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A bem da Nação

DEVANEIOS

 

COMÉRCIO DE METAIS RAROS SEM CHANTAGENS

 

1

 

Em Outubro de 2012 divulguei a grande procura de pentóxidos de columbite – tantalite a nível mundial, com profusos dados estatísticos, anteriormente compilados. Desta vez vou analisar a panorâmica de actual exploração, refinação e comércio mundial duns 16 elementos metálicos, uns bivalentes, outros trivalentes e outros ainda polivalentes em terminologia tecnológica de sua utilização, cada qual com suas propriedades características.

 

Para satisfazer as necessidades de consumo desses metais raros, uma meia dúzia de países empenham-se nesse comércio de importação/exportação, tais como China, Estados Unidos, Japão, Austrália, Cazaquistão, Índia e Canadá. O comércio exportador atinge cerca de US$2 biliões, tanto como o valor da produção de pastilha elástica nos EUA. Mas a relevância desse comércio exportador de metais raros é altíssima para o regular funcionamento das grandes indústrias, sobretudo da indústria das novas tecnologias.

 

Ressalta aos olhos que na falta ou no atraso duns gramas de Disprósio (Dy/66), o fabrico de automóveis Toyota Prius (custando uns US$25.000) ficaria paralisado, embora o custo desse metal não ultrapassasse umas dezenas de dólares. Também 100 computadores ficariam imobilizados com a falta duns gramas de Neodímio (Nd/60) custando alguns cêntimos de dólar. Tudo na vida é relativo. A falta dum parafuso ou um parafuso mal apertado pode fazer cair um avião e matar na sua queda centenas de inocentes passageiros…

 

Os chamados metais raros, ditos em química “terras raras”, verdadeiramente não são tão raros como se pinta. Cério (Ce/58) é mesmo um abundantíssimo elemento metálico maleável e usado para polir os cristais. Outros metais raros são extraídos de rochas, à martelada na sua trituração e depois sujeitos à adequada refinação. Essas operações são morosas e de difícil labuta, dali serem chamados metais raros, isto é, não facilmente exploráveis como os vulgares metais do comércio mundial.

 

2

 

A China, em 1986, suplantou os Estados Unidos como o maior exportador de metais raros graças às suas enormes jazidas conhecidas desses metais, à mão de obra vasta e baratíssima e ainda aos enormes investimentos das próprias empresas, exploradoras e exportadoras. Seis anos depois o Governo da China insistiu na mais intensa pesquisa, exploração e exportação de metais raros assinalando-se com 95% do seu comércio exportador mundial. Em 2002 os Estados Unidos, face à concorrência chinesa, tiveram de fechar sua maior empresa exploradora de metais raros em Montana Pass cerca de 80 km a sul de Las Vegas, Califórnia.

 

Cônscia da sua posição dominante no comércio mundial de metais raros, a China tomou duas fortes medidas: reduziu em 40% o volume de exportação desses metais raros permitidos às empresas em 2010 e baixou seus investimentos na sua pesquisa e sua exploração, unicamente para aumentar o preço desses metais raros.

 

Como tivesse surgido num impasse o conflito militar sino-nipónico sobre a ocupação dumas ilhas em disputa, a China recorreu à chantagem política, proibindo e suspendendo em dois meses qualquer exportação de metais raros ao Japão, causando um pânico nesse seu maior comprador habitual, absorvendo 66% das exportações de metais raros chineses.

 

O pânico fora quase universal. O mundo livre reagiu contra esta brutal medida, levando o Japão, os EUA, a Austrália e o Canadá a fazer maciços investimentos à procura de novas jazidas de metais raros, nos seus respectivos países ou fora deles, como no Cazaquistão e na Índia. Também esses países desenvolveram novas técnicas na substituição parcial ou total dos metais raros. A cotação mundial de metais raros que subira 300% a 1000%, bruscamente caiu. Alguns países do sudeste da Ásia (Vietname) recorreram ao expediente de recuperar os metais raros do monturo de máquinas, compressores, aparelhos de ar condicionado, veículos híbridos, telemóveis e computadores jogados nos montes de lixo.

 

Nem o Japão nem o mundo livre se dobraram aos pés da China perante a chantagem política jogada e fizeram que esta tivesse efeitos de boomerang... Em Novembro de 2012 a Nissan anunciou que tinha reduzido em 40% seu consumo de Dy/66 no fabrico de novos magnetes para seus motores eléctricos. Só DEUS sabe que futuro nos aguardará quando o Dragão Chinês despertar: já Napoleão Bonaparte pôs a Humanidade de sobreaviso sobre esta eventualidade, há mais de dois séculos!

 

 

III

 

Não sou geólogo, nem mineralogista, nem engenheiro de minas, mas gostaria que esses peritos se dedicassem à pesquisa na localização de jazidas de metais raros no espaço português, desde o Minho até às lonjuras dos nossos arquipélagos do Oceano Atlântico.

 

Estou certo de que a procura de metais raros será cada vez maior nos próximos tempos dados os avanços no mundo da Tecnologia, em constante evolução, e a corrida imparável de concorrência e disputa entre os empresários e capitalistas multibilionários.

 

Os 16 metais ditos raros, com seu respectivo número atómico e com algumas de suas características próprias vão aqui mencionados a título de curiosidade. Eis esses metais raros em apreço:

 

CERIUM (Ce/58) – encontrado em abundância, elemento metálico dúctil e maleável, usado para polir cristais; DYSPROSIUM (Dy/66) – usado na formação de magnetes altamente compostos e em RAIOS X (tomografia); ERBIUM (Er/68) – elemento metálico trivalente, encontrado em associação com Yttrium; EUROPIUM (Eu/63) – elemento metálico bivalente e trivalente encontrado em depósitos de monazite; GADOLINIUM (Gd/64) – elemento metálico trivalente e magnético, encontrado em gadolinite e vários outros minérios; HOLMIUM (Ho/67) – elemento metálico trivalente, encontrado com Yttrium e formando compostos altamente magnéticos; LANTHANUM (La/57) – elemento metálico branco e macio, encontrado com Yttrium e outros minerais, é maleável e trivalente; LUTETIUM (Lu/71) – elemento metálico trivalente; NEODYMIUM (Nd/60) – elemento metálico trivalente, usado nos computadores; PRASEODYMIUM (Pr/59) – elemento metálico trivalente, branco-amarelado e encontrado em forma de sal, utilizado no fabrico de vidro verde-amarelo; PROMETHIUM (Pm/61) – elemento metálico resultante da subdivisão de urânio ou na irradiação de Neodymium por neutrão; SAMARIUM (Sm/62) – elemento metálico brilhante e de cor cinzento pálido; SCANDIUM (Sc/21) – “metal de transição” branco e trivalente; TERBIUM (Tb/65) – elemento metálico trivalente, encontrando-se associado com Europium, Gadolinium e Dysprosium; THULIUM (Tm/69) – elemento metálico trivalente; YTTRIUM (Y/39) – “metal de transição” encontrado junto com minérios de Dysprosium, Erbium, Gadolinium, Holmium, Lutetium, Terbium, Thulium e Yttrium.

 

Se os peritos e investigadores portugueses encontrarem rochas com alguns desses metais raros, em reserva comercial de apreço, a nossa taxa de emprego, bem como a nossa balança comercial certamente melhorarão. Deo volente!

 

Alcobaça, 10.03.2013 

 

  Domingos José Soares Rebelo

 

 

FONTES:

1. WEBSTER`S 7th New Collegiate Dictionary, Springfield 2, Mass., 1963;

2. FORTUNE magazine, Volume 181, Nº 6 de 18.02.2013.

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