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A bem da Nação

O PORTUGAL DOS PEQUENINOS

 

 

Não vos vou falar do parque com este nome que existe em Coimbra. E se fosse seria para louvar e recomendar uma visita.

 

Vou antes apresentar uma visão do nosso País onde todos os dias há mais desemprego e havendo potencialidades concretas para a criação de postos de trabalho, que é a única solução para remediar esta praga social que é o desemprego, não se nota quer nos políticos quer na sociedade civil uma vontade de concretizar realizações para combater este flagelo.

 

De vez em quando, infelizmente poucas vezes, lá aparece um Governante a anunciar um investimento, quase sempre estrangeiro, de algumas dezenas de milhões criando algumas dezenas de postos de trabalho, muito raramente se ouve a palavra centena.

 

Por outro lado a sociedade civil, onde felizmente ainda há exemplos de sucesso que naturalmente são essenciais quer pela sua contribuição para a nossas exportações ou diminuição de importações quer pelo ânimo que dão, pois demonstram que temos capacidade para produzir, mesmo com todas as dificuldades de enquadramento conhecidas, mas ainda mal combatidas, continua a mostrar-se pouco dinâmica e demasiadamente dependente do Estado.

 

Aliás como se pode notar pelo que se passa no turismo que continua a desprezar a enormes potencialidades das actividades náuticas.

 

Ora ninguém pode duvidar de que se quisermos resolver as dificuldades existentes no nosso estado social temos que cumprir dois princípios essenciais:

1º- Sermos competitivos, isto é, tanto o Estado como a sociedade civil investirem preferencialmente em empreendimentos produtivos e

2º- Sermos austeros nos gastos de forma a não nos endividarmos como aconteceu desde o início da década de 90 até ao despoletar da crise actual.

3º- Sermos dinâmicos e aproveitarmos todas as potencialidades que permitam criar postos de trabalho a curto prazo sem descurar a preparação do que fazer a seguir.

 

Para que isto seja possível temos que ter um Estado que seja eficiente nas suas funções sociais, de regulação e de decisão e assim possa baixar o nível dos impostos e uma sociedade civil que tenha iniciativa, capacidade de realização e patriotismo.

 

E todos eles deixarem de pensar e agir em escala reduzida.

 

Na verdade, depois da revolução de 74 houve um ataque feroz à iniciativa privada com especial enfoque nas empresas grandes o que provocou o desaparecimento de algumas empresas deste tipo com natural vantagem para os interesses estrangeiros no País e na impossibilidade de se desenvolverem actividades essenciais que exigem empresas de grande dimensão.

 

Assim não só perdemos actividades como a marinha mercante, metalomecânicas, e outras como estamos a entregar a capitais estrangeiros actividades essenciais à nossa independência e a impossibilitar o futuro aproveitamento das riquezas existentes nos nossos territórios marítimos.

 

Tudo isto porque a nossa elite política mostra não conseguir deixar de pensar em pequenino pois só se fala nas pequenas e médias empresas e cada vez mais as grandes vão sendo estrangeiras.

 

E quando quase todas as grandes empresas forem estrangeiras passamos a ser um país colonizado da forma moderna, isto é, em auto-colonização, o que aliás muitos dos nossos municípios já vinham praticando quando construíram grandes centros comerciais e destruíram a estrutura comercial local.

 

Mas a maleita da pequenez que se confunde muito com a mediocridade também afecta algumas entidades como por exemplo as ligadas ao turismo e à náutica onde se verifica aparecerem propostas de desenvolvimento baseadas na extrapolação de estatísticas o que conduz estas entidades a propor crescimentos de percentagens idênticas às do período anterior, em que pouco ou nada se fez de jeito, em vez de terem em conta as potencialidades quer do nosso crescimento quer das oportunidades internacionais que a sua pequenez de pensar não lhes permite ver.

 

E assim vamos andando com muitas reuniões, colóquios, estudos e planos nacionais, que diga-se de passagem nenhum país europeu desenvolvido jamais fez, embora continuemos a ser nestas áreas o mais atrasado da Europa ocidental.

 

Só não somos pequenos quando se trata de factos inconvenientes como são exemplo algumas concessões em pontes e estradas e alguns atropelos como o do CCB pois quando o Governo decidiu fazê-lo, e onde já gastou muitos milhões de euros, já havia um projecto privado aprovado pela CM de Lisboa.

 

Havemos de concordar que não é assim que se promove a iniciativa privada.

 

Nem recuperar a economia, a segurança e o bem-estar dos portugueses.

 

Lisboa, 25 de Fevereiro de 2013

 

 José Carlos Gonçalves Viana  

 

http://nossomar.blogs.sapo.pt

 

Publicado no DN em 5 de Março de 2013

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