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A bem da Nação

DEVANEIOS

 

CONFUSÃO NO CAMPO DAS NOVAS TECNOLOGIAS ELECTRÓNICAS

 

I

 

De 2007 até à data, têm-se verificado inúmeras inovações nos aparelhos electrónicos de intercomunicação, causando grande confusão nas mentes de milhões de seus utentes, sobretudo dos meios analfabetizados através do mundo.

 

Suscitou-me este apontamento a recente entrevista dada por Cathy Coughly (GMO- Global Marketing Officer, de AT & T) ao magazine FORTUNE (Vf. Vol.166, Nº4, de Set. 03. 2012), onde ela afirmou que, em curto espaço de tempo, os utentes destes aparelhos de intercomunicação electrónica se demarcam dessas inovações com seu natural receio de que os mesmos aparelhos desapareçam ou venham a ser simplesmente postos de parte, como foram suplantados os aparelhos de reprodução musical nos finais do último século.

 

Tão forte é a ligação dos milhões de utentes aos aparelhos aos quais se habituaram no círculo familiar ou profissional, que eles não querem outros em substituição, além disso implicar novas despesas e a drástica mudança nos hábitos pessoais. O computador e o telemóvel, eles consideram-nos como fazendo parte integrante de sua vida, dali seu natural receio de que os mesmos venham a desaparecer. São uns autênticos “doentes” duma psicose conhecida como nomophobia.

 

Segundo Cathy Coughly, sua grande organização despendeu em 2011 mais de 2 biliões de dólares na introdução das inovações nesses aparelhos com suas específicas novas funções. Assim, por exemplo, com um simples clique no novo telemóvel um freguês dum Restaurante poderá pedir um cappuccino, sem o recurso ao seu porta-moedas ou ao seu cartão de crédito e também poderá pedir ao dono da vizinha mercearia o fornecimento de artigos de consumo doméstico com aquele mágico clique. Já não haverá a necessidade de cunhar moedas nas próximas décadas, quiçá mesmo as Casas de Moeda desaparecerão atirando ao desemprego milhares de artistas!

 

Um jornalista acaba de gabar-se de ter passado uma semana de férias sem puxar do seu porta-moedas ou do seu cartão de crédito para fazer todas as suas despesas. Maravilha das maravilhas dirão estupefactas as pessoas da velha guarda, que nunca sonharam com estas artimanhas fora dum espectáculo de magia branca!

 

                                                                  II

 

Longe de mim a menor insinuação contra o avanço da Ciência e da Tecnologia tão necessário e até indispensável à segurança da Terra e seu ambiente, bem como aos milhões dos seus habitantes gemendo na mais abjecta penúria com carências gritantes de desemprego, de água, pão, energia, luz, vestuário, higiene pública, medicamentos curativos e preventivos, vacinas, assistência médico-hospitalar e, até mesmo, duma única e adequada refeição diária. Santo Deus!

 

Os homens da nova geração procuram na Ciência e na Tecnologia novos meios ultramodernos, qual criança amimada com vários brinquedos, que se agarra a um dos brinquedos e ao encontrar outro mais fascinante esquece-se do primeiro que fora seu enlevo por vários dias. Até onde irá parar essa corrida por sofisticados e muito onerosos aparelhos electrónicos perscrutando as profundezas dos oceanos, das minas, dum vulcão extinto ou em busca de novos mundos além do perímetro do radioso sistema solar. Não seria muito louvável que os cientistas e os tecnólogos sopeassem seus sonhados anseios e virassem suas atenções para minorar o sofrimentos de milhões de desgraçados vivendo na mais negra miséria?

 

Há cinco séculos os portugueses de antanho orgulhavam-se de suas conquistas e descobertas desafiando a Humanidade com o conceito de que se mais mundos houvera, lá chegara o quinhentista português. Será que a Ciência e a Tecnologia do século XXI nos dará esses novos mundos dum Universo sem fim?

 

Os Romanos legaram-nos um grande aforismo latino ao afirmar que quem trata tanto das coisas grandes como das pequenas é um homem perfeito.

 

 Domingos José Soares Rebelo

 

Alcobaça, 03.09.2012

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