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A bem da Nação

UMA PÁGINA DA ANTIGA HISTÓRIA PORTUGUESA

 

 

Extraída da obra recentemente publicada por Henrique Salles da Fonseca – “EXSURGE” – que nela vai desenterrando histórias jesuíticas polacas, ou papais italianas, ou portuguesas em torno da acção diplomática do Padre António Vieira, aliada ao mito sebastianista - e sequencial - criado pelo Bandarra, com implicações na criação do mito do Quinto Império, é uma página de leitura necessária, num Portugal hodierno, que vai resvalando por íngreme declive, no meio da preocupação geral, (descontados os efeitos grotescos das cantorias orquestradas pelos afeitos às trovas do Bandarra intervencionista dos anos 70, bem mais harmoniosas é certo, do que as do seu antecessor).

«Em 1634 Olivares confiou o Governo de Portugal a uma prima do Rei espanhol, a Duquesa de Mântua e Miguel de Vasconcelos foi promovido a Secretário de Estado, cargo em que teve muita oportunidade de desagradar aos portugueses que eram contrários a Castela. Em 1635 estendeu a todo o Reino o Imposto do Real de Água e decretou o aumento das Sisas….

 

…Em 1 de Dezembro de 1640 – um Sábado, para que não houvesse interferências com o serviço religioso dominical – foram os revoltosos à procura dos representantes do Rei espanhol e deram com esse tal Miguel de Vasconcelos de tão triste memória metido num armário ali para os lados do Hospital de Todos os Santos e, com uns sopapos, atiraram-no da janela do primeiro andar para que o povo visse que era dele que se tratava. Mal disposto com a diplomacia aplicada, o traidor foi deixado de borco na calçada à portuguesa e, serenamente, partiu para algures mas não decerto para o Céu em que estão os portugueses.

 

Eis como Margarida de Sabóia, Duquesa de Mântua, foi substituída por D. Luísa de Guzmán, Duquesa de Bragança. Apesar de ambas as Duquesas serem espanholas, a de Mântua representava em Portugal o Rei espanhol e a de Bragança tirou qualquer hesitação ao marido no apoio aos revoltosos proferindo a frase que ficou célebre: “Mais vale Rainha por um dia que Duquesa toda a vida.”

 

Aclamado sucessivamente em Évora, Santarém, Coimbra, Porto, Braga e Guimarães, D. João, Duque de Bragança, chegou a Lisboa no dia 6 desse mês de Dezembro e a 15 foi muito solenemente coroado Rei na Sé de Lisboa com a bênção de D. Rodrigo da Cunha, Arcebispo de Lisboa e de D. Sebastião de Matos de Noronha, Arcebispo de Braga. Ficou na História de Portugal conhecido por

 

D. João IV

(Oitavo Duque de Bragança, nasceu em Vila Viçosa a 19 de Março de 1604 e morreu em Lisboa a 6 de Novembro de 1656)

 

Os espanhóis não tiveram que correr a pilhar Portugal; já o tinham

feito durante 60 anos.

 

          A situação apresentava-se extremamente inquietadora. Por uma carta algo pungente que a Rainha escreve ao Embaixador francês ficamos a saber que: o Reino se encontra inteiramente desprovido de dinheiro, de artilharia, de armas e de pólvora; os arsenais – (Bem vistas as coisas – e se é que alguma vez proferiu tal frase – não terá deixado de praticar uma traição à sua Pátria, Espanha, mas, para nós, ainda bem que o fez …) carecem de tudo que é preciso para a guerra, tanto por terra como por mar; o povo não conhece disciplina militar, não há cavalos; numa fronteira de 150 léguas não há uma única praça em estado de defesa. A fim de obter o necessário, El-Rei gastou todo o dinheiro que possuía e também vendeu as jóias.

 

               Logo que subiu ao trono, D. João IV tratou de armar uma frota de doze navios e nomeou António Teles de Menezes seu General da Armada.

 

              As Cortes foram reabertas logo no dia 28 de Janeiro de 1641 e uma das decisões que tomaram foi a de constituir um Exército de 20 000 Infantes e de 4 000 Cavaleiros.

 

              No que respeita às Finanças Públicas, foi decretada a abolição de todos os Impostos espanhóis e, em sua substituição, lançado um Imposto sobre a propriedade; isentos os Eclesiásticos, tomaram estes a iniciativa de contribuir por igual critério; a Câmara de Lisboa votou uma contribuição adicional sobre o vinho e sobre a carne; foram tomadas disposições pelas Cortes no sentido de estudar o melhor processo de cobrar os tributos sem demasiado sacrifício para os povos.

 

Foi de grande vantagem para Portugal que os espanhóis concentrassem as suas forças na resolução do problema da Catalunha. Esperavam, contudo, em Madrid recuperar Portugal pela via de negociações secretas e de conjuras e hesitavam no recurso à guerra aberta.

 

Só nos princípios de 1641 chega ao Brasil a notícia da Restauração com a aclamação de D. João de Bragança como Rei de Portugal.

 

Com a vitória portuguesa contra os holandeses na Colónia baiana e com a vitória contra os espanhóis no Reino, António Vieira veio a Lisboa declarar a D. João IV a adesão incondicional da Colónia à Restauração.»

 

                São páginas de uma História de decisão e coragem, num país que viveu sempre perante o espectro da miséria e das discriminações sociais, mas que teve sempre chefes à altura, em tempos de crise. Só precisamos de aguardar pela demonstração dos actuais chefes.

                Como diria, pois, Salles da Fonseca, “Continuemos”

 

 Berta Brás

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