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A bem da Nação

O LIXO

 

 

O número de 10  de Agosto de 2012 da conceituada revista "Science", publicada pela Associação Americana para o Progresso da Ciência (AAAS), é dedicado ao tema "Lixo". Ali se recorda que o lixo é hoje um problema em todo o mundo, com enormes custos, económicos e ambientais, para o seu armazenamento, sendo em pequena escala a sua reciclagem. Mas também se chama a atenção para o facto de aquilo a que chamamos lixo ser, na verdade, uma riqueza que, na maior parte dos casos, o homem não tem sabido aproveitar. Devia ser dedicada mais atenção ao aproveitamento dos seus componentes, pois hoje há alguns processos para esse fim, embora seja de esperar que investigação nesse sector, que envolve pessoal de diferentes especialidades, nos possa dar novas possibilidades.

 

Uma parte do lixo é composta por produtos orgânicos, vegetais e animais, ricos em azoto, muito necessário na agricultura, um dos quatro principais elementos, que as plantas usam em grande quantidade. (Os outros são o fósforo, o potássio e o cálcio). Temos algumas instalações para aproveitar essa matéria orgânica, por exemplo, para a produção de fertilizantes, mas são uma pequena fracção do total.

 

Já no artigo “Energias renováveis negligenciadas” (Linhas de Elvas de 8 de Abril de 2010) relatei que os autocarros da cidade sueca de Helsingborg são movidos a biogás (principalmente composto por metano) produzido a partir dos lixos e que tem como subproduto um líquido fertilizante para a agricultura, que é levado até aos campos por pipeline. Acredito que possa ter utilidade em muitos casos mas, por exemplo, nas zonas de criação de porcos, teria a vantagem adicional de ser uma forma de combater a poluição. Tenho notícia de que os dejectos caseiros, mesmo a nível duma simples família, são aproveitados na China para a produção de biogás, a ser usado na própria casa. Na China e na Índia, já há anos, os agricultores usavam em larga escala, o estrume na produção de biogás. Convém lembrar que a produção desse combustível em nada diminui o valor do fertilizante.

 

Outro grupo de materiais é o dos plásticos. E muitos se queixam do que, afinal, é uma das suas melhores qualidades, a resistência à degradação. Sempre pensei que, com essa resistência à degradação, os plásticos deviam poder ser aproveitados como um subproduto útil. Talvez a incorporar, depois de cortado em pequenos pedaços, em materiais de construção, seja no pavimento de estradas, ou em paredes ou coberturas de edifícios. Vi recentemente a notícia que já há uma empresa a utilizar os plásticos, por fusão a alta temperatura, fabricando peças que se assemelham a madeira, para bancos de jardim e outros usos. A sua resistência à degradação é uma das características a seu favor. Provavelmente outras aplicações haverá e afigura-se-me que é um sector em que Portugal deveria ter investigação científica desenvolvida (são sei se há) pois as descobertas neste campo, patenteadas, podem ser uma excelente fonte de receita porque qualquer descoberta concretizável trás ao país proventos muitas vezes superiores ao investimento feito. São os tais juros que os nossos economistas não sabem que existem, mas são reais.

 

 Miguel Mota

 

Publicado no Linhas de Elvas de 8 de Novembro de 2012

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