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A bem da Nação

MAS... O QUE É UTOPIA?

 

 

Ouvi há dias um professor falar sobre utopia, e pus-me a pensar no que vai de utopia por esse mundo “au diante”!

 

Só para recordar, a palavra de origem grega, significa “o lugar que não existe”! Mas existem os utópicos, os quixotescos, os franciscos de Assis, e muitos outros babacas, ingénuos ou idiotas, como eu por exemplo, que continuam a não querer deixar de acreditar que o mundo pode ser melhor, e ainda o povão empobrecido, abestalhado que se permite gastar algumas horas do seu hipotético descanso para discutir em qual governante vai votar: se o que rouba mais ou menos ou que mais depressa ou mais devagar vai contribuir para destruir o próprio povo.

 

Em França o tal hollande quase se transfigura em Napoleão com a intervenção no Mali, e ainda tem o descaramento de dizer, ao fim de poucos dias, que a guerra estava vencida! Agora é que ela vai começar a doer para aquele povo esquecido do SAEL. E arredores.

Também há poucos dias um cônsul, aliás ex-cônsul do Irão na Noruega, em Oslo, recebeu, surpreso, a inesperada visita de alguns agentes da temível polícia shariacreta iraniana. Uma espécie de CIA ou KGB, mas pior! Tinha havido em Teerão manifestações contra o governo e o tal aiatolá, que a polícia registou detalhadamente em filme. Depois analisou um por um dos manifestantes, mascarados, e começou a caçada.

 

Mostraram o filme ao cônsul perguntando-lhe se reconhecia alguém. Negativo. Então pararam uma imagem, ampliaram, e atrás da máscara o cônsul reconheceu um filho seu, rapaz de 20 anos, universitário. O cônsul, chocado, tentou defender o filho com a exuberância própria da idade. Nada perturbou os carrascos, que lhe disseram que para esquecer o acontecimento ele deveria ir a Teerão, e fazer um pronunciamento na TV oficial – a única! – condenando a manifestação, e por consequência a atitude do filho. Deram-lhe 24 horas para responder. O cônsul pediu demissão e asilo político porque já sabia o que o esperava se voltasse ao seu país.

 

E foi assim que ele deu essa entrevista à TV na Noruega, durante a qual afirmou, categoricamente, saber que o Irão quer por força ter a bomba atómica para a largar em cima de Israel, porque, segundo o todo poderoso aiatolá, o Islão tem que limpar o mundo dos infiéis para preparar a vinda do Mahdi, o redentor profetizado do Islão – (exclusivamente pelos xiitas) – que permanecerá na Terra por sete, nove ou dezanove anos antes da chegada do dia final, o Yawm al-Qiyamah o "Dia da Ressurreição".

Esta é uma das tais utopias, de vertente louca e assassina. Mas grave, e há que jamais menosprezar as actuações e intenções dos inimigos da humanidade.

 

Em muitas mesquitas imãs insistem em fomentar o ódio contra sobretudo os Estados Unidos, mesmo nalgumas em território americano, e mais ainda na Europa.

 

O mais que estes fanáticos loucos, assassinos, vão conseguir é criar uma barreira mais profunda ainda, entre o mundo “ocidental” e a grande maioria dos muçulmanos que até agora têm vivido em paz, mas que vão ter dificuldade em mantê-la.

 

Lembro ainda, não deixando a utopia, uma vergonha passada em Moçambique em 1998 (meu livro Loisas da Arca do Velho, 2001).

Quanto vale a vida de uma pessoa em Moçambique?

 

Por 1998, um dos garotos da Casa do Gaiato ali foi recolhido muito fraco, mal nutrido, genética doença da desnutrição, pobreza, etc. Tempos depois adoece novamente e o seu estado de saúde ultrapassa a capacidade de atendimento que lhes é ministrada no posto de saúde da Casa. Correm com ele a um médico italiano, a meia dúzia de quilómetros dali, voluntário contratado em muitos dólares por uma empresa italiana que tinha acabado de construir uma barragem, em cooperação. O garoto chega ao médico muito mal. É logo visto, e o médico:

 

- Não vale a pena.

- Não vale a pena, o quê?

- O tratamento.

- O que significa isso, não vale a pena?

- O medicamento é muito caro.

- !!!

 

Não havia mais conversa. Internou-se o garoto, encomendou-se o remédio da África do Sul, que chegou no dia seguinte - em Moçambique até aspirina era difícil encontrar - e salvou-se-lhe a vida. Está vivo e alegre até hoje. O remédio custou caro, mais de quinhentos dólares. Foi muito caro, sim. Mas quanto vale a vida de um indivíduo? Será que em Itália só tratam italianos até quatrocentos e cinquenta dólares, ou... o valor de uma criança em África é mais baixo?

 

Quem continua a acreditar que uma pessoa vale menos do que dinheiro?

 

E segue o rosário de esperanças utópicas, umas só caricatas, outras assassinas, outras criminosas pelo descaso e/ou despreparo dos governantes.

 

O “bom” utópico será esquecido, quando não ridicularizado pelo seu quixotismo. Mas há muitos, graças a Deus, que não desistem, quebram a cara, são insultados, e conseguem atingir o maior ideal que o homem deveria ter nesta vida: “dar a vida pelo seu irmão”!

 

 

Homens, e mulheres, desta têmpera, por muitos que sejam serão sempre pouquíssimos. O bezerro de ouro fala mais alto e mais forte, o lucro alcançado de qualquer forma, sempre e sempre à custa dos mais fracos, a constante lavagem cerebral que a mídia, sobretudo a TV, nos impõe, onde tudo parece fácil, o ódio fomentado pelos ignorantes, o descaso no ensino, a mentira, o poder, sim, o poder, são a grande atracção.

 

A grande atracção dos canalhas. Canalhas, que por estas bandas se apoderaram da res publica e a delapidam.

 

Algum dia um canalha pode virar cavalheiro??? Isso não é utopia, é piada.

 

Rio de Janeiro, 15/02/2013

 

 Francisco Gomes de Amorim

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