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A bem da Nação

OFICIAIS DO MESMO OFÍCIO

 

Um ilustre diplomata português que exercia as funções de Cônsul de Portugal em Cantão, no final da II Guerra Mundial, quando ali se deu a retirada das tropas japonesas e o poder caiu na rua, nas mãos  da turba famélica que atacava os soldados do seu próprio exército para se poder dedicar mais livremente ao saque, sofreu, em conjunto com colegas de outras nacionalidades,  verdadeiros horrores. Foram eles agredidos, espoliados de seus bens e atirados para cárceres imundos onde passaram fome, eram espancados e contraíram doenças. Finalmente liberto e conduzido a Hong-Kong, o diplomata português enviou longo ofício ao Ministério dos Negócios Estrangeiros relatando a sua via cruxis e rematou-o do seguinte modo:

"Aquilo por que eu passei foi tão mau que não desejo tal sorte ao meu pior inimigo e nem sequer a um colega de carreira".

 

Academia Portuguesa de História na actualidade

 

Pensava eu que este ressentimento - por vezes bem humorado - inter-colegas era específico dos diplomatas até que um dia, por dever de ofício, fui assistir a uma sessão solene na Academia Portuguesa de História, sita então no Palácio da Rosa, à Mouraria.

No decurso da sessão, os académicos elogiaram-se reciprocamente. Eram todos doutos, eruditos, brilhantes, rigorosos, etc.. À saída e ainda no vestiário, notei contudo que, enquanto aguardavam os  seus agasalhos, os ilustres académicos aproveitavam para criticar - em surdina - a petulância, ignorância, e outros predicados menos estimáveis dos colegas e confrades que acidentalmente não estavam ali.

Não me surpreendi pois quando este Verão rebentou uma polémica em torno de uma nova História de Portugal. Insultam-se agora os historiadores - e já não mais em surdina - por razões ideológicas. Parecem entender que a ideologia dispensa o decoro. Esquecem porém que há uma diferença entre historiador e panfletário. Na realidade, o que os nossos historiadores estão a dizer ao grande público é que a historiografia portuguesa contemporânea ficou presa nas malhas ideológicas e portanto privada de rigor científico.

Merece, mesmo assim, esta literatura inquinada a nossa atenção?

Só poderíamos saber se merece ou não se antes formos capazes de responder a outra pergunta:

- A ideologia melhora ou piora o homem?

Digam-me por favor.

 

 Luís Soares de Oliveira

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