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A bem da Nação

CARTA ABERTA AO SR. SARNEY

 

Grão-duque do Maranhão

 

Li, com verdadeiro espanto, a coluna deste senhor (?), sobre a sua visita a Angola em 1988, em que aproveita para ressaltar, aspectos do seu governo onde sobressai a imodéstia, que lhe é tão característica, quando fala da pré histórica Ferrovia Norte Sul.

 

Esqueceu-se o ex presidente de falar no grande sucesso do seu famigerado plano sarney, que foi um desastre para o país! E também não menciona as “estradas” no seu grã ducado que vão de nenhum lugar para lugar nenhum e que foram generosa e roubadamente pagas com o dinheiro do governo. O nosso dinheiro.

 

Um “viaduto”, sem estrada por baixo, nem por cima, um monumento à corrupção, lá... “in the middle of nowhere”, grã ducado do Maranhão!

 

Ainda se esqueceu do escândalo da Fundação sarney! Um escândalo para os cofres públicos, para perpetuar a memória de quem nada fez pelo país. Foi pena ainda que, na sua coluna da Folha de São Paulo, do passado dia 14 do corrente mês, se tivesse esquecido dos tempos em que serviu subserviente no tempo da ditadura, quando, por exemplo, foi nomeado governador do Maranhão, presidente da Arena e do PSD, para logo a seguir usar do mesmo método com o Partidos dos Trabalhadores, e se manter na crista da pouca vergonha! Etc.

 

Mas é dos comentários sobre Angola e da administração portuguesa que os reparos interessam sobremaneira, porque sexa não sabe o que diz, o que aliás é próprio da maioria dos donos do poder. Pelo menos neste Brasil, abençoado por Deus.

 

Primeiro é mentira que o presidente de Angola tenha pensado em acabar com a língua portuguesa. Ele não é ignorante para sequer se atrever a pensar nisso, sabendo que desagregaria totalmente o país, onde se falam diversas línguas. O grã duque não sabia que esse foi um dos pontos chaves que os primeiros governantes de Angola, com o Presidente Dr. Agostinho Neto, decidiram, como no Brasil, para manter a unidade.

 

Só que... enquanto os brasileiros acabaram com o nheengatu, hoje já ninguém o fala, Angola tem a educação primária baseada em duas línguas: a nativa, que varia conforme as regiões, e o português, procurando deste modo manter o povo ligado às suas raízes, sem descurar o integrar todas as etnias numa mesma e única nação.

 

Que fez o senhor pelo nheengatu quando presidiu este país? NADA.

 

Depois diz ainda com um desplante de total ignorância que os portugueses em Angola só deixaram a língua, enquanto os ingleses, na Índia, deixaram milhares de quilómetros de linha-férrea! Quando Angola se tornou independente, havia mais de 3.000 quilómetros – três mil – de linhas-férreas! Mas para que explicar onde ficavam? O grã duque que veja no mapa! Além dos milhares de quilómetros de estradas de primeira qualidade, os portos de mar, as comunicações, etc.

 

Também não sabia, nem deve saber ainda hoje, que Luanda era, em 1974, a mais importante e bonita e dinâmica cidade de toda a África ao sul do Sahara, com excepção da África do Sul.

 

E também não sabia que durante a administração portuguesa, Angola exportava, além de minérios – petróleo, ferro, manganês, etc. – alimentos, muitos alimentos, como milho, açúcar, café, de que chegou a ser o terceiro produtor mundial, carnes, peixe e marisco, a melhor farinha de peixe do mundo (segundo análises feitas na Europa e EUA), fábrica de todos os componentes eléctricos para a construção cível e cabos eléctricos, montadora de automóveis, e muito mais ainda.

 

Ora se o senhor josé da costa, vulgo sarney, de nada sabia, porque abrir o bico? Ele, que sendo ainda o chefe do ducado maranhense, mantém com a sua camarilha política e judiciária, a censura ao jornal “O Estadão”, que está proibido de publicar críticas à sua família, tem ainda o descaramento de escrever para jornais.

 

Fala sério, senhor josé da costa.

 

A palavra pode ser de prata, mas muitas vezes, o silêncio é de ouro.

 

Toda a verdade não deve ser escondida, e não digas à posteridade se não o que é digno da posteridade! Sábias palavras do senhor François-Marie Arouet.

 

Rio de Janeiro, 17 de Janeiro de 2011

 

 Francisco Gomes de Amorim

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