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A bem da Nação

O ÁRABE

 

 

Harun ar-Rashiid foi califa (o quinto) em Baghdad entre 763 e 809. Seu nome completo era Harun ar-Rashiid ibn Muhammad al-Mahdi ibn al-Mansur al-Abbasi (Harun ar-Rashiid filho de Muhammad al-Mahdi filho de al-Mansur al-Abbasi). Foi contemporâneo de Carlos Magno (768-814).

 

Este foi coroado pelo Papa no ano de 800, em Roma, imperador do novo Sacro Império Romano-Germânico (I Reich). Correspondia-se com Harun al-Rashiid, não sabemos como e em que língua. Com certeza havia intérpretes escritores. Não imagino que Carlos Magno soubesse árabe, nem Harun al-Rashiid latim.

 

Porque Carlos Magno falava Latim, um latim já muito estragado, tão estragado que o Imperador mandou os literatos (deviam ser poucos) da corte emendarem a língua praticada. Mas não conseguiram porque já não era latim, mas um dialecto de que não tinham ainda tomado consciência, o primitivo françois. Diferentemente do latim, o árabe manteve-se intacto ou quase através dos séculos. Como se explica isto? Muito simplesmente.

 

O latim decompôs-se nas várias línguas novilatinas, e a língua-mãe esqueceu-se. Em Portugal o pseudo-latim medieval perdurou até D. Diniz, que, devido à disparidade, mandou que todos os documentos oficiais fossem escritos na língua popular. Ninguém nos países novilatinos dizia que falava latim.

 

No mundo árabe, a língua original também se corrompeu, mas ninguém hoje diz que fala o marroquino, o algerino, o tunisino, etc., mas todos dizem que falam o árabe. E o árabe original não foi esquecido e lançado às urtigas. Ele é o árabe-padrão, aquele que eu procuro estudar, aquele que é usado em todos os países árabes como veículo de cultura, na TV, na Rádio, na Imprensa e que todos compreendem. A professora de árabe pelo Youtube, a Maha, de seu nome, diz, por exemplo que não entende o tunisino. O árabe-padrão é o latim dos árabes, que eles não esqueceram nem desprezaram.

 

Os árabes, que tão difamados e bombardeados têm sido pelos ocidentais, que arrogante e estupidamente se julgam superiores, podem dar lições de cultura a estes. Ora veja-se: os europeus, custe o que custar, querem fazer uma união política, com os resultados desastrosos conhecidos. Mas união cultural não pensam nela, apenas querem impor o inglês à pascacice popular.

 

Pelo contrário, os árabes não querem união política, às vezes até parece serem inimigos uns dos outros, mas têm uma língua comum, o árabe-padrão, que lhes dá um sentimento de comunidade, a ummah, a mátria, em que são livres e solidários. Compare-se a ummah com a "União Europeia". O que a segunda tem de palhaçada, a primeira tem de seriedade e compenetração. Na "União Europeia" não há liberdade política nem solidariedade cultural, apenas hipocrisia.

 

Muito haveria ainda a contar. Talvez noutro dia, se Deus quiser.

 

 

Joaquim Reis

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