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A bem da Nação

Mais disparates sobre a Agricultura

 

 

João Pereira Coutinho tem escrito variados artigos sensatos e com lógica. Mas recentemente, com o titulo “TV Ruína”, escreveu um chorrilho de disparates sobre a Agricultura. O tema de partida foi a notícia de alguns quererem voltar a ter na TV o programa “TV Rural”. Transcrevo uma parte: “Mas entendo o espírito que anima esta grotesca interferência no “serviço público”: a ideia juvenil de que é possível ressuscitar o nosso sector primário, devastado por Bruxelas com a conivência de sucessivos governos, através da mera propaganda televisiva. Infelizmente, não é: décadas de abandono dos campos não se revertem com odes isoladas aos produtores que resistem por aí”.

 

De tudo isto só tem certo a má actuação dos governos anteriores, em descarados e ruinosos actos de destruição, que só foram um tanto travados pela actual ministra.

 

Bruxelas, mesmo com os vários erros da PAC, não é a responsável pelo nosso descalabro nesse sector. Não obrigou ninguém a arrancar vinhas ou a não cultivar. Se alguns que receberam subsídios não souberam ou não quiseram dar-lhes destino certo não é da responsabilidade da União Europeia. Os países europeus que vêm cá vender produtos que tínhamos obrigação de aqui produzir estão sujeitos à mesma PAC.

 

Não só é “possível ressuscitar o sector primário”, como é imperioso fazer essa recuperação, a bem da nossa economia e, até, da nossa independência alimentar. É claro que não é só “através da mera propaganda televisiva”, mas esta dá uma boa ajuda.

 

Parece que algo está a ser feito, embora eu pense que já se poderia ter feito mais nestes dois anos. Nos muitos escritos sobre o tema, tenho indicado o que julgo se podia e devia fazer, mesmo com o reduzido know how que o ministério possui, comparado com o que tinha há quarenta anos e eu considerava ser insuficiente para as necessidades do país. Como tenho repetidamente indicado, é imperioso iniciar um “Plano Intensivo de Investigação Agronómica e de Extensão Rural”, mesmo só coma prata da casa. Não tenho notícia de que isso esteja a ser realizado.

 

A referência “aos produtores que resistem por aí”, nalguns casos com bom êxito, é a melhor prova do que é possível generalizar.

 

O programa “TV Rural” ensinava os agricultores a fazer melhor agricultura e mostrava muitos aspectos mesmo para quem não era agricultor e gostava de o ver. Bom será que ressuscite pois ele é um elemento da extensão rural que, com a investigação agronómica, são as alavancas do Ministério da Agricultura necessárias para fazer a nossa agricultura dar uma maior contribuição para a economia portuguesa.

 

Os nossos economistas e alguns dos nossos jornalistas já mostraram grande ignorância (se não for pior...) em relação à agricultura. Além de não saberem que é parte da economia, como se prova com o nome errado que, desde Guterres, dão ao Ministro do Comércio e Indústria (que é só Ministro de Parte da Economia), houve um que considerou que a agricultura era apenas “residual”. Outro economista, quando perguntado se a agricultura não poderia dar uma boa contribuição, declarou que “no campo alimentar poderia dar um pequeno contributo” caso que comentei no LE (Um "pequeno contributo", 24-6-2011). Um jornalista num jornal com as responsabilidades do “Expresso”, declarou em 25-3-2000, que a seca intensa desse ano era “o ponto final da nossa agricultura”. O título do artigo era mesmo “O fim da nossa agricultura”, que também comentei no LE (Continuam muito erradas as ideias sobre a Agricultura, 26-10-2011).

 

Não se deve deixar que tais aberrações passem sem ser denunciadas. É que há pessoas que, não estando dentro dos assuntos, até são capazes de as tomar como verdades.

 

 Miguel Mota

 

Publicado no Linhas de Elvas de 14 de Fevereiro de 2013

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