itália (6), Espanha (3,8), Grécia (1,2), Holanda (0,82), Polónia (0,68) e França (0,63). Portugal, com cerca de 1,3 e 1,4 milhões de toneladas métricas em 2009 e 2010, foi um dos últimos produtores de tomate na Europa, enquanto a Turquia (mais asiática do que europeia) produziu em 2003/05, 4,5 milhões de toneladas métricas de tomates, entrando no comércio mundial.

 

Os seis mais importantes países da Europa produtores/exportadores de tomate e derivados da Europa foram, em termos de tonelada métrica (1000 kg): Holanda (934), Espanha (739), França (191), Itália (139), Polónia (72) e Grécia (7). Este último país projecta fazer grandes investimentos, adoptando o estilo holandês no uso de pesticidas biológicos e substratos para incrementar sua produção de tomate e derivados para mais do dobro da sua actual produção. E, porque não se fará o mesmo no nosso Portugal, criando mais emprego e auferindo mais divisas?

 

Oxalá os capitalistas e os empresários portugueses ajudem a incrementar a produção portuguesa de tomate e derivados – grande fonte de divisas, como acabei de demonstrar neste devaneio dum bem avançado nonagenário! Deo volente…

 

 

Alcobaça 15.03.2013

 

 Domingos José Soares Rebelo

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