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A bem da Nação

O PAPA BENTO XVI E OS SINAIS DOS TEMPOS – 1

 

Do Perigo dos Talibans da Opinião e dos Monopolistas da Verdade

O ser (o Bem) é mais que o valer (Valores)

 

 

Impossibilidade dum Papa à la Carte

 

Ser Papa implica ter um perfil impossível de conciliar com dogmatismos tradicionalistas ou progressistas. Os progressistas parecem querer fazer do catolicismo o que os evangélicos já são e os conservadores parecem ignorar o facto que o mundo segue aqueles que o mudam. A realidade apresenta diferentes perspectivas de avaliação. É impossível conseguir um papa à medida dos diferentes interesses de pessoas e grupos que exigem dele ser o seu peixe sem espinhas. Uma instituição exerce poder, por natureza, sendo como tal injusta na perspectiva individual; o mesmo se dá com o indivíduo ao exigir uma instituição à sua medida, quando a instituição terá de ser tecto para todos com as suas diferenças (o mesmo dilema se encontra entre a lei constitucional e a lei forense).

 

Como é impossível ter um Papa à medida de todos mas, possivelmente, à medida do todo, há na Igreja as diferentes igrejas e responsáveis inseridos em diferentes situações éticas, étnicas e políticas; mas todos numa atitude de obediência a Jesus e de abertura ao Espírito Santo. Ser Papa (servo dos servos) significa seguir a cabeça da Igreja que é Jesus e estar atento ao Espírito Santo que se expressa em todo o lugar dentro e fora da Igreja. Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome lá estarei eu no meio deles (Mt 18,20). Neste grande corpo somos todos irmãos embora com diferentes carismas e missões, a serem respeitados. O magistério do Papa tem um caracter constitucional (constituição viva) mas tem de ser interpretado pelas comunidades locais num ambiente de tolerância recíproca superadora da arrogância dogmática do criticador e do criticado, à luz do E. Santo. Observa-se também na eclésia, entre membros e instituição, um discurso, por vezes, mais orientado para a divergência do que para a convergência. Este é um estilo machista baseado na concorrência que, em vez de tentar unir as pessoas, propaga um jogo não criativo de uns contra os outros, como se o Mestre não estivesse no meio deles. A igreja é de todos os pecadores, sejam eles tradicionalistas ou conservadores, papas, teólogos, doutores, pastores ou rebanho. O Espírito sopra em toda a seara.

 

A Igreja precisa de rejuvenescimento

 

Bento XVI, o teólogo na cadeira de Pedro, merece todo o respeito pelo passo corajoso da sua renúncia. Esta não foi uma decisão instantânea até pelo facto de, contra o habitual, não terem sido programadas viagens papais para o ano de 2013. Um Papa é eleito vitaliciamente mas o direito canónico dá-lhe o direito de renúncia. Com o seu gesto de resignação, Bento XVI dá oportunidade a um “recomeço”, numa Igreja que se entende como “semper renovanda”.

 

Bento XVI nem sempre sintonizou com certas manifestações do século XXI, também porque algumas delas (absolutização do individualismo e redução da pessoa a mercadoria) afectam os fundamentos do cristianismo.

 

Toda a pessoa está sujeita ao envelhecimento biológico e ao envelhecimento social; biologicamente, a nível de gerações e socialmente porque o mundo/sociedade em que vivemos não pára e até nos chega a ultrapassar.

 

A eleição dum novo Papa será uma oportunidade para a Igreja estar atenta aos sinais dos tempos sem se deixar sorver pelo remoinho do espírito do tempo. Numa altura em que a sociedade ocidental se abre cada vez mais aos valores da feminidade seria oportuno repensar-se novas funções da Igreja para a mulher (Diaconado!); também no que respeita aos divorciados que queiram casar novamente, neste sentido seria uma boa altura para alargar os factores que justificam o anulamento dum casamento, etc. No século XXI seria uma das suas grandes missões o fomento não só do Adão (masculinidade) mas também da Eva (feminidade) como maneira de estar também na instituição.

 

Salvo erro, na época que atravessamos, penso que a eleição dum Papa africano ou asiático corresponderia, mais uma vez, à antecipação da Igreja (através do Paráclito) em relação ao decurso da História.

 

(continua)

 

 António da Cunha Duarte Justo

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