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A bem da Nação

DEVANEIOS

GENÉRICOS E FÁRMACOS PATENTEADOS

 

 

Na ordem do dia, ainda recentemente esteve entre nós em discussão o uso ou não dos genéricos. É um fenómeno universal preocupando de um lado os terapeutas e psicólogos e doutro lado um exército de interessados em lucros fabulosos com o lançamento desses fármacos (como certos capitalistas, multinacionais e laboratórios químico-farmacêuticos que põem o lucro como meta).

 

Para estes, a produção dos seus produtos é um autêntico negócio, mas foram publicamente acusados e denunciados de falta de honestidade em prejuízo de milhões de portadores de doenças graves e incuráveis (cancro, diabetes, doença de Alzheimer, Parkinson, epilepsia, hipertensão, hipertiroidismo, lúpus et alia).

 

Se não sou médico ou químico-farmacêutico, como nonagenário bem avançado, por medida de precaução, faço uso de drogas patenteadas, embora não deixe de acreditar na utilidade dos genéricos produzidos por firmas confiáveis.

 

Esta circunstância permite-me formular uma opinião sobre o assunto da temática em epígrafe num à vontade, sem mal dizer todos os fabricantes de fármacos e sem deixar de apontar aqui a louvável e indesmentível contribuição da maior parte deles para minorar o sofrimento físico e mental de milhões de doentes. Ao mesmo tempo, sem deixar de condenar os que impingem fármacos adulterados, em versões diferentes do fármaco original, quer patenteado quer não, provocando resultados adversos pela utilização de substâncias activas e de excipientes complementares de qualidade inferior, como foi denunciado na imprensa norte-americana e noutros órgãos de informação daquele grande país.

 

A citada denúncia pública levou a FDA (Food and Drug Administration), universalmente conhecida pela sua benéfica actuação, a mandar retirar da circulação e do uso terapêutico um fármaco (2ª versão) com composição adulterada, provocadora de reacções adversas em inúmeros queixosos, doentes crónicos e utilizadores do fármaco.

 

O Congresso Norte Americano, alertado pela denúncia pública, impôs nova legislação restritiva apertando a exigência de maior controle e de activa inspecção da indústria químico-farmacêutica, quer no País, quer no estrangeiro onde se situam as sucursais das multinacionais americanas fornecedoras dos seus produtos ao consumo de doentes nos EUA e noutros países consumidores. Também recentemente o Departamento de Justiça dos EUA condenou uma grande firma produtora de medicamentos genéricos da Índia, ao pagamento duma indemnização de US$500 milhões, por se ter encontrado nos frascos do genérico utilizado como hipotensor, comprimidos em cujo interior foram detectadas minúsculas partículas de vidro, no fim de sete anos de investigações laboratoriais.

 

Ainda nos EUA, as sociedades médicas American Academy of Neurology, Endocrine Society e American Heart Association, recomendam cautela aos médicos para não recorrer ao uso de genéricos que podem produzir efeitos terapêuticos adversos. 

 

Digladiam-se em lutas constantes os industriais de fármacos patenteados e de genéricos, em longos e dispendiosos litígios forenses, ora ganhando uns ora ganhando outros. Quem ganha, arrecada uma choruda indemnização e aproveita-se disso para aumentar os preços aos consumidores, dessarte elevando o capital e a procura do seu produto, o que não é muito moral.

 

Segundo a Associação de Genéricos Farmacêuticos dos EUA, em 2012 o uso dos genéricos poupou ao público consumidor $193 biliões e os industriais de genéricos comprometeram-se nos próximos cinco anos contribuir com $299 milhões, por cada ano, ao FDA para esta agência federal norte-americana exercer maior controle e mais eficaz inspecção dos fabricantes de fármacos, patenteados ou não. São medidas louváveis que redundarão em ganho da simpatia do público consumidor pelos genéricos.

 

Oxalá que a Moral prevaleça nos industriais de fármacos, patenteados ou não, pondo de parte a mira de lucros fabulosos à base da exploração do sofrimento de milhões de pessoas com graves e incuráveis doenças através do Planeta Azul!

 

Alcobaça, 04.02.2013

 

 Domingos José Soares Rebelo

 

FONTE: Katherine Eban, in “FORTUNE”, Volume 167, Nº1, de 24.01.2013

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