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A bem da Nação

REMEXENDO EM PAPEIS VELHOS

 D. João II

COM IDEIAS ACTUAIS

 

Volta que não volta, remexo em livros já lidos, por vezes mais do que uma vez, porque a memória começa a ficar perdida, sem saber o que sabe! Já Dante dizia que não podemos nunca atingir o conhecimento se não o conservarmos!

 

E encontro coisas curiosas!

 

O tal pai da psicanálise teve tiradas de “mestre”! Uma delas ao analisar um escrito de Leonardo Da Vinci, em que este descreve um sonho de infância – “Um abutre desceu até mim, abriu-me a boca com a cauda e bateu com ela muitas vezes contra os meus lábios” – Freud afirma logo que este sonho era prova de homossexualidade latente! Está mesmo a ver-se Leonardo da Vinci a fazer amor com um urubu! Segundo estudiosos, Freud interpretou mal os escritos de Leonardo, mas “glorioso”, assim mesmo, emitiu a sua opinião!

 

Eu não me lembro de ter sonhado com qualquer urubu, mas com passarinhos bonitos, delicados, borboletas e outras “mariquices”. O que diria Freud de mim?

 

Mais tarde o mestre concluiu que o olhar da Mona Lisa, Santa Ana e a Virgem, eram o reflexo do seu carinho pela mãe, uma pobre criada de servir.

 

Sabia “à brava” o tal de Sigismund! Até de criadas de servir.

 

Em outro livro reencontro a evidência do princípio das grandes crises financeiras que hoje enfrentamos. O enriquecimento baseado não na produção, mas nas transacções financeiras! Tal como hoje, quando com um só telefonema se podem ganhar, ou perder, milhões, sem que haja trabalhadores a produzir o que quer que seja.

 

Começa esta “festa” na Itália quando são “inventados” os bancos. Para se evitar que os comerciantes que cruzavam a Europa em todos os sentidos, carregassem consigo grandes quantidades de dinheiro, sujeitos a assaltos e roubos, uma rede de “agentes bancários” foi-se estabelecendo, emitindo “lettere di credito” e... ganhando, ganhando.

 

Mas não foram só estes que enriqueceram. Foram também aqueles que, sobretudo, comerciavam mercadorias de luxo. Como hoje, quando um mesmo relógio cheio de brilhantes pode valer entre 1.000, 2.000, ou 20.000! Valor arbitrário.

 

Este ano a Forbes apresentou um bilionário francês, cuja fortuna aumentou 45% em 2010. Como? É dono ou sócio maioritário de grandes marcas de luxo, desde roupas a jóias, relógios e outras inutilidades!

 

Quando a Europa se viu invadida com as imensas quantidades de ouro roubadas da América pelos espanhóis e, quantas vezes aproveitadas pelos corsários, o ouro excedeu de tal forma o ritmo de produção de mercadorias, que o resultado foi a primeira grande e catastrófica inflação que a Europa sofreu.

 

E para que servia o ouro? Para ostentação! Porque na realidade vale tanto como papel-moeda. Se um indivíduo se perder, no meio do nada, esvaído de fome e sede e tiver baús cheios de ouro e notas... de que lhe valem? De nada. Daria até toda essa “fortuna” por uma galinha, ou duas batatas ou bananas! E até por um copo de vinho!

 

Hoje vemos os preços das malfadadas commodities a subir, quando o custo de produção baixa, porque os intermediários são os mesmos, que parece pretenderem levar o mundo à ruína.

 

A “coligação” está entretida a destruir o máximo de material de guerra de que dispõe o louco assassino da Líbia. Claro que ele, assassino perigoso, como já o provou, merece ser enjaulado, julgado e esculhambado. Mas assim que a Líbia entrar na normalidade (quando, e se???) a primeira visita que receber desses “amigos coligados” será para venderem novas armas!!!

 

Está tudo louco.

 

Praticamente na mesma data, e sem se conhecerem, dois homens escreviam duas teses diametralmente opostas, sobre a conduta dos homens e dos governantes.

 

Enquanto um, meio platónico, cristão, preocupado com o sofrimento do povo e a arbitrariedade dos governantes, escrevia sobre a igualdade e classificava o dinheiro como a origem de todos os males, um autêntico utópico, o outro, pés no chão, diz-nos que aquilo a que temos que nos ater é ao que os homens fazem e não ao que deviam fazer!

 

Para aqueles, simples montanheses, em quase nenhum estado de civilização, quando ainda são puros, poderiam fundar uma república ideal, enquanto que os que vivem em cidades, se habituam depressa à corrupção e ao mal.

 

Os homens são perversos e não guardarão a sua palavra perante ti! Um príncipe não hesita em intrujar o seu povo e enganá-lo.

 

O primeiro enaltece um quase paraíso na Terra, onde não houvesse dinheiro, a raiz de todo o mal. E vislumbrava já a conspiração dos ricos procurando vantagens em nome da comunidade; inventam e planeiam todos os meios e possibilidades para usar do trabalho dos pobres, pelo mínimo possível de dinheiro. E estes planos quando os ricos os decretam... tornam-se leis.

 

Enquanto um “ensinava” os governantes a aparecerem perante o povo ricamente adornados, o outro dizia que odiava ver os homens mourejando para fazerem coisas frívolas e inúteis, ávidos da própria vaidade, para superar os outros, com a vã ostentação de “inutilidades gloriosas”.

 

Um rejeitava a ideia do Estado onde governantes impõem os seus desejos pessoais. E ia mais longe: será extremamente raro encontrar um homem bom, disposto a usar de meios perversos para se tornar príncipe, mesmo quando o seu objectivo é bom, como encontrar um homem mau que, depois de príncipe, esteja disposto a trabalhar para bons fins, ou que lhe viesse ao espírito usar para bons fins a autoridade que adquirira por meios depravados. O outro considera que os fins justificam os meios e, daí, a psicologia da guerra.

 

Depois destes fracos considerandos, imagino o que Freud diria de mim: um platónico, utópico... um idiota! Aqui, sou obrigado a aceitar o veredicto do mestre psicanalista!

 

Resumindo:

1.– O primeiro, o bom, acabou decapitado.

2.– E quem alguma vez chegou a governante sem ter feito trapaça, corrompendo, ou entrado em guerrilha contra os próprios irmãos?

 

Lembram-se do Príncipe Perfeito português?

 

Rio de Janeiro, 24 de Março do 2011

 

 Francisco Gomes de Amorim

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