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A bem da Nação

DEVANEIOS

NA SAGA DOS RILHÓ(S) DE CANTANHEDE

 

 

 

Da bruma dos tempos surgiu o clã dos Rilhó(s) em terras primitivas de Escumalha (Vilamar, Coimbra), ora pertencendo ao concelho de Cantanhede. Os primitivos Rilhó(s), de estirpe judaica e de procedência da Catalunha, ocuparam-se de pequenas forjas como ferreiros e armeiros.

 

Com o rodar dos anos deixaram esses ofícios para trabalhar em metais não-ferrosos (ouro e prata), uma actividade mais lucrativa. Especializaram-se como fabricantes e vendedores de objectos e peças de ouro e prata, em diversas localidades concelhias. Alguns elementos do citado clã abandonaram as forjas e dedicaram-se ao sacerdócio diocesano de Coimbra. Os Rilhó(s), ourives, vendedores ambulantes e sacerdotes, declaram-se entre si como elementos não-consanguíneos.

 

Segundo o bem conceituado ourives da praça, Manuel Braga Rilhó, ele radicou-se em Alcobaça há mais de 50 anos como sucessor do seu pai, vendedor ambulante de ouro e de prata, que a pé ou em bicicleta transportava um pesado malão, procurando compradores de porta em porta. Ele confirmou-me que no clã dos Rilhó(s) houve sempre padres, mencionando-me que vivia em Cantanhede um velho padre desse clã.

 

Contactada a família do Pe. Manuel Augusto Marques Rilhó (1916/2004), sacerdote diocesano vivendo em casa própria na companhia de duas irmãs, apurei que ele falecera com 87 anos de idade em 2004. Segundo a Geneall, o dito Pe. Manuel Augusto foi filho de Manuel Marques Rilhó (n.1888), descendente dos Rilhó(s) oriundos do Covão do Lobo e que o mesmo viera ao mundo 44 dias antes do signatário abrir seus olhos ao sol tropical de Goa! Deixou duas irmãs ora nonagenárias, um primo também sacerdote, além do irmão emigrado para Brasil, onde vivem e trabalham numerosos Rilhó(s). Na conversa telefónica com uma irmã do falecido padre, esta contou-me que vive em Setúbal um Capitão Rilhó das Forças Armadas Portuguesas. Assim se verifica que os Rilhó(s) se encontram actualmente estabelecidos em Cantanhede, Coimbra, Lisboa, Alcobaça, Barreiro, Condeixa-a-Nova et alia, sem parentesco consanguíneo.                                                  

 

Um Rilhó em Goa (1612)

 

Já no fecho do Dicionário de Goanidade, Volume I, de que me vinha ocupando desde meados de 2008, fiquei muito surpreendido que em 1612 um indu, chamado Rilhó-Naique abraçara o Cristianismo tomando o nome de António Rebelo no acto do seu batismo por missionário jesuíta. Era um natural da aldeia de Navelim (Salcete), contígua à capital concelhia. Donde teria vindo esse Rilhó apenso ao sobrenome Naique? Que respondam os mais bem entendidos… No meu modo de pensar, o pai indu deu ao seu filho o nome Rilhó dum missionário ou duma autoridade administrativa da então Província de Salcete, ora Concelho de Salcete, por simples admiração. Fora disto, era praxe corrente dos neo-cristãos receberem os nomes e sobrenomes dos seus padrinhos e dos missionários que lhe administrassem os batismos. Ele foi apenas um dos primeiros mil indus cristianizados em Salcete (jesuítas), em Bardez (franciscanos) e nas Ilhas (dominicanos et alii), todos incluídos no meu Dicionário, muitos deles com seus novos nomes batismais a partir de 1595 a 1630, como consta dum extracto de Registos existentes na Torre de Tombo de Goa.

 

Alcobaça, 02/07/2012                                              

 

 Domingos José Soares Rebelo

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