SUGESTÃO AO DR. GASPAR, MINISTRO DAS FINANÇAS DO GOVERNO DE PORTUGAL

Caro Sr. Dr. Gaspar, M.I. Ministro das Finanças do Governo de Portugal,
Desculpe V. Ex.ª o facto de lhe dirigir esta mensagem tão publicamente e não em privado. O problema é que não tendo eu o estatuto de “grande personalidade política ou económica” desconfio bem que V. Ex.ª. no meio de tantos afazeres e tendo ainda de pensar a melhor maneira de responder às exigências dos representantes das “Potências Administrantes de Portugal”, a popular “troika”, não poderia certamente perder tempo comigo.
Porém, como tenho esta sugestão para lhe fazer, não quero perder a oportunidade, na certeza de que se V. Ex.ª. lhe der seguimento as “Potências” ficarão muito felizes, e quem sabe, um dia destes vão nomear V. Ex.ª para as representar noutro Estado por elas administrado. Pode ser a Espanha, a Itália, a Hungria, a Polónia, etc., certamente que haverá muitos Estados para serem administrados pelas Potências e faltarão pessoas competentes e de confiança para o exercício de funções tão nobres.
Julgo que V. Ex.ª não terá entendido bem a mensagem do nosso querido Primeiro-Ministro quando afirmou que os reformados pagaram para ter pensões mas não para ter “estas pensões”. Na altura fiquei um pouco indignado, é que eu tenho o que vulgarmente se chama de uma pensão milionária, apesar de já ter pago para ter uma pensão durante 59,5 anos (sim cinquenta e nove anos e seis meses) e de durante a minha longa vida de pagador nunca me ter sido dada a opção de pagar para outro Fundo de Pensões que não o do Estado.
Mas, não é que pensando, pensando e voltando a pensar nas sábias palavras do Senhor Primeiro Ministro – por alguma razão ele não se referiu aos pensionistas que foram Administradores da Caixa Geral de Depósitos e do Banco de Portugal, nem aos Deputados da Assembleia da República, nem aos políticos em geral e sim a TODOS, mesmo TODOS os pensionistas – ele Primeiro-ministro deve ser entendido como alguém, qual Papa, que é infalível, e portanto ele quis mesmo incluir-me e a outros como eu, no grupo dos tais que não pagaram para ter “esta pensão”. E porquê? Claro porque quando há quase sessenta anos atrás comecei a pagar para um dia vir a ter uma pensão de reforma, a esperança de vida média que o Estado me dava era de cerca de 68 anos. Quer dizer que paguei para ser pensionista durante três anos, e não durante os quase 9 anos de que já “beneficiei” desta pensão.
Então, para que eu e outros como eu que resolveram sobreviver para além da expectativa do Estado, acho que V. Ex.ª pode muito bem taxar-nos com um novo imposto (imposto talvez não, porque V. Ex.ª não está muito interessado em aumentar a receita fiscal, V. Ex.ª está é interessado em diminuir a despesa do Estado) então em vez de um imposto V. Ex.ª pode deduzir à minha pensão e dos outros como eu que já têm mais de 70 anos, digamos uns 10% do valor da pensão por cada ano de sobrevivência. V. Ex.ª. chamar-lhe-á “Taxa de Sobrevivência” e se “Taxa” não servir pode chamar-lhe “Penalização” que será mesmo o termo mais adequado.
Não sei se está a ver, o Senhor resolverá várias questões:
- Ultrapassará as imposições do “memorandum de entendimento” e com o que ganhará mais créditos pessoais junto das “Potências Administrantes”
- Reduzirá as despesas do Estado e garantirá que aos 80 anos de vida, os “sortudos” que sobreviveram nada custarão ao Estado. Certamente que morrerão de fome, de falta de cuidados médicos ou por suicídio. Aí está o reequilíbrio da população entre velhos e novos.
- Com isto, as contas da Previdência Social ficam para sempre e milagrosamente equilibradas, ainda que o Estado, com o apoio dos Bancos, se tenha endividado e ultrapassado todos os limites da prudência e da boa gestão.
- Demonstrará ter entendido bem a mensagem do Senhor Primeiro-Ministro e além disso de lhe ter dado execução prática, o que aconselhará a sua pessoa para exercício de funções onde o entendimento das mensagens do Chefe e da disciplina na execução seja condição essencial.
Claro que o discurso do Senhor Primeiro Ministro e a execução destas acções só têm um senão. V.Exias. um dia (como diria o Senhor de La Palisse), chegarão a velhos se não tiverem o azar de morrer antes. E pior, com os avanços da ciência e da medicina até podem vir a viver mais de 100 anos, e aí estarei eu e os outros como eu lá em cima a olhar cá para baixo a rir de V. Ex.ªs. Que assim seja, que V. Ex.ªs vivam para além dos 100 anos e que o Estado vos pague só a pensão para a qual descontaram.
Com desejos de muita saúde para si e todos os seus, em especial os seus progenitores, para que vivam muitos e muitos anos,
João António de Jesus Rodrigues
Contribuinte para a Segurança Social nº 10620399522, desde o ano de 1953. Lisboa, 8 de Janeiro de 2013
