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A bem da Nação

UM SORRISO QUE HÁ NO FUNDO DE MIM

 

Será o peixe menos livre que o pássaro? Será o mar mais difícil do que ar?

                       


Cada homem vive inserido numa determinada circunstância, um contexto que o condiciona mas que não lhe anula a liberdade. Esta não pode ser entendida como a capacidade de todas as possibilidades, mas antes a possibilidade de alguém se fazer a si mesmo. De se dar a si mesmo e ao mundo, uma vida carregada de sentido.

Claro que sempre haverá quem prefira a segurança tranquila de uma qualquer gaiola ou aquário à vertigem da liberdade autêntica. Ao ver em cada dificuldade um limite e não um degrau diminui-se aparentemente a responsabilidade individual, mas apenas e só na aparência, porque ainda que no pior dos cenários é sempre dado ao homem escolher, e escolhendo, escolher-se.

Uma vida humana implica uma administração, mais ou menos corajosa, dos encontros e desencontros com os outros. Do meu mundo fazem parte os outros homens. Vivo um pouco as suas vidas assim como também eles vivem a minha. Tende-se a julgar que são as semelhanças que nos aproximam do outro, mas talvez sejam, admiravelmente, as diferenças que o fazem de forma ainda mais profunda. Afinal, todos somos únicos e essa é a maior das semelhanças que há entre todos. A autenticidade da minha existência revela-se no encontro com o outro, onde as diferenças são mais evidentes.

 

Não numa lógica de complementaridade, mas antes numa linha de originalidade. Eu sou quem sou, porque não sou como tu.

Partilhamos os mundos e as vidas uns dos outros. Esta partilha activa que supõe um gesto generoso que expressa o meu interior, permite-me ser mais. Porque sou mais de cada vez que o centro da minha vida não sou eu, alargo-me e torno-me maior, vivo mais vida, porque sou e estou em mais coisas... Partilhar é a essência da vida. Romper a solidão e criar o encontro. Libertar-se de si mesmo para ser... mais.

A vida humana constrói-se no difícil equilíbrio entre a esperança e a realidade... há momentos em que devemos largar tudo e rumar ao melhor de nós mesmos, abdicando da segurança da solidão para arriscar tudo no abraço ao desconhecido.

Ao ver-me no espelho, vejo o melhor de mim? Não. A minha face ao espelho revela-me um eu já feito, só o rosto do outro me apresenta um eu a fazer...

Tal como a semente que brota da terra em busca da luz, também os homens devem ser capazes de deixar para trás o que são para se transformarem na realização do que lhes é possível.

Um sorriso pode ser um capricho divino. Um brilho da alma. O gesto mais difícil... mas será sempre uma prova da nossa capacidade de compreender que a vida que nos anima não é nossa...

Nesta existência nada se repete, tudo é sempre novo, absolutamente original.

 

Devemos pois ser capazes de não perder a pureza de admirar a beleza de cada pedaço de tudo.

... e sorrir, principalmente quando nem o mundo nem os outros nos sorrirem... pois que o grande combate a travar é contra o desespero e a angústia com que tantas vezes nos anulamos...

Ninguém está verdadeiramente sozinho. Mesmo quando o mundo parece impossível e os outros teimam em ser desencontros. Afinal, no fundo de nós há um sorriso que, depois de descoberto, ilumina um mundo inteiro... o corpo do homem é sempre muito pequeno comparado com a alma que nele habita.

A fé da paciência garante bons frutos.

 

2 Mar 2013

 

 José Luís Nunes Martins

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