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A bem da Nação

CHÉCIA – 1

File:Coat of arms of the Czech Republic.svg 

 

- Olá! Onde foste fazer a passagem do ano?

- Fui à República Portuguesa.

Soa mal mesmo que seja verdade e é claro que qualquer pessoa normal responderia que tinha ido a Portugal alijando preocupações com o regime político e dando relevo ao Sol ou à chuva, ao calor ou ao frio, à qualidade da festa, do espumante da celebração ou ao barulho das ondas na praia à meia-noite...

 

Então, apesar de haver quem lhe chame República Checa, eu prefiro referir o país pelo seu nome próprio sem o ligar a um regime político específico: vamos aos substantivos e deixemo-nos de adjectivos. Sim, fui à Chécia passar o ano e gostei do que vi.

 

Avião completamente cheio no percurso de Lisboa a Praga, nada posso dizer sobre o que se tenha passado entre Praga e Budapeste mas o que sei é que, no regresso, houve muitos passageiros oriundos de Budapeste que se apearam em Praga tendo o percurso até Lisboa ficado cheio como um ovo. Admito perfeitamente que a TAP tenha feito o pleno em toda a linha. Não é, pois, da falta de procura que a empresa se pode queixar. Mais: tenho insistentemente ouvido dizer que o negócio do transporte aéreo é lucrativo e que os problemas da TAP têm tudo a ver com outros negócios, nomeadamente com a empresa brasileira de engenharia de manutenção há tempos comprada à massa falida da VARIG. Vão-se os anéis para que fiquem os dedos e espero bem que não se demore muito mais tempo a decidir sobre a alienação ou liquidação dessa devoradora de companhias aéreas que dá pelo nome de TAP – Manutenção e Engenharia Brasil. Poderá ser a maior empresa do género de toda a América Latina e poderia mesmo ter outros louváveis epítetos mas eu centro a minha atenção nessa realidade que consiste em ela ser uma devoradora de companhias aéreas. Fora com ela! Não há compradores para essa empresa brasileira? Inicie-se de imediato a respectiva liquidação e ponha-se um ponto final no problema da nossa companhia de bandeira. O Marquês de Pombal também decidiu abandonar Mazagão por excesso de custos face aos proveitos e até hoje ninguém se arrependeu de tal decisão.

 

Mas voltemos à Chécia referindo uma particularidade que me parece notável e que consiste no facto de ser comum encontrar quem fale quatro línguas: o checo (língua materna), o alemão (língua da primeira ocupação), o russo (língua da segunda ocupação) e o inglês (actual língua franca mundial). Tanto assim, só em Curaçao como contei quando escrevi sobre essa região autónoma da Holanda (papiamento, holandês, espanhol e inglês).

 

Mera curiosidade pictórica, a evidente semelhança entre a Praça Venceslau, em Praga e a Avenida dos Aliados, no Porto: dimensões por certo muito aproximadas, o mesmo tipo de edifícios laterais, um edifício monumental no topo, uma estátua equestre. Mas também há diferenças assinaláveis pois S. Venceslau (St. Vaclav, em checo) é um símbolo moral da Nação checa enquanto D. Pedro IV se limitou a ser um chefe político; foi nessa praça que no início de 1969 se imolarem pelo fogo Jan Palach e Jan Zajíc em protesto contra o silenciamento da «Primavera de Praga» e da deposição abrupta do então Chefe do Governo checoslovaco Alexander Dubcek enviado em exílio interno para a sua terra natal, Bratislava, como jardineiro municipal enquanto na Avenida dos Aliados, felizmente, não é recordado qualquer drama dessa tremenda dimensão.

Mas deixando para trás o mini-memorial dos mártires da liberdade, deparamo-nos com centenas e centenas de velas acesas dentro de copos vermelhos formando o desenho de enormes corações e das letras VH em sentida homenagem popular a quem está numa foto a cores na base do pedestal da estátua de St. Vaclav, esse que foi o autor da “revolução de veludo”, falecido em Dezembro de 2011, Vaclav Havel. Não antevejo qualquer político português actualmente vivo ou futuramente morto que mereça tal homenagem na Avenida dos Aliados ou em qualquer outro local menos parecido com a “Václavské Námestí”.

E por que é que a revolução foi de veludo? Já lá vamos mas desde já adianto que não foi por causa de o Dr. Mário Soares lá ter ido mesmo sem convite dos donos da casa.

 

Lisboa, Janeiro de 2013

 

 Henrique Salles da Fonseca

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