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A bem da Nação

O ROSEIRAL DO CICLOPE E A ROSA – 2

 

 

Enquanto tratava do Roseiral, o Ciclope sentia-se cada vez mais atraído pelo perfume exalado pela rosa branca e vermelha e frequentemente lembrava-se de seus dizeres. Isto, sem bem saber ainda, se acreditar ou não nisso, ou se, o que se estava a passar, não seria só produto de sua imaginação.

 

Depois de ter tratado das outras rosas com o carinho e cuidado habituais, chegou a vez da Rosy. Retirou-lhe as folhas secas dos ramos, borrifou-a ao de leve com água, olhou para ela e ao chegar o nariz mais perto dela, para apreciar mais profundamente o supremo perfume que dela saía, sentiu-se desta vez mais intensamente e de facto, transportado num turbilhão de luz e cores, para um outro lugar qualquer. Fechou os olhos, pois, ao mesmo tempo e enquanto deixava que o perfume lhe inundasse os sentidos, sentiu-se num relaxe profundo. Iniciou-se assim, uma intensa fase de viagens que já nem eram breve e nem breves, mas sim, astrais e que lhe permitiam tele transportar-se fisicamente para outros lugares distantes. Fosse para onde fosse transportado, a Rosy continuava a ir e lá estava sempre aos seus pés. Viajaram dessa forma, os dois, para inúmeros locais, que mais pareciam tirados de uma fantasia ou de sonhos. Desta vez, os locais idílicos com belos jardins e quedas de água, cheios de verde vegetal por todo o lado, tanto aqui na Terra, como em outros, localizados em distantes Planetas habitáveis, situados em outras Galáxias, eram muito mais duradoiros e reais.

 

Após tantas idas e vindas e de muitas e múltiplas aventuras vividas, numa bela ocasião, viajaram para um Planeta, onde aparentemente, os habitantes principais e mais evoluídos, eram precisamente os Ciclopes.

 

Então, ao lá chegarem, a Rosy exclamou: - Meu amigo e criador Ciclope, trouxe-te aqui, porque foi aqui onde tu tiveste a tua origem e, como já estou quase a chegar ao fim de meu tempo de floração, não o queria deixar de fazer. Esta é a maneira como te agradeço, por me teres criado e por me teres cuidado com esmero e amor, ao longo de minha efémera vida. Esta, dependendo de tua opção, poderá ser uma de nossas últimas viagens em comum. Contudo, antes do regresso à Terra, terás aqui uma missão especial para cumprir. Como vês, aqui não há Roseirais nem rosas, visto que os Ciclopes, assim como os Seres Humanos, sempre acreditaram serem aqueles primeiros demasiado brutos para terem suficiente sensibilidade para as cultivar e para cuidar delas. Vamos ficar aqui os dois uns tempos, para que tenhas tempo para ensinar aos Ciclopes como eles o podem fazer. Mas, para os convenceres, só o poderás fazer exemplificando-o, para os atrair e para, assim, lhes provar que se tu o podes fazer, eles também o poderão.

 

Uns meses depois, o Roseiral já estava montado e as primeiras rosas, cujas sementes a Rosy havia solicitado ao Ciclope para trazer consigo numa sacola, estavam agora a desabrochar e a florir. Entre as sementes escolhidas, havia algumas que pertenciam aos pés de rosa que melhores rosas perfumadas produziam lá na Terra. As restantes, eram de pés de rosas que, embora não exalassem perfumes muito activos, atraíam pela sua variedade e vivacidade de tonalidades, que iam do preto, ao amarelo vivo, ao verde, ao tinto aveludado e a outras espantosas cores.

 

Nisto e aos poucos, os que por ali passavam perto do Roseiral, iam parando para olhar e para tentar identificar de onde vinha tanta combinação de perfumes, que enchia o ar em redor. No início, é provável que os Ciclopes não soubessem o que era um Roseiral ou uma rosa. Mas, à medida que iam passando a palavra uns aos outros, não tardou que em breve, Aldeias, Vilas e Cidades inteiras onde viviam os Ciclopes do Planeta Ciclope, fossem ficando curiosas e comentando sobre tal lugar, onde se havia radicado um misterioso Ciclope, que ninguém sabia de onde viera e começara a plantar flores. Flores essas, de cores variadas e que exalavam um perfume quase mágico, que atraía a todos os que passavam por lá. Os rumores começaram a ter tal intensidade que chegaram aos ouvidos dos Reis dos vários Clãs de Ciclopes. Estes então juntaram-se em função disso e decidiram visitar o tal local das rosas. Lá postos, ficaram deveras admirados por ver um Ciclope como eles e com a mesma aparência bruta, mas que praticava modos comedidos e cuidadosos. Aquele recebeu-os de forma cordial e a sua fala apresentava-se admiravelmente educada. Levou-os a ver cada uma das rosas do Roseiral e foi-lhes explicando sobre os processos de seus cultivos, tratamento e como se cruzavam as varias estirpes para criar novas e cada vez mais belas e exóticas rosas. Algumas, que iriam atrair pela cor e outras, pela intensidade do perfume. Depois de todas as explicações e de verem todas, chegaram finalmente à Rosy, a rosa branca e vermelha, ficando todos pasmados e de boca aberta, de tanto espanto.

 

Queriam todos tocá-la, quase não acreditando que ela fosse real e que exalasse um perfume tão irresistível. De um momento para o outro, viram-se a viajar num turbilhão de emoções, indo todos parar a um imenso jardim algures no Planeta Terra. Aparentava ser o Palácio de Versalles, nos arredores de Paris, tendo-se deparado com um sem fim de canteiros com rosas de todas as cores e de cheiros perfumados que enchiam o ar. Era lindo demais e de cortar a respiração...

 

Novamente, junto com seu amigo Ciclope, lá estava a rosa branca e vermelha a guiar os restantes. Nisso, a Rosy disse ao Ciclope, tendo os Reis Ciclopes também escutando: - Meu bom criador, agora que a tua missão parece estar a finalizar e a minha também, chegou a hora de os levar a todos de volta ao Planeta dos Ciclopes e tu podes optar em ficar ou ir. Quanto a mim, poderei levar-te ao teu antigo Roseiral aqui na Terra, onde eu nasci às tuas mãos, ou então irás de vez comigo e com os Reis Ciclopes para o Planeta Ciclope, passando a viver ali até ao fim dos teus dias. Eu, por minha vez, vou enfrentar a minha última viagem a levá-los de volta ao Planeta Ciclope. Ali ficarei até ao meu definhamento e secagem completos, restando-me passar a ser uma referência para os Ciclopes, pois, tenho a certeza de que, depois de tudo o que viram na Terra, irão encher o Planeta Ciclope de Roseirais com belas rosas, e ainda, também, de muitas outras espécies de flores.

 

O Ciclope olhou para os Reis Ciclopes e perguntou-lhes, a fim de tentar obter deles a firme confirmação para o que havia dito a Rosy: - Majestades, o que ireis fazer no vosso regresso?

 

Em resposta, os Monarcas responderam em uníssono: - Mestre Jardineiro, se vieres connosco, serás nosso Professor e, contigo a orientar-nos, iremos editar uma Lei onde todos os Ciclopes deverão dedicar um pouco dos seus tempos a cultivarem Jardins, sobretudo Roseirais, em seus Quintais. Para começar, iremos nós exemplificar tal acto, iniciando o plantio de Roseirais nas Praças Publicas e em frente de nossos palácios. Será assim, partir de agora, um hábito Ciclope.

 

O Ciclope, regressou com os Reis Ciclopes ao Planeta Ciclope, onde iria assim, acompanhar a Rosy em seu definhamento final.

Dela, originaram-se sementes de novas rosas brancas e vermelhas, tão lindas e cheirosas quanto ela. Hoje, não há Jardim no Planeta Ciclope, que não tenha uma rosa branca e vermelha, como uma autêntica Rainha, no meio de outras rosas de outras cores e de outras flores...

 

Hoje, existem também em todos os Reinados e Clâs do Planeta Ciclope, uma estátua do Ciclope e da Rosy, que vieram da Terra, para ensinar aos Ciclopes, antes tidos como seres brutos e insensíveis, a serem seres atenciosos e mais sensíveis, tanto no plantio de Jardins, como no trato de uns para com os outros...

 

Luanda, 25 de Dezembro de 2012

Manuel JFD de Sousa

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