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A bem da Nação

QUANDO AS AMIGAS CONVERSAM...

 

NADA PARA DIZER

 

Isto disse a minha amiga, a escusar-se ao comentário que lhe pedi sobre o discurso do P. M. que me chocara a mim pelo que me parecia de enfianço de barrete que nos estava uma vez mais a impingir, na seriedade de uma atitude de tristeza e simpatia, mas simultaneamente de atrevimento na esperança que impinge, na promessa de mudança e de seguimento no bom caminho, quando o que se prepara são mais cortes, mais impostos, mais despedimentos, mais miséria e sofrimento.

 

- Não, mas eu não tenho nada para dizer - disse. Ele, com ar muito triste, a dizer que vai ser tudo melhor. Depois veio o do PS a dizer o número dos desempregados, e os outros a falar em discurso irrealista, os economistas a negar o direito ao optimismo… Um país que não está a criar riqueza como pode começar a recuperar?

 

- Mas há indícios de que vamos ter petróleo em Alcobaça – largo eu, que só quero ser conquistada pela fé, acabrunhada que me sinto com as histórias sórdidas do nosso estar no mundo de conivência com o nosso ser genérico.

 

- Sim, e ouro na terra do Alentejo, concluiu rápida a minha amiga que não se fica atrás em ambições de crença concomitantes com o mesmo estado de acabrunhamento. Mas um país onde tudo fecha, hotéis como empresas, pequenas e grandes, é um país que vai fechar.

 

Falámos no escândalo do BPN, nos montantes astronómicos das dívidas que vieram a público, quase todos do PSD, dissera o meu marido, e a minha amiga contou pormenores:

 

- Os nomes e as quantias, é bárbaro. Não é o Zé Povo que tem que pagar as quantias dos ladrões? Isto agora é que vai ser falado! Houve a pausa do Natal para descanso. O Governo fez esta coisa incrível de tomar conta do Banco. Aquele trabalho da Sic está bem feito e aprofundado. Com certeza ninguém se vai calar. Mas é claro que o dinheiro não está cá. Olha aqueles fulanos a saberem tudo como é que se faz, a deixarem-no cá ficar!...

 

Mais ia por diante o monstro horrendo dizendo nossos fados” quando eu, sentada, interrompi a minha amiga, mostrando-lhe o DN de 24 de Dezembro, que tirei da mala em ar de triunfo, pois competimos na questão das notícias sensacionalistas, embora eu nisso me mostre muito mais reservada, que não sou de mexericos, o que não significa que a minha amiga seja, longe disso, o que ela é, é mais desconfiada. A informação era sobre um tal de burlão, Artur Baptista da Silva, bem-falante e contador de histórias pessoais de sucesso, que já lhe ouvíramos e que o DN desmascara acompanhando a notícia com a respectiva fotografia. Não, os nossos sucessos comportamentais não têm fim, vejamos a síntese do DN:

 

«Impostor: O falso colaborador das Nações Unidas, que andou a divulgar um relatório sobre Portugal, dando entrevistas e conferências, tem uma série de processos por burla e apresenta-se como professor de uma inexistente universidade americana.»

 

Acusa para mais o povo português de o ter feito passar o Natal deste ano “no pelourinho da praça pública”, como “vítima de um julgamento sumário” que lhe aplicou uma imediata “pena de linchamento de carácter”, coitado!, que tão bem se exprime.

 

Ambas soltámos um simultâneo “E esta hein?!” em homenagem a Fernando Pessa, que tanto se admirou na vida, e que provavelmente não teria hoje palavras - nem sequer essas – interdito que ficaria, como ficou a minha amiga quando afirmou não as ter.

 

Eu por mim expressei com redundância que devíamos antes sentir um certo orgulho na nossa indústria embusteira, tão fértil e variada em exemplares dignos de linchamento e até requeri para ela o ressarcimento da nossa dívida externa, pela admiração que deveria merecer aos nossos credores o “engenho e arte” de tais “obras valorosas” libertadoras “da lei da morte” aos novos heróis, tal como fizeram aos velhos, “barões assinalados”.

 

 Berta Brás

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