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A bem da Nação

POSTAIS ILUSTRADOS LXIV

 

A ECONOMIA DO FUTURO

PARTE II

 

 

Só tem o direito de criticar, aquele que pretende ajudar

Abraham Lincoln, 16º Presidente dos EUA

 

 

É! A citação acima referida, é aplicável a quem provoca protestos incendiários a bordo da Nau da Assembleia da República ou dos Gabinetes do Largo do Rato, sem apresentar soluções credíveis ao país. Toda esta fumaça (lembram-se do Almirante?) não tem bases para se transformar em soluções exactas e incontestavelmente lógicas e práticas. É só conversa para Povo dormir! E, de facto, já bocejamos…

 

É, porém, verdade, que precisamos de rebeldia q. b., e bater o pé às regras que vão emergindo da confusão instalada para recuperar o verdadeiro sentido de Estado! Regras que cada vez mais nos dizem nada. Esta Oposição à novel Aliança Democrática tem razão numa coisa: acabou-se com o PEC 4 e correu-se com o Srº Sócrates, com o fundamento que não havia mais lugar para a austeridade ali proposta. E teceram-se loas à intransigente defesa dos nossos bolsos contribuintes e à verdadeira e exigida reforma do Estado, dando cabo das gorduras daquele Ente Público que foi apelidado de “Monstro”. Os eleitores foram na conversa das promessas dos magos da Solução Económico-Financeira, mas, em vez desta, enfrentamos a Solução Final e é o que se vê de promessas incumpridas.

 

Está a fazer-se, precisamente, o contrário; desfazendo, com a prática da governação à vista, sem planeamento estratégico fundamentado, o tecido económico e dando livre curso a bases e fases de experimentalismo irresponsável e inaceitável, quando a culpa, aqui só é, numa pequenina fracção, do Povo, e, isso sim, é de quem recorreu a decisões erradas de investimento público e pôs o Estado de tanga, (aproveitando a expressão de quem voltou as costas ao país, mantendo-o de tanga porque lhe acenaram com um lugar nas instituições europeias). Coisas dos interesses individuais que se sobrepõem aos do interesse público. Humanamente previsível!

 

A parte da culpa que nos cabe, como Povo, foi ter ido na conversa da casa própria de família, na da segunda casa própria de férias; nas férias do vá agora e pague depois; na do bom e moderno carro – o bólide! -: na aquisição de bens não tão essenciais como isso…

Sob a intensa pressão de um marketing bancário violenta e despudoradamente agressivo. O negócio dos bancos é o dinheiro e o dinheiro vendeu-se a rodos.

 

Tal como sucedeu ao Estado, fomos na conversa do crédito fácil dos bancos que mais tarde iriam ter de cobrar, ressarcindo-se do emprestado. Não teríamos sido todos aliciados, mas muitos foram na conversa das ofertas sedutoras, e, passámos a viver na desconformidade. Esta prática de aliciação deveria ter sido proibida, mas não foi. Fomos ingénuos e também estamos a pagar essa ingenuidade com os olhos da cara… Custa-me dizer, mas, é bem feito. No futuro, passada esta crise (e já passámos por piores), espero que tenhamos aprendido a lição, a vários níveis.

 

Na minha opinião, o Srº José Sócrates devia estar a governar o país e a corrigir as asneiras que puseram Portugal neste estado de insolvência, para poder ser responsabilizado pelos seus actos, em vez de estar a passar férias em Paris, com dinheiro que não se sabe onde o arranjou. Aliás, devia ser inquirido por um colectivo de juízes, pelo menos umas doze horas, como sucedeu a Sarkozy. Se este colectivo o ilibasse, como aconteceu com Sarkozy, eu fechava a boca e nunca mais falava no assunto.

 

Os eleitores portugueses têm culpa das suas escolhas e, agora, não podem fazer muito mais barulho. Aguentar com as consequências e esperar pelas próximas eleições é o melhor que podemos fazer.

 

O voto é a nossa arma!

 

Na continuação, chamo à colação que não contam só as gorduras do Estado que impedem que o défice seja dominado, dado que ao aumento das receitas provenientes da intensa carga fiscal que sofremos, também contam as despesas que não fazem parte das “gorduras” e aumentam, exponencialmente num perigoso e assustador desequilíbrio, incontrolável e criminoso.

 

Só é possível bloquear as despesas com uma pesada mão de ferro e com um rigor e disciplina absolutos.

 

Não há força para impor disciplina nas despesas?

 

Parece que não! Mas há força que sobeja para nos sobrecarregar, inconstitucionalmente, de impostos até ao limite das nossas já exauridas capacidades. Porém, a capacidade para controlar o Estado nos gastos perdulários, faustosos e inimagináveis, na Presidência da República, na Assembleia da República, no Governo e no Ente Público, em geral, em época de austeridade, não existe. Haja vergonha!

Eu seria um aluno aplicado e diligente da Srª Merkel, mas, não seria um aluno fácil. Seria irrequieto e contestatário e não aceitaria ordens quanto à forma de dirigir o meu país. Se não nos quisessem emprestar dinheiro para o reequilíbrio da Economia e Finanças, segundo as nossas regras, paciência! Alguma coisa se haveria arranjar pela via diplomática. Creio que os nossos credores não estariam dispostos a enfrentar uma crise na economia europeia, pela saída de Portugal e da Grécia do Euro. A Economia europeia ficaria à mercê do poder económico dos EUA. Porém, não sou defensor de voltar ao escudo, para de desvalorização em desvalorização, pôr a moeda a flutuar, com as consequências do que já sofremos com a primeira chamada do FMI.

 

Umas décadas atrás, encantámo-nos pelas ditosas vantagens dos fundos comunitários e entregou-se às grandes economias da europa de então, como a Alemanha, a França, a Itália e a Espanha, a nossa posição nos mercados da agricultura e das pescas, sem contar com a carga de betão armado que o país levou em cima das suas terras, em regiões, actualmente, sob o estigma do abandono absoluto; tudo isto com as verbas provindas do FEDER, do FEOGA e mais algumas siglas de que já me esqueci. O país ficou desarmado sem a vantajosa produção de bens transacionáveis que lhe enriquecia os edifícios do Mercado Interno e do Mercado Externo. O efeito marginal da perda do lugar dos bens transacionáveis, menina dos olhos de toda e qualquer economia, perdeu o pé e afundou-se…

 

A Economia ficou de rastos! Porquê? Porque o FEDER e o FEOGA eram cartões de crédito e gastámos, indisciplinadamente, o dinheiro, sem procurar acautelar as verbas para repor o que foi gasto, porque o dinheiro que recebemos não foi gratuito, foi, ardilosamente, emprestado e, agora, estamos a pagar as facturas da displicência que tivemos. Digo ardilosamente, porque nos foi emprestado com o objectivo de nos afastar dos mercados e anular a concorrência que fazíamos aos grandes da europa. Caímos nesta, agora só nos resta, com orgulho, levantarmo-nos.

 

Ora, mas hoje, estou aqui para falar da Economia do Futuro e não do Passado, se a tanto, o meu engenho e atrevimento me consentirem esse arrojo.

 

E a primeira análise que se nos apresenta, trata de nos questionar sobre se a Economia é uma Ciência?

 

Eu, modernamente, diria que sim, mas, atenta a divisão dos seus desenvolvimentos nos campos de aplicação biológica, dividida em microeconomia e macroeconomia e a sua divisão disciplinar em áreas da política (economia política), da ordem social (economia social), do Estado (economia financeira) e, no universo do comportamento e relacionamento humanos, mais uma vasta diversidade universal de abrangências condicentes com especificidades sectoriais de interesses individuais ou colectivos, afirmaria que é uma ciência de contrários ideológicos e causalidades empíricas, porque não podemos confiar em experiências cujos resultados são de consequências imprevisíveis e esperarmos conclusões científicas inexistentes ou dúbias, por que os factores experimentais da vivência emocional e intelectual na Economia, acontecem num laboratório chamado “A Vida”, onde o que hoje é, amanhã já não é.

 

As causas e os efeitos podem assim rastrear-se pela propriedade dos bens privados ou colectivos, pela produção, alienação, troca ou consumo destes, acantonados num edifício de muitas fracções e pisos, designado por “Mercado”, com várias residências.

 

A partir daqui, encontramos uma miríade de vectores incontornáveis, tais como a Oferta e a Procura que têm uma descendente: a “Escassez” e, esta, é mãe do “Preço” que é representado por um outro bem fungível, designado “Dinheiro” e este é patenteado por um ícone conhecido por “Moeda” que tem várias nacionalidades, para já não falar das primas em segundo grau: as joias e do primo direito: o ouro.

 

Não falo, agora, do Ouro Negro, o Petróleo, que é duma família à parte.

 

Podemos estar aqui horas a escrever sobre estas referências do sentir económico, ligadas, indefectivelmente, à vida e à morte dos indivíduos e das organizações, mas, passo a passo chamarei por cada uma delas, para as observar mais de perto.

Acabei de recordar Júlio Verne e bem preciso da imaginação dele para chegar à Economia do Futuro.

Para finalizar, por hoje, por curiosidade, e consultando os textos bíblicos, a fundação do regime de propriedade privada teve origem no roubo de terras, levado a cabo por Caim, que, apossando-se destas, lhes chamou suas e tomou posse. Este personagem bíblico também fundou a primeira cidade, “Enoque”, nome do seu primogénito. A fundação desta cidade teve lugar após ter praticado fratricídio na pessoa de Abel, seu irmão.

 

A génese da Economia começou, no Génesis, com processos criminosos ligados à factologia histórica da realidade de parte do começo desta…

 

 

 

Luís Santiago

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