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A bem da Nação

ANGOLA E A SUA ECONOMIA – 4

 

Luanda - mercado «Roque Santeiro»

 

O DESEMPENHO DOS SECTORES PRODUTORES DE

BENS TRANSACCIONÁVEIS NA ANGOLA ACTUAL

 

3. O desempenho dos sectores produtores de bens transaccionáveis, em Angola, na década actual

 

3.1. Questões prévias

Torna-se necessário, desde já, inventariar algumas questões prévias enquadradoras da análise:

  • De um modo geral, os dados disponíveis só dizem respeito ao sector formal da economia. Se, em relação ao sector da agricultura, alguma faixa da actividade económica relevante, tida como informal (nomeadamente na agricultura de subsistência)[1]      integra, embora de modo incompleto, os dados oficiais disponíveis, em relação à indústria transformadora, tal não acontece. Contudo, se as actividades não controladas centralmente têm um grande significado a nível do alívio das condições de vida das populações, no caso vertente e em termos de peso nos macro-agregados, tal não se verificará.
  • Há que  ressaltar a extraordinária insegurança em relação à fiabilidade dos dados estatísticos. Realmente, se são óbvias as contradições entre os dados quando compulsadas várias fontes[2] é ainda significativo o facto de, face à ausência de informação adequada por parte das empresas, alguns dos valores globais são obtidos “por estimativa”. Esta circunstância introduz um perigoso elemento subjectivo quer na apresentação de tais valores quer, obviamente, na análise.
  • Após um devastador conflito bélico – como o angolano – os “níveis de partida” são extremamente baixos. Esta circunstância deve ser especialmente tida em conta em relação ao sector da agricultura em que a actividade foi particularmente condicionada pela desestabilização político-militar nos campos, pela minagem de vias e lavras, pela deslocação forçada das populações. O facto de os níveis de partida serem particularmente baixos determina que incrementos mesmo que modestos da actividade se traduzam em percentagens de aumento significativas em relação à base de partida.
  • Na análise e decifração dos números, deverão estar presentes duas circunstâncias envolventes fundamentais:
    • Que se trata de um período pós-conflito armado
    • Que tal período coincide com um muito acentuado crescimento quer do preço do petróleo no mercado internacional quer da sua produção interna.

 

(continua)

 

  Emanuel Carneiro

1992-1993 – Ministro do Comércio e Turismo do Governo de Angola

1993-1994 – Ministro das Finanças do Governo de Angola

1996-1999 – Ministro do Plano e Coordenação Económica do Governo de Angola



[1] Nas condições concretas da África Subsariana é adequada a definição do conceito de “economia informal” a partir da “noção de modo de vida”, tal como aparece expresso em recente estudo publicado pela OCDE. Aqui as actividades informais são tidas como todas aquelas que constituam “um prolongamento da economia tradicional”. Cf. Igué, J., Le Secteur Informel en Afrique de l’Ouest: Le Cas du tissu traditionnel, OCDE, Paris, 2003.

[2] Circunstância especialmente ressaltada na análise sectorial da agricultura no Relatório Económico 2006, CEIC/UCAN. De igual modo é notória a ausência de informação estatística mais especializada nas publicações internacionais, onde os espaços relativos ao país aparecem não preenchidos.

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