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A bem da Nação

O MEU AVÔ E SALAZAR – 6

 

 Domingos de Oliveira visita D. Manuel II (2ª fila, a trás do general emplumado, o mais alto)

 

 

O arreigado hábito da ordem e a sua lealdade para com a hierarquia do Exército, terão sido as razões que o levaram a considerar um dever prestar a sua colaboração ao Movimento Militar do 28 de Maio. Antes de o fazer porém informou o Ministro da Guerra do governo visado que, caso fosse chamado a reprimir o Movimento, se revoltaria. Também aqui não praticou a decepção.

 

O culto da ordem não o levava a desprezar os arruaceiros – os valentes – se bem que lhe repugnasse ver militares ao serviço da desordem. O 28 de Maio teria sido para ele uma manifestação colectiva da vontade do Exército e não um exercício isolado de poder. Note-se que no seu governo, o terceiro do primeiro mandato presidencial de Carmona, foi o primeiro que decretou (finais do 1930) uma amnistia para as penas impostas por motivos políticos e tomou disposições que permitiram a reintegração dos militares abrangidos por tais penas no serviço activo[1].  Foi também notado que, na primeira celebração do “5 de Outubro”, no seu Governo, Domingos de Oliveira condecorou em praça pública um militar valente que havia combatido pelos republicanos, na Rotunda, em 1910. A tolerância assim demonstrada e outros actos ditados por uma preocupação de imparcialidade política foram interpretados nalguns sectores como sinais de frouxidão e deram azo às campanhas que a linha dura do tempo lançou contra o governo de Domingos de Oliveira. Os factos mostraram que o uso combinado de, por um lado, dissuasão mediante prevenção e concentração de meios ostensivos e, por outro lado, tolerância para com os arrependidos funcionou até um certo ponto. O Movimento da Madeira, de 1931, foi o último movimento revolucionário que chegou a estabelecer uma base operacional. Isso contudo não impediu tentativas posteriores de sublevação. 

 

(continua)

 

Luís Soares de Oliveira.jpg Luís Soares de Oliveira



[1]
            [1] Sobre o assunto ver Veríssimo Serrão, op. cit.. e J. Matoso, “História de Portugal”,vol. V. *

 

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