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A bem da Nação

HISTORIA DA RESIDÊNCIA DOS PADRES…

 

… DA COMPANHIA DE JESU EM ANGOLA

 

 

Quanto as minas de prata, alem das de Cambambe na província de Mosseque que são as mais nomeadas em Purtugal tem este Reyno muitas outras em grande numero. No anno de 1590 foi Martin Rodrigues de Godoy, mineiro de sua Majestade ao longo do rio Lucala, aonde achou muitas minas de prata, de que trouxe mostras, fez emsayos, e tirou prata ficando muito contente de como respondia, como consta de papeis públicos em que assinou. Concordou Martim Rodrigues na informação com a que Diogo de Raquena mineiro espanhol tinha dada em tempo do Governador Paulos Dias. O qual Diogo de Raquena afora as minas de Cambambe descubrio outras quarenta minas também de prata, a que pôs nomes, e a informação de tudo enviou a El Rey Dom Sebastião. Porem como quer que o beneficio de minas requeira quietação, e até agora neste Reyno não na ouve por ser o gentio buliçoso e os Purtugueses poucos sem presídios nem povoações que possão conservar as províncias ja conquistadas, ficão sempre enterrados tão grandes tízouros com os quaes poderá emriquecer Portugal muito mais que com as drogas que lhe vem de outros Reynos (1). Na provincia do Ungo que está para o sul virão alguns Portugueses grandes esta­tuas de cobre que ahi se tira, e fundem os naturaes, donde trouxerão argo­las de notável grandeza. Nas províncias do Lumbo e Mosseque se tira esta­nho e ferro; do estanho não usão os pretos, do ferro fazem armas, e ferra­menta pera a lavoura.

 

A província de Quiçama he sequa, e de poucos palmares, mas de bons ares, e sadia. A gente mais belicosa, e feros que ha no Reyno, peleião em campo com muito esforço e as vezes chegão a pegar das espingardas sem temor da morte. Aqui estão as minas do sal tão rendosas como se fosse de algum metal presiozo, por serem as outras províncias faltas delle, e da qui correr para cilas. Este sal não he de terra mas de agoa do mar, a qual por veas secretas vem de muitas legoas a coalhar-se nesta serra. Serve de di­nheiro aos pretos com que comprão peças, e mantimentos. O sal não he miúdo, mas cortase nas minas em pedras, que tem de comprimento dous palmos e meio quadradas de largura, e grossura de huma mão travessa, algumas alvas como cristal, posto que não transparentes.

 

A sogeiçào de Angola depende em grande parte da conquista do Soba em que estão estas minas. Porque como não ha outra parte donde se tire sal senão esta, e elle he a todos tão necessário, feita aqui huma boa povoa­ção obrigava a muitos virem a obediência de Sua Magestade. O primeiro Rey que se levantou nesta terra, não pode por armas render aos Sobas da Quissama, mas empedindolhes o comercio do azeite com tomar os portos por onde lhes hia da província da liamba que está da outra banda do rio Coanza os fez vir a sua obediência. Asi agora avendo copia de gente e sogeitando este senhor do sal se podia conquistar grande parte do Reyno sem guerra somente com tolher a saca do sal que não corresse para outras partes.

 

DO PRIMEIRO REY, E PRIMEIRA VINDA DE PAULO DYAS DE NAVAIS

 

O numero dos Sobas que se sabe alem de muitos outros de que não ha noticia, he de sete centos e trinta e seis. São como régulos, sõres avsolutos de suas terras. Tinhão repartido o Reyno, e andavão continuamente em guerra entre si. Até que avera obra de oitenta anos se levantou entre elles hum de maiores espíritos, o qual começou de sogeitar alguns vezinhos e pouco a pouco se apoderou das províncias principaes, e tomou nome de Rey. Chamouse Angola Inene que quer dizer o grande Angola.

 

Este primeiro Rey teve noticia do poder del Rey de Portugal por alguns naturaes de Congo que ia então erão christãos. Quis ter comercio com elle, mandou seus embaixadores ao Reyno, pedio Padres para o instruí­rem nas cousas de nossa sanefa fee. Chegarão ao Reyno em tempo que governavão a Rainha Dona Caterina, e o Cardeal Dom Anrique. Os quaes mandarão por embaixador a Paulo Dyas de Navaes a el Rey de Angola. Partio de Lisboa a vinte dous de Setembro de 1559 (2). Chegou a barra do rio Coanza aos três de Maio de 1560. E ali esteve até 2 de Novembro da mesma era. Aonde faleceu o padre Augustinho de Lacerda com alguns purtugueses.

 

Com o embaixador Paulo Dyas vierão quatro religiosos da Compa­nhia de Jesu mandados pello Padre Provincial Miguel de Torres, e pedidos pela Raynha, e Cardeal, a saber o Padre Francisco de Gouvea por superior, o Padre Agostinho de Lacerda, e dous irmãos (3). Quando chegarão hera ia morto o Angola Inene e reinava seu filho por nome Dambe Angola (4). Feslhe a saber Paulo Dyas de sua vinda, e prezente que lhe trazia dei Rey de Portugal. O Angola mandouo ir a sua cidade de Cabaça. Aonde residem os Reys na província de Dongo, e depois de o ter la, e ao Padre e mais por­tugueses com o prezente e fazenda de todos, reteveos como cativos seis annos, principalmente ao embaixador, e ao Padre (6). Depois do qual tempo, vendose em necessidade de fato, deu licença que hum delles tornasse a Portugal a buscar mais fazenda. Veose o embaixador, e o Padre Francisco de Gouvea ficou em reféns. Sua ocupação hera dizer missa aos portugueses, confessalos, bautizar pessoas que estaváo em artigo de morte, defendelos de perigos, asi da vida como da fazenda, e ter mão no Rey não fizesse algumas injustiças. Porque como o padre o criara tinhalhe o Rey algum respeito ,e tratavao muito bem. Nesta cidade achou o padre manifestos sinaes de terem vindo a este Reyno pessoas eclesiásticas, como forào míssaes, sinco pedras dará, e alguns ornamentos de feitio muito antigo. Dizem os omens velhos que ouve ia aqui frades de S. Bento ou de S. Bernardo.

 

DA 2a VINDA DE PAULO DYAS A ESTE REINO, DO FRUTO ESPIRITUAL QUE SE FEZ NAS ALMAS E MORTE DO PADRE FRANCISCO DE GOUVEA

 

Veo a segunda vês Paulo Dyas de Navaes com o titulo de governador de Angola, com doações, e provisões mui importantes dei Rey Dom Sebas­tião que ia governava o seu Reyno de Portugal (7). Partio de Lisboa a 23 de oitubro de 1574. A frota hera de dous Galeões, duas caravelas, dous pataxos, e huma galeota. Troixe sete centos homens de guerra, toda gente muito honrrada, e luzida. Pôs na viagem três meses e meie, não ouve mor­tos nem doentes. Troixe mais 4 religiosos da Companhia mandados pello Padre Jorge Sarrão a petição dei Rey a saber o Padre Garcia Simões por Superior, o Padre Baltesar Afonço, os Irmãos Cosmo Gomez, e Constantino Rodrigues (8).Com os ministérios da Companhia se fez nesta viagem muito serviço a Deus Nosso Senhor em as pregações. Missa (ainda que seca) todos os domingos, e santos, e cada dia a doutrina, faziãose amizades, atalhou-se a discórdias, e iuramentos, pêra o que por ordem do Governador erão peni tenciados na regra os que erão nesta parte mais soberbos, muita gente se confessou por ocasião de huma tormenta que durou oito dias.

 

Aos onze dias de Fevereiro de 75 chegou a Armada a este porto da ilha Loanda (8) do qual dizem os mareantes ser hum dos melhores que até agora se tem achado. Porque esta da ilha para dentro não muito longe da terra emparado de todos os ventos, limpo de pedras, e de altura capaz de grandes galeões, e outros navios menores. Tem ágoa que se tira de poças que se fazem no areal a que chamão Quicimas. Todos os dias se pode entrar nele polias menhaas com o terral e a tarde sair com as virações que sempre cursão.

 

Nesta ilha moravão quarenta homens portugueses muito ricos que se tinhão recolhido do Reyno de Congo por causa dos Jacas ferocissimos bár­baros que se mantém de carne humana, e tinhão destruído, e comido todo aquele Reyno. Aiuntarãose no porto 14 navios a saber: 7 darmada e 7 de S. Thomé que vinhão ao resgate. Sahio o .Governador em terra com toda a gente das nãos muito lusida, com suas trombetas diante, e postos em prosi-cão acompanharão com muita devoção humas relíquias das onze mil virgens que o Padre Garcia Simões levava debaixo de hum palio até a Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Ao som das trombetas acudio muita gente preta que na ilha vive, e tem por ofício tirar zimbo do mar que he o dinheiro na Etiópia mais estimado (9).

 

Por ser entrada a Quaresma começarão os Padres de fazer seo oficio pregando aos domingos, e confessando a gente do mar, da terra e de S. Thome no que se fez muito serviço a Nosso Senhor, e particularmente em arrancar hum abuzo muito periudicial as conciencias que noutras partes reina, e por ventura não sem muita culpa daqueles, que tendo obrigação de atalhar, e estrovalo, com desimularem o deixâo hir cresendo com muito perigo das almas da observância christaa, e preceitos da Santa Igreia. Custumavão comer carne as sestas e sábados do anno, e pela Quaresma, e ainda querião meter medo aos Padres que se ieiuacem não havião de chegar a Páscoa, e com iso elles andavão lastimosos, cheos de lepra, e de doenças incuráveis. Contudo os Padres apertavão com elles nas prega­ções, e não nos querião confessar. Emendarãose, ninguém mais comeo carne na Quaresma, e no cabo della se acharão melhor, e forão sarando de suas doenças. Muitos delles tomarão por devação confessaremse cada oito dias no que perseverarão muitos anos. Começarão os Padres aos domingos as tardes a iuntar com campainha os pretos, e ensinarmos a doutrina com que também se fez muito fruito nas almas. E este santo exercício se continuou sempre ate agora asi nesta vila de S. Paulo como na de Maçangano, e no arrayal quando nelle andão alguns da Companhia.

 

Neste tempo avia ia 14 anos que o Padre Francisco de Gouvea estava como cativo do Rey de Angola, por o não deixar chegar ao porto do mar dizendo que não podia viver sem eiïe. Escreverão o Governador e o Padre Garcia Simões ao dito Padre lhes mandasse dizer que modo averia pêra o livrarem daquele cativeiro, respondeo que se não falasse em fazer guerra porque corria risco a sua vida e a 'dos portugueses, e asi não se tratou por então de a fazer. Porem nem isto foy bastante para estarem muito tempo quietos, porque o demónio que nunca dorme uzando das armas de sua malícia pêra inquietar aos bons levantou a tempestade donde senão espe­rava. Mandou hum Rey vezinho embaixadores ao Angola os quaes diante do Padre e portugueses lhe derão o rrecado, e hera que como amigo o man­dava avizar senão fiase do Governador nem dos Portugueses que tinham em sua corte porque tratavão de lhe tomar o Reyno, e minas de prata. O Rey ficou espantado, e os nossos frios de tão cruel traição de hum Rey a que não tínhamos agravado. Derão suas razões, respondeo o Angola ficase o negocio para se tratar outro dia. Porão se logo os portugueses com o Pa­dre a Igreia a rezar humas ladainhas, e pedir a Deus defendese sua ino­cência. Aíuntou se o Padre com alguns homens de autoridade e bem enten­didos na lingoa e derão taes razões em contrario, que o Rey em mostra de estar satisfeito tomou aos embaixadores, e presos os entregou aos portu­gueses. Vierão a esta Loanda, e daqui forão a S. Thomé aonde o Governa­dor Diogo Salema que ali estava com alçada os mandou iustiçar (10). Deste grande aperto, e excesivo trabalho que o Padre tomou em paci­ficar o Rey lhe sobrevoo huma grande doença da qual foi Deus servido levalo pêra si aos 29 dias do mês de julho de 1575, depois de viver 14 annos como cativo do Angola. Sepultarãono os portugueses na Igreia que o Padre tinha feita na Cidade de Cabaça. Foy sua morte sentida asi dos nossos como do mesmo Rey; dos nossos porque tinhão nelle amparo em seus trabalhos, e perigos da vida, e fazendas; do Rey pello muito amor, e respeito que lhe tinha por o Padre o ter criado e doutrinado de pequeno. E deste sentimento deu o Rei alguma mostra ao uso de Etiópia. Primeiramente quando o Padre estava doente lhe mandou seus cantores e tangedores que de dia, e de noute lhe andavão ao redor da casa cantando e tangendo para espantarem a morte que não chegasse ao Padre. No dia do seu enterramento mandou dar muitos bois aos portuguezes para que o chorassem. E por entender que aquela embaixada fora ocasião da morte do Padre, mandou tomar os caminhos para que nenhum homem branco nem preto viesse mais daquelle Reyno a sua corte, pois lhe matarão seu pae que o criara.

 

Rio de Janeiro, 06/07/2011

 

 Francisco Gomes de Amorim

 

NOTAS:

(1) As minas de prata de Cambambe, que tanto entusiasmaram aos conquistadores de Angola e também aos missionários, não passaram afinal, a-pesar-das testemunhas oculares, de um grande desejo e de uma ilusão. O missionário Diogo da Costa escrevia de Angola em 1585: «Ha muitas minas de prata e muy ricas. Eu vi o sitio onde os mineiros affírmão que té agora se não tem outras minas descobertas tão ricas».

E pouco antes, quando acompanhava o exército português, exclamava cheio de espe­ranças o padre Baltazar Afonso: «Estamos á vista da terra da promissão... vemos com os nossos olhos a maior riqueza que dizem aver no mundo...... daqui donde estamos vendo as serras que dizem ser tudo prata». Franco, Imagem da Virtude... Évora, páginas 646. Carta de 4 de julho de 1581.

Mas no século XVIII escrevia, para desengano, o padre António Franco: «Assistiu [P. Baltazar Afonso] por vezes no exército dos portugueses, que andava na conquista das minas de Cambaimbe, em que a cubiça tinha fingido montes de prata, mas por fim de largos anos e guerras, conquistada a terra, nada se encontrou do que se sonhava». Ano Santo, página 167. Cf. Felner, Angola, página 189-190.

(2) Partiram de Lisboa em Dezembro, como aliás se nota à margem do manuscrito com outra letra. Vejam-se no Boletim da Sociedade de Geografia, IV, páginas 300-302, alguns capítulos da instrução dada pelo rei de Portugal a Paulo Dias. A instrução tem a data de 20 de Dezembro de 1559. .

(3) Os dois irmãos chamavam-se António Mendes e Manuel Pinto. O Padre Fran­cisco de Gouveia era natural de Castelo de Penalva e entrou na Companhia de Jesus a 15 de Novembro de 1554. O Padre Agostinho de Lacerda era castelhano.

(4) Dambe Angola ou Ngola Kiluangi.

(5) Não é exacto que todos ficassem seis anos como cativos. Já em 1562 contava o irmão António Mendes que o rei deixara sair a todos de Angola, menos o embaixador, o Padre Gouveia e ele próprio António Mendes. Só esses três permaneceram «em terra reteudos como captivos». Mas António Mendes, pouco depois teve modo de se livrar do cativeiro, e em 1565 deu o rei permissão a Paulo Dias, que se tornasse a Portugal. O Padre Lacerda falecera na barra do Cuanza em 1560, antes de se porem a caminho para o N'Dongo, corte do rei negro, e António Pinto foi morrer de doença na ilha de S. Tomé. Cf. Boletim citado, páginas 302-303; Franco, Imagem... Évora, página 460 e seguintes;

F. Rodrigues, Historia da Companhia de Jesus na Assistência de Portugal, Tomo I, vo­lume I, página 557.

(6) O Reverendo Padre Ruela Pombo no opúsculo Paulo Dias de Novais e a Fun­dação de Luanda, Luanda' 1926, páginas 37-51 e o senhor Coronel Alfredo de Albuquerque Felner, no livro Angola, Coimbra, 1933, páginas 407-412, publicam integralmente a carta de 6 de Setembro de 1571, em que D. Sebastião faz «doação irrevogável» do reino de Angola a Paulo Dias e seus herdeiros. A carta encontra-se na Torre do Tombo, Chan­celaria de D. Sebastião (Doações), Livro 26, folhas 295 a 299.

(7) Baltazar Afonso, natural de Portei, do arcebispado de Évora, entrara na Compa­nhia de Jesus a 30 de Novembro de 1559. Depois de 28 anos de missão em Angola morreu na vila de Luanda a 29 de Março de 1603. Franco, Ano Santo, 167. O Padre Garcia Si­mões apenas logrou trabalhar na missão durante pouco mais de três anos, por falecer em 12 de Maio de 1578. Alistara-se na Companhia em Coimbra a 5 de Março de 1556. Era natural de Alenquer. Franco, Ob. cif., página 254.

(8) Garcia Simões diz em carta de 20 de Outubro de 1575 que aos 20 de Fevereiro tiveram vista do porto de Luanda. Boletim e volume citado, página 340.

(9) Sobre o zimbo, concha univalve, assim escreve o Padre Garcia Simões: «Esta Ilha [de Luanda] he mina do Congo, porque aqui se pesca o busio, que he dinheiro que corre em toda esta terra... O mais grosso e o mais miúdo vale pouco preço e assi o joeirão, os meãos é o que mais vale...». Boletim e volume citado, página 340. Carta citada de 20 de Outubro de 1575.

(1) Conta este facto Garcia Simões na carta de 20 de Outubro de 1575, assim como o que segue da morte do Padre Francisco de Gouveia e sentimento do Rei. Ob. cif..páginas 345-346.

 

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